sábado, 12 de janeiro de 2013

Do reino consciência.

Quem nunca passou por momentos em que desejou não ter o peso de uma responsabilidade sobre si?
Quem nunca teve que escolher entre o certo e o errado, e no meio termo encontrou a duvida orientando-lhe a uma nova reflexão?
David enfrenta um problema.
Quando se tem 15 anos de idade, costuma-se pensar que o mundo é o problema, e tudo se transforma em revolta e injuria. Costumam chamar a isso de rebeldia adolescente.
Para David, o problema rouba um pedaço de si, algo que ele não sabe explicar o que é, mas tem certeza ser muito valioso.
Por vários dias procura por uma solução, que nem se quer sabe se existe, apenas procura.
Perdido em perguntas e respostas, David sente uma dor diferente, que martela em sua cabeça, e o leva ao choro.
Um choro diferente, um choro preocupado...
- Não sei dizer se existe uma hora apropriada para alguém chorar...mas as 4 da manhã é no mínimo estranho.
- Oi pai...
- Esta triste meu filho...
- Não.
- Quer me deixar ainda mais preocupado?
- Legal, assim dividimos problemas e preocupações...
- Não sei se quero dividir meus problemas com você.
- É, e eu não sei se quero ser mal a ponto de passar o peso de minha responsabilidade para outra pessoa.
- Do que você esta falando?
- De uma escolha...
- E a escolha certa faz de você uma pessoa mal?
- Dependendo de uma perspectiva sim...
Aliás, olhando por um lado, eu nem sei se existe uma escolha certa...
- Entendo...
- Entende???
Você nem sabe a que eu me refiro...
- Mas entendo o que quer dizer, mesmo sem ter uma noção do conteúdo de sua preocupação.
Deixe-me contar-lhe uma história.
- Pai...
- É só uma história, que talvez ajude...ou talvez apenas piore o seu estado de espirito.
- Como assim???
Você não sabe se algo vai me ajudar, e ainda assim vai fazer?
- É muito difícil dizer o que faz bem ou mal, talvez algo faça bem de inicio e depois de um tempo, a pessoa se arrepende do que fez, talvez algo faça mal, mas passe uma lição valiosa, talvez você ainda não conheça a melhor aliada sua em uma situação difícil...
- ...
- ...Bem ao longe, existe um lugar, pouco explorado pelas pessoas.
Um reino chamado Consciência.
-Pouco explorado??? ...
- Shhhh...
- Ok...
- Consciência é governado por Pensamento, um rei que já enfrentou muitas batalhas, e sempre manteve um modelo ideal de liderança.
Mas há algum tempo ele vem enfrentando uma doença, um câncer que rouba-lhe a vida aos poucos, alastrando-se e corrompendo sua moral.
De onde vem a doença que indignifica um homem poderoso?
Existiria a cura ideal para um ser humano sem moral?
A rainha Razão pergunta-se aos prantos, enquanto vê Consciência, aquela terra pela qual seu marido tanto lutou, praticamente desgovernada, envolvida ao caos e a discórdia.
Para Justiça, conselheira do rei, em algum lugar do tempo pensamento perdera o controle de si mesmo, Justiça chama o câncer de ganancia, e diz isso ser algo que vai além da própria busca pela cura, algo que vem de dentro, que nasce e em um momento oportuno desenvolve-se.
Razão sempre tentou entender os ideais de Justiça, mas em algum ponto, questionava sua verdade.
Justiça tenta explicar sobre flexibilidade de ideias, mas para Razão isso vai além do que ela pode compreender.
