quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Da Música de Quinta #4 e do direito visto como processo evolutivo.

Aproveitando a música de quinta, hoje quero postar o texto de um amigo. Espero que apreciem as palavras do Advogado, e curtam Titãs, que é a boa da semana!!! :D

O DIREITO VISTO COMO PROCESSO EVOLUTIVO

Jefferson Carlos Rabelo
Os estudos do economista austríaco Friedrich August von Hayek1 (1899-1992) têm como indispensável o conceito de “ordem” para o exame de todos os fenômenos complexos; basicamente, o papel que o conceito de lei desempenha na análise de fenômenos mais simples.
No caso, fala-se da ordem social, em que se inserem desde as instituições, inclusive jurídicas, até a ação do mais singelo dos indivíduos. No entanto, essa ordem – em que múltiplos elementos de vários tipos se encontram de tal maneira relacionados entre si – não surge de um contrato social, nem tampouco de ações humanas que, de modo intencional, vinham dando forma a ela.
Tal ordem e suas instituições surgiram de modo espontâneo. São o resultado da ação humana, porém, desprovida de intenção. Por um processo de tentativas e erros, instituições complexas e ordenadas floresceram de ações distintas de muitos homens que não imaginavam suas consequências. (HAYEK, 1985, p. 60.)
À medida que o tempo passa, os homens se deparam com contingências que cobram deles solução.  Daí por que afirmar que  a sociedade como ordem não tem início com o consentimento expresso ou tácito dos homens. Surge de um processo natural que, atado às necessidades humanas, foi dando forma às instituições como hoje conhecidas. 
Visão que tem raízes no Iluminismo inglês, em especial no escocês. Pensadores como Adam Ferguson, Adam Smith e David Hume acentuam o caráter dinâmico e espontâneo das relações humanas. Longe de cogitarem um modelo abstrato e engenhoso de sociedade, concebem mecanismo natural que afasta a noção de que alguma mente ou conjunto delas tivesse imprimido e moldado o conteúdo e forma das instituições, dentre as quais o Direito.
David Hume, por exemplo, em seu famoso ensaio Of The Original Contract, abole a teoria do contrato social, sustentando que é difícil conceber que um bando de selvagens em época imemorial pôde se associar e reunir forças para constituir o governo.  Segundo o filósofo, “quase todos os governos do presente originaram-se de usurpação, conquista, ou ambas as modalidades, sem que com isso houvesse alguma pretensão de consentimento justo ou sujeição voluntária das pessoas” [tradução nossa]. (HUME, 1996, p. 279.)
Já no ensaio intitulado Of The Origin of the Government, David Hume ressalta a inclinação do homem para constituir e manter vínculos sociais. Aliás, muito embora tenha sede de poder – uma das razões por que o filósofo não vê sentido na teoria do contrato social –, o homem por necessidade e, posteriormente, com o auxílio do costume, consegue refrear condutas já não condizentes com as contingências atuais, acentuando no lugar as que condigam com o momento.
Não é difícil conceber entendimento no sentido de que o mecanismo evolutivo se contrapõe a concepções antropomórficas sobre o surgimento da sociedade, a exemplo do contrato social. Na verdade, o aparecimento e aperfeiçoamento das instituições e práticas humanas obedecem a um processo de adaptação. Ou melhor, de seleção natural das mais funcionais ou condizentes com as exigências da realidade. Seleção que – diga-se – acontece pela imitação das instituições e hábitos que se consolidaram com o tempo, não tendo nada a ver com as propriedades físicas e hereditárias dos indivíduos.