Um jovem cavaleiro se apresenta a rainha, dizendo conhecer a origem da doença que afeta o rei.Chama a ele próprio de Sentimento, e se diz tão importante quanto Razão para colocar uma ordem em consciência, e ajudar o rei a recuperar-se do mal.
- Eu mal lhe conheço, mas já ouvi dizer de suas andanças.
- Eu viajo pelo reino, buscando pela paz que as pessoas precisam sentir.
- Não entendo de paz, desde então, veja só o mundo que estamos.
- A paz não é um objeto, pois um objeto pode-se ver e tocar, a paz se sente, lá dentro.
-Dentro de...?
- Dentro do reino, dentro das pessoas...deixou de existir a paz, quando o rei deixou de tentar entender Justiça.
- Justiça sempre foi muito apreciada pelo rei, até que começou a mostrar-se confusa, perante aos olhos dele, e aos meus, parece que seu modelo não mais se encaixa a visão do reino.
- A Justiça não se mostra evidente, mas deixa traços da verdade, a verdade que muitas vezes fingimos não ver por ser dolorosa demais, a verdade que muitas vezes eu mesmo não suporto.
- Eu jamais deixei de suportar a verdade, eu idealizo a verdade, sou mais dura do que ela.
- Então admita que precisas de mim para reconstruir o reino, e combater o mal.
- Por onde pretendes começar, caso eu aceite sua proposta?
- Por você mesmo, e depois por mim.
- Como?? Estas a dizer que vais mudar suas ideias antes de colocá-las em prática?
- Antes eu preciso conhecer você, para depois adaptar as ideias aos seus ideais, e aos meus princípios.
O rei além de Justiça, também tem a você como modelo de governo, questionando aos ideais de Justiça, você manipula a moral.
- A moral não mais existe, não há como eu manipulá-la.
- A restauração da dignidade do reino, traz de volta a moral perdida pelo rei, reintegrando seu caráter e a sua capacidade de governar.
- Estas a dizer que perdendo a moral, perde-se tudo?
- Perde-se a paz, e a ausência de paz desintegra a esperança, Consciência precisa sentir a paz, para renovar a esperança.
- Falas de Consciência como se fosse uma pessoa, és louco?
- Sua casa é a minha casa, e precisamos mantê-la limpa e tranquila, para que bem possamos viver.
- É...acho que entendo...
Que matem Sentimento e Justiça, por tentarem corromper o governo de Consciência.
E assim, sem requisitos de Sentimento, e os ideais de Justiça, Consciência é uma terra perdida, arrasada pelo mal que Razão sozinha jamais conseguiu deter.
- Pai, você me preocupa as vezes...acha mesmo que eu vou conseguir dormir após essa história maluca?
- Não é uma história para dormir, já que dentro de 30 minutos você apanhara se não estiver a caminho da escola, e sim para refletir...pense, e analise não só por um lado as coisas, pois elas não são apenas o que parecem ser ou o que queremos que elas sejam.
A consciência é aquilo que sentimos quando a responsabilidade pesa, é a verdade que martela em sua cabeça enquanto você reluta em escondê-la, são os sensos de ética e moral que formulam a educação de cada um, e a necessidade de respeito que faz de você sempre alguém melhor, resumindo, ela é o mapa mental que lhe conduz a justiça, e consequente felicidade.
- Obrigado pai...
-Vá se arrumar David...
- Não quer ouvir sobre o meu problema?
- Depois de você tomar a decisão que considera mais justa, agora vá se arrumar.







quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Da Música de Quinta #2

Cá vos volto, ó seres que ainda tem saco para acessar este humilde canto de reflexão que é o nosso blog. Hoje é quinta, e como pede a nossa tradição milenar risos é dia de postar uma música. Atendendo pedidos especiais hoje, aí vai uma música do cenário indie pop. Enjoy!


Quem quiser mandar sugestões de músicas pra gente, a vontade pra comentar!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Da História do Cinema

Já que o chefe ainda não voltou de viagem, cabe a mim a tarefa de trazer-lhes o conteúdo deste bloguito mais uma vez, rs. Hoje vou falar brevemente da história de uma das artes que mais me encantam: o Cinema. Vamos lá!

Com o passar dos milênios, a arte começou se desenvolver em vários aspectos nas suas sete vertentes, as famosas sete artes, a saber: pintura, música, literatura, escultura, teatro, dança e cinema. Como já disse, neste post em especial darei ênfase na história deste último.

Desde os tempos mais remotos o homem decidiu representar em forma de desenhos a vida que levava a fim de registro ou por motivos ritualísticos. Isto é relatado de cavernas que até os dias de hoje apresentam pinturas rupestres em suas paredes. Os homens utilizavam de pedras ou chifres para riscar as gravuras, ou de uma tinta composta a base de argila, sangue e excrementos de animais. Ao longo do tempo a vontade de representar o movimento foi gerando várias vertentes, sendo a principal delas o teatro.

Por volta de 5000 a.C. surgiu na China uma dessas vertentes que era chamada de jogo de sombras. Isso consistia na representação de uma história a partir da projeção da sombra dos atores e de objetos sobre uma tela de linho branca. Este teatro de sombras é considerado um dos mais antigos precursores do cinema.

Por volta do século XIX os estudos sobre a análise do movimento foram bastante explorados, sendo o grande nome dessa base de foco o físico inglês Peter Roget, que em 1824 publicou um artigo na qual explanava que a retina possui a capacidade de reter a imagem em uma fração de segundo. Dessa forma uma sequencia de imagens que possuam uma continuidade visual e se alternam rapidamente podem formar uma percepção de movimento. Assim surgia a animação.

O primeiro aparelho que representava esse fenômeno de animação foi inventado em 1831, pelos doutores Joseph A. Plateau e Simon Rittrer. Tratava-se de um objeto constituído por um disco e 16 imagens contínuas, de maneira que ao girar o disco o movimento poderia ser perceptível. A este objeto deram o nome de fenacistoscópio. Alguns anos mais tarde o fotógrafo Eadweard Muybridge continuou o legado das animações com suas sequências de fotografias e imagens. Muybridge foi um dos grandes nomes da história do cinema, pois além de seus trabalhos com animações diversas também foi o precursor da película utilizada para passar os filmes.

Fenacistoscópio de "A Couple Waltzing" por Eadweard Muybridge, 1893

Em 1889 Willian Dickson, assistente do famoso inventor Thomas Edison construiu o cinetoscópio, uma máquina com várias engrenagens e rolos de películas de celulóide com imagens que era possível observar em movimento através de uma abertura. Black Maria (1890) foi um filme criado por Edison no cinetoscópio e considerado o primeiro filme da história do cinema. Edison tentou sincronizar um aparelho de som ao invento, porém sem sucesso. Além disso, apenas um espectador poderia ver o filme por vez.

Filme em cinetoscópio "Anne Oakley" por Thomas Edison, 1894

O problema de exibição pública foi resolvido em não muito tempo depois. Em 1895 os irmãos franceses Auguste e Louis Lumière inventaram o cinematógrafo, que consistia de uma máquina movida a manivela que projetava imagens de películas sob uma superfície visível a quem quisesse. Em 27 de dezembro do mesmo ano os irmãos Lumière realizaram a primeira exibição pública dos seus filmes, sendo o mais famoso o "Chegada do Trem a Estação" que impressionou os 33 espectadores que o assistiam. Nascia ali a sétima arte: o cinema.

"L'arrivée d'un Train en Gare de la Ciotat" por Auguste e Louis Lumière, 1895

Com o passar dos tempos, vários cineastas foram surgindo e o cinema mudo explodia em todos os cantos do planeta. Vários documentários, filmes e seriados foram produzidos no início do século XX. Em Hollywood, distrito de Los Angeles nos Estados Unidos surgiam as primeiras grandes indústrias cinematográficas, como a Keystone Company (de  Mack Sennett, que descobriu os talentos Charles Chaplin e Buster Keaton), a Famous Players (atual Paramont) e a Fox Films Corp. Até os tempos atuais Hollywood é considerado o maior polo cinematográfico do mundo.