Realmente, a concepção de seleção inserida no processo de evolução social não foi extraída das ciências biológicas. Pelo contrário, segundo Hayek, “não há dúvida de que Darwin e seus contemporâneos tiraram das teorias da evolução social a ideia de que fundamentaram suas próprias teorias”. E enfatiza o economista austríaco: “Infelizmente, num estágio posterior, as ciências sociais, ao invés de avançar em seu próprio campo, a partir deste ponto, tornaram a tomar da biologia algumas dessas ideias, adotando conceitos como ‘seleção natural’, ‘luta pela existência’ e ‘ sobrevivência dos mais aptos’, que não são aplicáveis a essa área; pois, no que diz respeito à evolução social, o fator decisivo não é a seleção das propriedades físicas e hereditárias dos indivíduos, mas a seleção pela imitação de instituições e hábitos que se afirmaram. Embora esse processo de seleção também dependa do êxito de indivíduos e grupos, o seu resultado não são atributos hereditários dos indivíduos, mas ideias e competência, em resumo, toda uma herança cultural, que é transmitida pelo aprendizado e pela imitação. (HAYEK, 1983, p. 61.)
Demonstra-se, com isso, que a ordem espontânea, que emerge da vida social, não é jamais produto de reflexão consciente. A propósito, ainda que o homem atue na formação e concretização de instituições e práticas (a exemplo do Direito), não o faz imprimindo intencionalmente seu conteúdo. 
O conhecimento humano é demasiadamente limitado, de modo que é impossível abarcar as consequências do processo de criação, desenvolvimento, transformação e extinção de instituições, costumes, práticas etc. Evidencia-se, assim, o quanto singela é a tradição de pensamento que concebe a ordem social como produto da mente racional ou do contrato social. 
Remontando às ideias de René Descartes, posteriormente desenvolvidas, em grande parte, por Thomas Hobbes (HARDIN, 1999, p. 9, 10 e 11), que tomara emprestado o método cartesiano da dúvida para utilizá-lo como critério das ações em sociedade, tudo o que não podia ser deduzido de premissas explícitas, isto é, que desse margem a dúvidas, tinha de ser rejeitado como “verdade”. Por conseguinte, as instituições e os costumes não podiam ser analisados senão pela razão mesma.
Só seria considerado de interesse, ou se preferir verdadeiro, o que passasse por esse critério eminentemente racional. A razão seria então capaz – por si só – de não só explicar tudo o que fosse pertinente à ordem social e suas instituições, mas também de recriar essa ordem do modo que lhe apetecesse.
Pelas próprias palavras de Hayek: “A partir daí, torna-se quase inevitável concluir que somente o que é verdadeiro nesse sentido pode levar à ação eficaz e, portanto, tudo aquilo a que o homem deve suas realizações é produto de seu raciocínio, assim concebido. Instituições e práticas que não tenham sido criadas dessa maneira só por acaso podem ser úteis. Essa se tornou a atitude característica do construtivismo cartesiano, com o seu desprezo pela tradição, o costume e a história em geral. A razão do homem, por si só, torná-lo-ia capaz de construir a sociedade em novos moldes. (HAYEK, 1985, p. 4.)
Por esse apego excessivo ao suposto poderio da razão, o Construtivismo Cartesiano acredita que o surgimento das instituições, a exemplo do Direito, aconteceu por desígnio humano: o conteúdo e a forma das instituições teriam sido moldados por uma mente racional, ou conjunto delas (contrato social).
Daí, o que não se encaixasse nos modelos abstratos elaborados pela razão tinha de ser descartado e considerado como mera superstição. Tradições e costumes que não estivessem acessíveis ao crivo desse método podiam ser lançados na vala comum do esquecimento, sob a pecha de crendice.4 
Não é à toa que pensadores franceses entendiam possível inocular na ordem social o conteúdo desejado. Tudo seria flexível o bastante para se encaixar nos esquemas racionais. O que explica dizeres tais quais os de Voltaire:

Se quiserdes boas leis, queimais as que tendes e fazei novas.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Do conto principal.


Existe uma maneira correta de utilizar-se da capacidade de raciocínio?
Esse tema já foi abordado em alguns posts (do uso correto da razão, do raciocínio antrópico e do seu legado, do falso senso crítico contemporâneo...), mas, atendendo um pedido especial, tentarei falar agora em forma de conto.

Há muitos anos, a dúvida vem a ser o empecilho existencial, ou a chave mestra para a evolução do pensamento.
Dependente de perspectivas, ela é subitamente condenada, e absolvida pela própria razão da busca por um conhecimento absoluto.
Mas se existe um conhecimento absoluto, estará ele algum dia acessível a nossa limitada capacidade de desvendar?
A história que quero contar reenquadra alguns personagens dos contos anteriores.

Há bilhões de anos atrás, surgiu das substâncias orgânicas na água que se acumulava no planeta, uma divindade.
Chama-se Vida.
A Vida iniciou um processo lento e contínuo, e deu a ele o nome de evolução.
Evolução é a maneira com que Vida lida com as transformações, e com o desenvolvimento que as suas obras sofrem no decorrer do tempo.
Mas a evolução, que jamais parou, deu a luz a duas garotas.
De início veio a Razão.
Curiosa, a Razão mostrava o interesse que obra nenhuma de Vida havia apresentado até então.
Daquela preocupação infindável sobre os misteriosos processos de Vida, logo nasceu uma irmã que caminharia para sempre ao seu lado.
Deu-se a ela o nome de Dúvida.
Manipuladora, Dúvida sempre deixara Razão confusa quanto a sua própria necessidade de compreender.
Da necessidade de compreensão, evoluiu o Pensamento, e para Dúvida as respostas deveriam começar a surgir a partir dai.
Razão pressionada por Dúvida questionou Vida enquanto divindade, e o modelo de compreensão universal agora se dividia em diferentes perspectivas.
Com isso sistemas complexos de crenças se formavam.
Assim nasceram  correntes filosóficas, cada qual estimulando Razão a novas formas de análise da realidade.
Assim nasceram culturas, englobando diferentes concepções da realidade e fazendo-as hábitos e costumes restritos.
Com essa expansão de conhecimentos, Razão passou a acumular valores e guardar princípios em um local a que chamava de consciência.
Vida percebeu que da manipulação da realidade surgira a discórdia, um mal que assola o mundo  trazendo o caos.
Cansada, Vida coloca Dúvida em julgamento, sob acusação de corromper Razão e manipular a realidade que um dia havia sido uma só.
- Estas sob minha acusação de ter corrompido a ingênua Razão, e partido a realidade em diferentes pontos de vista.
 Tu tens seu direito de defesa, e será exilada do meu sistema existencial se condenada pelo que julgo correto.
- Tu julgas?
Que interessante.
Uma divindade julga.
Antes responda-me que queres dizer quando fala em correto.
- Julgo pois sou autoridade maior.
A divindade que trouxe ti ao mundo.
Julgo pois sei o que corrompe esse mesmo mundo, que um dia teve paz.
...
- Não questionei a paz, eu questionei o correto.
Paz bem sei que se encontra no equilíbrio.
Agora, e o correto?
- As ações que se seguem para recobrar a paz.
- Ações para recobrar a paz...interessante.
E de que paz tu falas?
Razão levanta-se atordoada:
- Estas a me confundir ainda mais, irmã.
Disseste conhecer a paz, e agora questiona-a?
- Conheço eu a minha paz.
A sua já não sei,
Vida? Pouco sei também o que é para si a paz.
Razão senta-se e Vida interrompe o silêncio que envolve o “tribunal” por alguns segundos:
- Relativista você, Dúvida cruel, divide conceitos e corrompe o significado moral das coisas.
-Significado moral...?
Pare, irmã (Razão, inquieta, mais uma vez levanta-se), quero apenas compreender e não criar novas concepções para o que já existe.
- Talvez seja o relativismo o melhor caminho para que conheça sua própria verdade, Razão.
Surgi de ti.
De sua necessidade de encontrar, de sua curiosidade...
Vida interrompe:
- Surgiu de ti?
Eu sou a divindade!
Eu as criei!
Eu as coloquei no mundo.
São parte dos resultados da evolução.