Na década de 20 vários gêneros de filmes começavam a ganhar fama, como comédia, drama, policial e western. A comédia foi bastante popularizada por Charles Chaplin, que com um ótimo treinamento de mímica representava cenas de um desastrado no cotidiano. Em 1928, Walt Disney criou o primeiro desenho com som em sincronia.

"Mickey Mouse: Steamboat Willie" de Walt Disney, 1928

Na década de 30 o cinema falado foi a grande bola da vez. Os filmes foram cada vez mais aclamados e surgiram vários novos gêneros, como os musicais e desenhos animados. Durante o regime de guerra os nazistas chegaram a utilizar o cinema como maneira de publicidade do movimento na europa, com filmes que retratavam seus interesses e ideais. Depois da guerra, o cinema ressurge mais forte do que nunca, com o surgimento dos cinemas novos.

Desde os meados do século XX vários filmes foram surgindo, e com eles vieram os clássicos também. Nomes como Martin Scorsese, Stanley Kubrick, Francis Ford Coppola, Woody Allen, Terrence Mallick, George Lucas, Alfred Hitchcock, Steven Spielberg, Tim Burton, Clint Eastwood, Robert Altman, Quentin Tarantino, Robert Rodriguez, Roger Avary entre vários são considerados os melhores diretores de todos os tempos. Suas produções e roteiros são registros de uma ótima evolução desta nobre arte.

Fontes de pesquisa

ITP - Tisch School of the Arts. History of animation. Disponível em http://itp.nyu.edu/~mp51/methodsofmotion/historyofanim.html

Webcine. História do cinema. Disponível em http://www.webcine.com.br/historia.htm

domingo, 6 de janeiro de 2013

Do falso senso crítico contemporâneo

Não é recente o caso de falsos estudiosos que vem passando uma série de informações imprecisas, seja por hipóteses infundadas pelo evolução do estudo (da qual somos inevitavelmente todos vítimas, já que a ciência nunca bate o martelo em nenhum assunto) ou por pura negligência. Esse segundo caso é o mais grave e infelizmente também é o mais observado atualmente.

Frente ao advento da internet e posteriormente das redes sociais, as pessoas começaram a ser capazes de expressar opiniões a nível global sem precisar sair do conforto de seu lar. Conforme o passar dos tempos, várias pessoas foram gerando dados que lhes vinham à tona ou simplesmente não possuíam o devido fundamento lógico, e por tal foi surgindo algo que acabou se tornando um dos males do século XXI: o falso conteúdo.

Existe um fenômeno cognitivo de comportamento, descrito por psicólogos como efeito Dunning-Kruger. Trata-se de uma situação em que determinada pessoa se considera informada sobre um assunto da qual é leiga, porém acaba por transmitir falsas informações a outro indivíduo que também não conhece do assunto, que por sua vez acredita na falácia. É uma coisa natural que pode acontecer a qualquer pessoa (confesso que já fui vítima dessa desordem).

Segundo os próprios Dunning e Kruger, as pessoas que se acham especialistas no assunto, mas não tem a coerência dos fatos apresentam quatro comportamentos típicos: superestimam sua própria “habilidade”, não reconhecem a genuína habilidade dos outros, não reconhecem a gravidade de seu engano e por fim, quando instruídos de maneira correta (em geral sob evidências e provas) admitem sua falha, total ou parcialmente (via Blog Modus Digitali).

Uma metáfora que pode transmitir bem o que a premissa do fenômeno tenta explicar é a brincadeira do telefone sem fio. Imagine uma corrente de pessoas lado a lado, onde em um extremo o primeiro jogador passe uma informação a seu companheiro ao lado. Este por sua vez passa a informação ao próximo, e assim por diante. Acontece que existem várias maneiras de interpretar uma informação, e consequentemente esta vai se modificando ao longo da corrente, até que uma pessoa que ouviu pouco da outra comece a formular suas próprias idéias do assunto, que por vezes possam parecer ter fundamento lógico, mas de fato não há.

A internet virou lar de vários “especialistas” e com o passar do tempo só tende a piorar. Na última década, a pior raça desse tipo de pessoa começou a surgir pelos comentários e até mesmo postagens de blogs, redes sociais, vídeos e etc.: os pseudo-críticos. Trata-se de um grupo de pessoas que formula várias idéias sobre um determinado assunto, porém não possui a coerência de usar do raciocínio, apenas pelo fervor de criticar algo. Muitos se aproveitam do anonimato ofertado para abusar das palavras na pior maneira que existe, comentando baboseiras, ofendendo e ameaçando.

Um ótimo exemplo é o que eu acabei encontrando na rede social do momento: o facebook. Trata-se dos críticos “roqueiros”, cuja finalidade principal é atacar os movimentos musicais brasileiros do presente: o funk carioca, o pagode e o sertanejo universitário. É certo que uma pessoa tem todo o direito de criticar algo que não goste, e também reconheço que também de nada me agradam algumas letras ou mesmo as melodias desses estilos. Porém o que acontece é que muitos gostam de falar mal, mas para isso vestem uma camisa de algo que nem faz idéia do que possa realmente representar. Este tipo de pessoa é a pior que existe, pois além de criticar o gosto musical de alguns ainda por cima se considera um fã de AC/DC, só porque ouviu Highway to Hell num filminho qualquer e gostou, ou é fã de Guns N’ Roses porque a trilha sonora do seu jogo de vídeo-game era Paradise City. Não digo que é ruim a introdução das músicas nesses meios de divulgação, au contraire. Até admiro que as pessoas passem a gostar de algo por meios próprios. Porém se este indivíduo se apegar a somente uma música, ou até mesmo só uma banda e não goste das outras músicas que são do mesmo estilo não faz sentido sair por aí criticando demais estilos musicais (que certamente são de agrado de alguém, caso contrário não faria sucesso) sob um semblante falso de algo que não lhe é conivente (ou seja, “pagar de roqueiro”). Novamente, a mim também podem não me agradar algumas letras, mas eu respeito cada um que goste (desde que não ligue uma caixa de som ou algo do tipo na minha orelha).

Concluindo a opinião, a internet de hoje está apresentando um conteúdo que não se aparenta muito decente. É uma decadência constante que é observada em várias outras coisas, como filmes, músicas e até mesmo em livros, e parece ser inevitável e contagiosa. Talvez seja o resultado do que já foi discutido anteriormente sobre a teoria conspiracionista idiocrática, mas só o tempo dirá.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Do sonho de voar

Desde os primórdios da nova humanidade e com o passar do tempo a vida limitada apenas à superfície terrestre começava a ficar entediante. Por tal, a maior façanha que um homem poderia realizar é a de tirar os pés do chão e “andar” pelos ares, como os pássaros e demais animais alados, pois dessa forma poderia encarar a realidade de todos os lugares por um angulo mais tridimensional.

Esse caso é relatado desde tempos bastante antigos, como na mitologia grega. Conta uma das lendas que um construtor ateniense chamado Dédalo foi convocado por Minos, rei de Creta para construir um labirinto que serviria de prisão para a famosa besta mitológica Minotauro. A fim de castigo pela morte de seu filho Androgeu, Minos decidiu sacrificar sete homens e sete garotas anualmente para alimentar o Minotauro. Quando Dédalo ajudou Teseu, um dos confinados de Minos, a escapar do labirinto com a ajuda de um rolo de fio, o rei se enfureceu e prendeu o construtor junto com seu filho Ícaro dentro do próprio labirinto, que de tão complexo era difícil de escapar até mesmo para Dédalo. Contudo, com sua brilhante mente, o construtor inventou um par de asas feitas com armações de madeira incrementadas com penas de aves e cera, e junto com seu filho partiram do labirinto voando. A sensação de voar era de tamanho júbilo para o jovem Ícaro que, fascinado pela dádiva e no fervor do momento começou a subir mais e mais para apreciar o mundo com seus olhos nas maiores alturas que pudesse atingir. Porém conforme se aproximava do sol, a cera das armações começou a derreter e as penas foram sendo perdidas uma a uma, até que então perdeu a estabilidade e caiu, se afogando no mar Egeu. Dédalo ficou inconsolado pela morte do filho e deu o nome da ilha onde pousara de Icária.