- Mas desde que veio Razão, tu sentiu-se ameaçada pela capacidade de análise, pela curiosidade que mostrava-se liberta das concepções que criaste para explicar o mundo.
Sou resultado do processo a que chamas de evolução, mas além disso, sou o fruto que se formou da planta que Razão semeou.
Irrompe em raiva Razão:
- Tu perturba meu estado com o que proclamas.
Já não sei se o certo existe, e se o justo é o digno.
Já não sei em que acredito, e a consciência brota valores que nem mesmo sei de onde vieram.
Preferiria eu continuar a não saber de outras perspectivas.
- Questionando tu cultivara o que queres entender.
Saciará sua vontade de ir além do que sua observação permite chegar.
Irás então, em busca do esclarecimento.
- É necessário que Razão saiba lidar com sua capacidade, diz então Vida.
És necessário que deixes com que Razão reconstrua o seu equilíbrio.
O que tens vós a dizer sobre o esclarecimento?
- Razão estimulada a perguntas, vai um dia encontrar a sua verdade, e encontrando a sua verdade, encontrará o seu equilíbrio, e a paz que procura.
É o que faço com as suas obras contemporâneas, oh Vida.
Permito-as irem além do que tu permitiu que entendessem.
Tiro-as do estado de alienação que lhes era imposto.
Isso é buscar o esclarecimento preciso.
- Falas como se me fizesse o bem, tirando-me do que antes eu achava saber. Retorna Razão.
- Se não lhe faço bem agora, é por que lhe era comodo demais apenas consentir com as explicações que   foram dadas.
Mas comodismo não é a paz, e nem mesmo o equilíbrio que necessitas.
És ele apenas uma ilusão, uma maneira mais fácil de aceitar e achar-se mecânico quanto a complexidade das coisas.
- E desde quando isso mostra-se mal? Interroga  Vida.
- Desde que não se conhece o propósito real das coisas.
Desde que não exista o interesse por aquilo que lhe envolve.
Desde que não demonstremos o fascínio pela descoberta.
Ser isso, é ser mecânico.
Ser isso é ser preso, é restringir-se a um sistema que não se conhece.
- Dúvida, tu quebra o código moral, falando de coisas assim.
Minhas obras mais novas, hoje dividem-se em diferentes linhas de conhecimento.
A moral não é mais uma só, ela muda conforme os valores cultuados por um grupo.
- A moral se adéqua a diferentes linhas do saber que hoje existem, mas existe uma base inalterável nela, mesmo entre grupos diferentes.
- Questionando, tu trouxe ao mundo a garota que em crise encontra-se perdida.
- Chamo ela de Existência, e se tu não sabe a Razão já começava a semeá-la.
- Então condeno-te a caminhardes ao lado de Existência eternamente, mesmo tu sendo para ela um empecilho.
Ela buscará respostas, e tu, mesmo rejeitada não a deixara.
Razão aprenderá a utilizar-se de sua capacidade, e encontrar o seu equilíbrio para organizar o espaço a que tanto chama de consciência.
Razão agora terá que aprender a lidar com esse conhecimento relativista que tu impôs.
- E como lidarei eu com esse conhecimento?
O silêncio se refez, e após algum tempo Dúvida tomou a palavra.
- Tu governará consciência junto de Pensamento.
Tu serás facilmente corrompida, se não tiver o pulso que precisa para governar, mas também será corrompida se abusar de sua capacidade e rejeitar certos auxílios valorosos.
- De que tu falas?
- Saberás, se acontecer.
- Mas então deverei cuidar para que não me manipulem, e deverei deixar que me manipulem?
- Deverás deixar que auxiliem o seu governo isso não é uma forma de manipulação.
Manipular você também irá ao rei, e vos tirará a moral se não cuidar de sua capacidade adequadamente.
- E como me utilizarei adequadamente de minha capacidade?
Tens o que precisa.
Basta abrir a mente.
...
- Chega o Dúvida maldita, estas condenada ao exílio. Caminharás junto de Existência. Diz Vida intolerante e esgotada.
Dúvida hoje caminha junto de Existência, que precisa encontrar o sentido que considera absoluto.
Existência só encontrou a forma correta de sua busca depois que aprendeu a lidar com Dúvida, que mesmo rejeitada, continua ao seu lado.
Existência entendeu assim a paz quando encontrou a felicidade, que lhe mostrou o equilíbrio.
Vida involuntariamente não permitiu que Razão aprendesse a lidar corretamente com a sua capacidade, e esso foi o princípio do caos que indignificou consciência aos poucos.