Além da mitologia, há também relatos históricos sobre as façanhas do vôo. A partir dos relatos de estudos de Arquimedes, que descobriu que os objetos podem flutuar sobre a água que demais estudiosos passaram a focar na sustentação dos objetos no ar, visto que este também é um fluído.

Helicóptero de da Vinci
No século XV, Leonardo da Vinci começou a dar ênfase dos seus estudos para a criação de uma máquina capaz de fazer uma pessoa voar. Com isso, desenvolveu dois tipos de máquina: o ornitóptero, que consistia de uma esteira equipada com duas asas artificiais que, teoricamente, quando batidas alçariam voo; e o helicóptero, cujo princípio era baseado na propulsão de ar para baixo a partir do movimento de hélices, que projetaria a máquina no sentido contrário. Estas invenções não saíram do papel, porém serviram como base e modelo para a criação das aeronaves modernas.

Nos primórdios do século XVIII, o padre português Bartolomeu de Gusmão inventou o primeiro aeróstato (aeronaves mais leves que o ar), sendo um balão de ar quente batizado de Passarola. A partir daí vários balões foram criados, porém todos dependiam da ação dos ventos para seguir o seu destino. Somente em meados do século XIX o francês Henri Giffard construiu o primeiro aeróstato dirigível, mais tarde batizados de zeppelins, uma vez que a invenção foi disseminada pela europa pelo conde alemão Ferdinand von Zeppelin.

Os dirigíveis viraram a onda do momento, para fins bélicos de início e posteriormente para transporte, até que uma série de acidentes começou a ser constatada, o que fez com que as autoridades limitaram sua utilização. Com estas leis impostas sobre os aeróstatos, vários inventores começaram a repensar em aeronaves mais pesadas que o ar dando atenção aos princípios de da Vinci. Várias tentativas frustradas a frente e chegamos até meados do século XIX, com Otto Lilienthal, um inventor alemão que desenvolveu vários planadores ao longo de sua vida e realizou voos de vários metros ininterruptamente até sua morte em um acidente aéreo.

14-Bis de Dumont
Concomitantemente à época de Lilienthal, alguns inventores buscavam criar a máquina de voo perfeita, porém não obtiveram sucesso no aspecto de carregar uma pessoa com a aeronave. Anos mais tarde, os irmãos Wright realizaram o que seria o primeiro voo com uma aeronave mais pesada que o ar. Porém, há controvérsias quanto ao fato de terem voado mesmo ou não, sendo que alguns creditam a façanha ao brasileiro Alberto Santos Dumont, que em 1906 realizou um voo em Paris, testemunhado pelo público, com a aeronave 14-Bis.

Ao longo da história, vários homens por si só tentaram a façanha de voar através de objetos feitos sob o molde de asas de aves, quirópteros e demais apetrechos. Porém, isso só trouxe várias fatalidades registradas, como o caso recente do padre paranaense Adelir de Carli, que em um ato falho de falta de preparação se lançou ao ar em 2008, sustentado por vários balões contendo gás hélio e acabou falecendo, perdido na costa por desvios ocasionados por condições climáticas.

O que vem ao caso é que graças ao estudo e desenvolvimento de vários estudiosos e inventores ao longo da história hoje em dia é possível que o homem viaje por vários meios pelos ares, podendo chegar a algum local distante em questão de minutos. Graças a isso, hoje em dia não somos mais limitados a superfície.