A dúvida é necessária para a compreensão das coisas.
É a saída de emergência existente em um sistema organizado.
Mas ao mesmo tempo, a semeadora da discórdia, e propagadora caótica se não trabalhada dentro de um equilíbrio.
A razão é só um dos quesitos necessários para a consciência estabelecer esse equilíbrio moral humano.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Da evolução socio-científica assíncrona

Em várias vertentes de estudos em geral existem grandes progressos que ocorrem frequentemente em todo o mundo, como revolucionárias descobertas científicas e alternativas de caso e uso. Os indivíduos mais informados sabem que a ciência está em constante progresso e isso é o "level up" que faz com que a sociedade como um todo evolua, certo? Mais ou menos..

É fato que junto ao amplo mercado existe uma certa co-evolução entre tecnologia e consumidor. Enquanto em poucos meses os sistemas operacionais são constantemente atualizados ou a capacidade de armazenamento de dados se expande as pessoas estão sempre aprendendo a lidar com as novidades nesse sentido, muitas vezes a mercê de suas próprias vontades. Porém isso não passa muito dessa linha. Além do problema da inclusão social existe um outro fator que é muito mais grave e preocupante: a falta de interesse.

Como já foi bastante abordado em outros artigos e mesmo nos comentários desse juvenil blog, as pessoas - como manda a lei física de que tudo na natureza tende ao equilíbrio - buscam sempre o estado de repouso máximo, e nesse sentido todos estão em constante busca de aperfeiçoar o mundo, de maneira que aprendemos a lidar com ele com menos dificuldades conforme o passar dos séculos. É baseado na premissa da sustentabilidade que estamos fazendo essas coisas ou é apenas uma maneira de gerar lucro através das vontades da sociedade? Enfim, não é o foco agora.. É algo perfeitamente notável que existe uma decadência por parte das pessoas quando o assunto é informação. Tudo está a nossa mão (poxa, é a era tecnológica!), porém não estamos utilizando as ferramentas da maneira mais adequada.

Quando o assunto é ciência, o sistema de educação é baseado na explanação dos ocorridos dessa vertente como um todo. Porém existem variáveis de dinamismo para cada disciplina. Por exemplo, na área de estudos humanos um assunto pode ser abordado em um determinado momento e mais tarde sem sofrer grandes alterações, mas quando se trata de ciências biológicas e naturais o buraco é mais em baixo, visto o grande avanço dos estudos. Um bom profissional sabe que deve estar sempre alerta para as novidades do mundo acadêmico, visto que sua maneira de pensar é moldada no que lhe é ensinado.

Infelizmente eu percebi que é bastante incomum que as pessoas continuem se atualizando com as novidades que vem acontecendo nessas ocasiões, mas quando o assunto é trocar um carro por outro mais novo ou comprar um novo smartphone mais potente aí é outro assunto...

"Nos dias de hoje o aspecto mais triste da vida é saber que a ciência avança mais rápido do que a sociedade reúne sabedoria"
Isaac Asimov 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Do isolamento geográfico e dos mamíferos ovíparos da área continental Australiana .

A teoria evolutiva Darwinista é caracterizada por algumas evidências irrefutáveis, quando analisadas minuciosamente.
Dentre elas, esta a questão do isolamento geográfico.
O isolamento de uma região é constatado principalmente por parte de sua fauna e flora, exclusiva, e exótica.
Isso devido a um evento evolutivo denominado especiação, ou seja, formação de espécies a partir de uma espécie ancestral.
Para isso, os grupos variáveis da espécie original devem ser separados por um tipo de barreira natural, e assim, em diferentes locais, podem ser analisadas variantes de uma espécie com diferentes adaptações, de acordo com seu nicho em cada ambiente, como a ave Tentilhão de Galápagos que apresenta diferentes gêneros e espécies, com adaptações principalmente no tamanho e forma do bico, de acordo com o hábito alimentar em cada localidade encontrada.
Além do arquipélago de Galápagos uma outra região bastante interessante é a área continental Australiana (Australásica), na Oceania, que envolve a Austrália (país), a ilha da Tasmânia e outras ilhas cortadas pelos oceanos Índico e Pacífico.
Dessa forma, o mar torna-se uma barreira natural, que possibilita o isolamento geográfico de espécies, e proporciona a essa região uma fauna e flora bastante exótica.
Dentre elas,dou atenção especial aos monotremados, que compreende a curiosa ordem de mamíferos que botam ovo.
Além dessa característica única,os monotremados também possuem um esqueleto diferente em relação a outros mamíferos, mantendo adaptações reptilianas dos seus possíveis ancestrais, em especial a caixa craniana.
Os monotremados possuem glândulas mamárias, mas não possuem mamilos, tendo os filhotes de lamber a região em que a mãe produz leite..
Dentre os gêneros e espécies existentes de monotremados, destacam-se o ornitorrinco (Ornithorhynchus anatinus)  e a équidina (Tachyglossus aculeatus).
O ornitorrinco compreende um animal peludo, característica especial dos mamíferos, com focinho em forma de bico de pato e membranas interdigitais nas patas dianteiras principalmente, assemelhando-se a um pé de pato.
É um animal semiaquático de hábito noturno, e carnívoro, se alimenta em geral de insetos, e pequenos crustáceos de água doce, e por isso vive próximo a rios, córregos, lagoas e lagos.
O macho possui esporões venenosos nas patas, que estão relacionados a defesa territorial e contra predadores.
Em geral o tamanho varia em relação ao sexo, sendo o macho maior do que a fêmea.
O ornitorrinco possui olhos em região posterior ao focinho,e não possui orelhas externas.
Sua longevidade pode variar de onze a dezessete anos, e possui como inimigos naturais raposas, serpentes, cães, gatos, aves de rapina e o homem.
O outro monotremado chamado de équidina possui também focinho em forma de bico de pássaro  e um corpo recoberto por espinhos.
É exclusivamente terrestre, podendo viver desde florestas, até desertos e regiões montanhosas, se alimenta de vermes, e insetos, principalmente cupins e formigas, tendo um focinho cônico com essa  função específica, e também uma longa e viscosa língua como nos tamanduás.
Sua longevidade pode variar no ambiente natural e em cativeiro, tendo já relatados espécimes que atingiram 50 anos em cativeiro.
Os espinhos apresentam cerca de 6 cm e em decorrência disso, seu único inimigo natural é o homem, sendo a carne muito apreciada.
Certos fatores se tornam essenciais, para a relevância e compreensão de uma teoria. O isolamento geográfico com certeza é um dos maiores pontos de esclarecimento da teoria Darwinista.






quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Do amor fora de funções bioquímicas e da Música de Quinta #3

Bom, há alguns posts atrás eu explanei sobre o amor, dentro das funções bioquímicas que o envolve, (da bioquímica do amor), hoje, aproveitando o dia da musica da semana, que decidi ser Nazareth, e atendendo um pedido especial, falarei sobre o amor, fora desse complexo de funções e termos científicos. Confesso achar mais fácil passar a visão cientifica...não me considero uma pessoa romântica.
O que é o amor?
Um sentimento?
Na verdade, prendendo-o a um simples sentimento a noção perde o foco singelo e poético de algo que pode transformar uma pessoa, levando-a a realizar feitos que  em qualquer outra condição, seria loucura se os fizesse.
Abrangente, o amor vai além daquilo que ocorre entre duas pessoas quando se apaixonam.
Na verdade a paixão é apenas um estágio, que evolui para algo mais sólido.
Tenho a paixão como uma primeira ilusão. O contato impreciso.
O apaixonado(a), não tem a ideia real daquilo que vê.
Isso, por que os sentimentos, na minha opinião são traiçoeiros.
A paixão é idealista, é utópica, submetida a ela, uma pessoa se esquece de defeitos, e passa a encarar apenas as virtudes da pessoa pelo qual se apaixonou.
Com o tempo, esse estágio vai passando, e uma coisa sólida se forma, seja ela uma frustração, decorrente de uma grande decepção sofrida pelo apaixonado, seja ela o amor, aquilo que se concretizou entre as duas pessoas, e agora é a parte que une as mesmas.
Amor não correspondido é platonismo, outra forma utópica, mas reservada de expressar uma forma diferente de carinho por alguém  que pouco sabe que você existe.
Encarar o amor platônico como idiotice, pode ser o mesmo que tomar leite com beterraba.
Muitos dizem ser estranho, mas um dia irão provar um pouco que seja.
O amor é a união dos sentimentos desencadeados pela paixão, ou a evolução do respeito e afeto, que existe em laços familiares e de amizade.
O amor é um sistema lógico e preciso que correlaciona distância e saudade, provocação e afinidade, loucura e distração, amizade e palavrão.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Da morte e da perda de um ente querido