Uma vez que você tenha experimentado voar, você andará pela terra com seus olhos voltados para céu, pois lá você esteve e para lá você desejará voltar.”
Leonardo da Vinci

Da Música de Quinta #1

Agora de uma maneira oficial, todas as quintas-feiras iremos postar uma música aqui no blog, de maneira alternada. Hoje é o meu dia, e vou começar com um clássico da épica banda Metallica, que é uma das melhores faixas do Black Album na minha opinião. Bom dia!

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Da pena de morte em um modelo de justiça.

Registros contam que há mais de 2400 anos atrás, existiu um ateniense conhecido como Sócrates.
Sócrates foi condenado a morte por “corromper” os jovens, questionando a cultura grega da época, em especial os Deuses cultuados, e assim, abrindo espaço para a dúvida e uma visão mais racionalista sobre o mundo.
Cerca de 400 anos depois, registros contam o nascimento de um israelita chamado Jesus Cristo, que dizia ser o filho de Deus, e teria vindo ao mundo para salvar a humanidade dos pecados.
Jesus teria sido torturado e crucificado pelos romanos por volta do ano 33.
Alguns séculos mais tarde com a difusão do cristianismo principalmente na região européia veio um período denominado idade média, que se caracterizou pelo nascimento de uma instituição radical e manipuladora.
Ao longo desse período surgiu a inquisição europeia, que chamava de herege aquele que questionava o padrão e os ideais de pensamento estabelecidos pela igreja e pelo estado, de modo que condenava a tortura ou (e) a mrte aqueles que praticavam a heresia.
Nesse período o racionalismo científico foi extremamente restrito, só voltando ao auge séculos mais tarde, com um movimento denominado iluminismo, também conhecido como era da razão.
A pena de morte existe desde a antiguidade, como forma de punição aquilo que consideravam crimes hediondos para a cultura e a sociedade, como a traição ao sistema.
Atualmente ela é parte do modelo de justiça de alguns países, para punir crimes como assassinatos.
Com base nisso, levanto as seguintes questões:
A pena de morte, pode estatisticamente mostrar “bons” resultados em países desenvolvidos, mas teria ela o mesmo efeito em qualquer parte do mundo?
Pode-se chamar de “justiça” o direito do estado de punir com a morte um criminoso?
O que é a tão falada justiça?
Em suma justiça pode ser considerada quase que uma utopia, que idealiza valores cultivados em um sistema social.
Palavras como piedade e sensatez, trazem a tona os princípios que abrangem a ética e a moral humana.
Sob um ponto de vista, a pena de morte existe, para reduzir os gastos do estado, ao confinar um indivíduo por décadas, cumprindo uma pena pelo crime que cometeu.
Pode também surtir como solução para a redução da população carcerária.
Mas isso pode ser moralmente aceito?
Mesmo para um crime repugnante, como o estupro seguido pela morte da vítima, seria essa a punição mais adequada?
Poderia um crime ser punido com outra “forma de crime”?
A prisão não deve ser vista como um ambiente onde o indivíduo pagara pelos crimes que cometeu contra a sociedade, mas sim o local onde ocorrerá sua readequação ao convívio social, onde ele receberá o tratamento adequado para a reforma do seu caráter.
Pode ser utópico, e demasiadamente idealista o pensamento de “readequação social” de um indivíduo, mas talvez seja o que melhor se encaixe ao conceito de justiça que tentamos acreditar.
Sem falar que em um mundo deturpado, a justiça é corrompida, de modo que muitas vezes um inocente acaba por pagar pelo crime que não cometeu.
Deve-se considerar que um crime muitas vezes esta ligado a fatores decorrentes da própria condição de desigualdade social determinada pelo sistema que controla o mundo.
Deve-se analisar até onde vai à concepção de “punição” dada a alguém que cometeu um crime.
Não defendo o criminoso, acho sim que ele deve pagar de alguma forma pelo que fez, mas trabalhando para a sociedade enquanto cumpre sua pena, não para reduzir seus anos de cumprimento, mas para reintegrar sua dignidade perdida.