A complexidade da vida nos leva a questões e reflexões profundas em busca de um sentido sólido.
Desde o surgimento da dúvida, a morte vem a ser um dos maiores enigmas que desafiam o racionalismo humano.
O que seria afinal, a morte?
Apenas um processo natural pelo qual todos os seres vivos estão fadados a passar?
Essa explicação traz apenas o sentido biológico para algo que vai além da nossa capacidade de observação e compreensão.
A morte é um medo.
Não um medo que nos é inerente, pois acredito eu, não se nasce conhecendo-a, mas um medo cultivado ao longo do tempo.
A morte, além do medo, é uma frustração, pois todos lá no fundo possuem o desejo, mesmo que ínfimo, da imortalidade.
Não apenas a própria imortalidade, mas principalmente a das pessoas a que se ama profundamente.
Afinal, quem nunca desejou ter sempre por perto os entes queridos, as pessoas que lhe ensinaram o que é a vida, e que passaram os melhores e piores momentos ao seu lado.
A perda de um ente querido nos ensina o quanto a morte é indesejável, e ao mesmo tempo inevitável.
Diferentes culturas trabalham um conceito de vida após a morte.
Talvez tenha esse hábito o intuito de confortar a dor da perda.
Talvez tenha esse hábito um intuito de restringir as pessoas enquanto vivas, levando-as a uma reflexão quanto as causas e conseqüências de suas ações.
Talvez tenha esse hábito o intuito de simplesmente comportar algo que jamais compreenderemos verdadeiramente.
Compreender que mesmo após a morte, um ser vivo continua a ser peça importante em um processo de transferência de matéria e energia, não completa a lacuna deixada por aquele que se foi.
A dor da perda é uma verdadeira lástima.
Covardia essa da vida, nos aproximar de pessoas e torná-las queridas, e depois levá-las embora sem uma explicação absoluta.
A um ano atrás perdi uma das pessoas que mais amei nesse mundo, mesmo sem saber como demonstrar corretamente isso.
Dedico essa reflexão e o seguinte poema a essa pessoa que me ensinou boa parte do que eu preciso para me tornar uma pessoa digna e integra.

Hoje o que é saudade,
foi um dia uma doce realidade.
Definir saudade é definir uma dor.
É um sentimento puro,
uma ferida que cicatriza na memoria,
e fica assim,
marcada para sempre.
Mas nem o para sempre é eterno,
talvez o sempre seja curto demais,
apenas enquanto houver vida,
até quando o ar me for necessário,
lembrarei de ti.
Depois disso descubro,
se ainda existe sentimento,
se ainda existe dor,
se do necessário ainda necessito,
se a eternidade é correlacionada com o infinito,
o valor de meus valores.
Mas se a incógnita ainda restar,
espero por ti,
para me explicar tudo novamente.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Da lenda de sangue.

Fortalecido por mitos, algo pode ultrapassar a barreira do tempo, e sobreviver as adaptações de cada geração.
Assim é uma lenda.
Caminhando por séculos e espalhando fascínio.
Imortal é a lenda.
Desde tempos bastante remotos, um personagem sangrento ocupa o seu lugar em meio a diferentes culturas, instigando a curiosidade, e provocando o medo.
Em sua essência o vampiro é um personagem folclórico principalmente de culturas europeias e asiáticas.
Uma criatura demoníaca, morto vivo, sugador de sangue que levanta de seu túmulo ou caixão a noite para alimentar-se de sangue humano.
A vítima gradualmente transforma-se em vampiro após a morte.
Em geral algumas características fazem parte da tradição dos vampiros, dentre elas a intolerância a luz do sol e crucifixo, o que torna o vampiro uma criatura das trevas, obscura e amedrontadora.
Acredita-se que a lenda dos vampiros, ganhou muita força desde a época medieval, em decorrência do predomínio de uma doença, que provocava uma queda na quantidade de sangue de uma pessoa, gerando desequilíbrios psicológicos, levando o doente psicótico a alimentar-se de sangue de outros animais.
Hoje faz-se relação entre essa doença medieval e a Porfiria, anomalia genética rara, onde um constituinte da hemoglobina (importante proteína encontrada nas hemácias e que transporta o oxigênio através da corrente sanguínea para outras partes do corpo) não é produzido corretamente, gerando dentre outros sintomas, distúrbios mentais, alterações de personalidade, sensibilidade a luz...
Anos mais tarde a raiva também gerou grande impacto para a difusão da história dos vampiros. Afetando o sistema nervoso central, essa doença viral gera principalmente o retardo mental do indivíduo.
O doente de raiva pode ser levado a morder outras pessoas, e possui hipersensibilidade a luz, reflexo, odores fortes e água (por isso é também chamada de doença hidrofóbica).
Alguns personagens ganharam fama de vampiro ao longo da história, como o cruel conde romeno chamado Vlad Tepes, que governou uma região denominada Valaquia, em meados do século XV, muito conhecido pelas punições a que submetia seus prisioneiros.
Registros contam que entre seus atos de tortura, o principal era o empalamento das pessoas, por vezes famílias inteiras.
Reza a lenda que Vlad ao anoitecer saboreava seu pão molhado ao sangue de suas vítimas.
Vlad é dono do Famoso mito do Conde Drácula, o príncipe das trevas.
Conta-se que entre seus atos hediondos, Vlad conseguiu acabar com a pobreza em 1 dia, convidando todos os miseráveis do reino para jantar, e ao chegarem, Vlad trancou-os em um local e ateou fogo.
Isabel Bathory ou Elisabete foi uma Condessa Hungara que viveu entre os séculos XVI e XVII, e também ganhou muita repercussão, devido a seus atos cruéis.
Diz-se que o notório sadismo ia desde punição a aqueles que infringiam suas regras ditadas, até sua obsessão pela beleza.
Despia seus empregados e fazia-os caminharem na neve, cobria o corpo de suas vitimas com mel e os deixava a merce de insetos...Tinha como empregados principalmente mulheres jovens.
Segundo a lenda certa vez Elisabete estava a ser penteada por uma de suas empregadas jovens. Acidentalmente esta puxou seu cabelo, e foi quando a condessa virou-se e espancou a criada.
Com sangue da jovem nas mãos Elisabete esfregou e passou ao rosto, tendo a impressão que aquele liquido viscoso lhe rejuvenescia.
Após esse incidente, ela passou a banhar-se em sangue dos seus prisioneiros.
Com isso, Elisabete ficou conhecida como "condessa de sangue"
Conta o mito dos vampiros que o personagem bíblico Caim, como punição por assassinar seu irmão Abel, foi transformado em uma criatura horrenda, imortal, que perambula pelo mundo. É dado a Caim o título de primeiro vampiro da história.
Com o passar do tempo, a superstição transferiu os vampiros para a literatura, com livros de grande sucesso como o Drácula de Bram Stoker, personagens de quadrinhos, onde acabou por ganhar uma certa fama de fofinho e bonzinho, jogos de RPG, e a gloriosa sétima arte com filmes que marcaram época, como Nosferatu na década de 20, Drácula, filmado na década de 30 e muito bem refilmado mais recentemente, Entrevista com o vampiro nos anos 90 (filme fantástico), garotos perdidos (nostálgico), e muitos outros.
Atualmente, acredito eu, os vampiros encontram-se em baixa, devido a própria adequação do contexto social ao mito, dando ao personagem um caráter mais romântico, e encobrindo toda aquela essência obscura e magnifica da própria lenda.
Nada contra adaptações, acho sim que as coisas precisam mudar, de acordo com o que o público pede, entretanto acho que isso deve ser feito de forma cautelosa, para que a tradição não se apague, e não desagrade aqueles que tanto apreciam a versão original de um personagem tão fantástico.
 Mas, como tudo possui um lado positivo, essa adaptação pode também ser vista como uma forma de incentivo a leitura pelos adolescentes.