segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Instante distante.

Chuva molha,
Chuva olha,
transborda,
escorre,
suave memória.

Chuva vem,
Molha o seco,
Molha a alma,
refresca, meu bem,
traz a calma.

Molha o verde,
escorre no chão,
de solo fértil,
desaba em vão,
gotas incertas.

Brisa leve,
ecoa o vento,
vento de chuva,
que bate suave,
e para o tempo,
transborda o momento.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Excelência em essência.

Sabor matutino,
de aroma distante,
transcendente,
paraíso inquietante.

Libertino,
ecoa o instante,
desce suavemente,
quente, deslumbrante.

Café, café,
escuro, envolvente,
amargo ou suave,
como a noite, somente.

Café,
sonho sem sono,
crença sem fé,
libertino, amante,
envolvente, deslumbrante,
café.

domingo, 24 de novembro de 2013

Do retorno (daquilo que nunca partiu).

Esse não é um post polêmico como outros que por aqui passaram.
Não, também não é a manifestação de uma opinião, ou alguma informação científica (ou não) básica, ou uma poesia escrita por alguém que apenas aprecia a arte, mas jamais se considerou um artista.
É só um amontoado de palavras, por vezes sem sentido, que representam a volta de algo que nunca partiu.
Quando o Loucura de Emergência foi criado, existia um entusiasmo que trazia a inspiração necessária para mantê-lo relativamente ativo, por alguns meses.
A verdade é que esse entusiasmo nunca se foi.
Ele sobreviveu do racionalismo manifestado e da emoção reprimida, da falta de fé e de alguma esperança que um dia trouxeram a tona a ideia de escrever em um blog.
Sobreviveu do paradoxo que a incoerência atribui a sanidade.
Dos conceitos formais, do conhecimento acumulado e da ignorância infinita.
Esse pode ser o ultimo texto do ano, ou apenas um, de inúmeros que ainda virão nos poucos dias que restam.
Pode ser que o blog fique abandonado por outros longos meses, ou que sua atividade permaneça constante.
Não importa, esse é só um texto bobo e curto, que celebra o retorno de algo que sempre esteve no mesmo lugar.

sábado, 19 de outubro de 2013

Da Atrasada Música de Quinta #14 e do Amor

O amor é algo tão estranho. É uma coisa fenomenal..
Só sabe o que é o amor quem já experimentou, quem já sentiu isso por alguém, quem sabe o que é olhar pra uma pessoa e dizer: "caraca, como eu a amo!". Até então tudo o que se sentiu por outra pessoa é mera paixão.
O amor é quando você tem o desejo de passar toda a vida ao lado de alguém, sem se importar.
O amor de verdade não enjoa, só se alimenta do convívio entre os dois seres que se amam..
A mais de dois meses eu comecei a abrir os olhos para isso e pude bater o martelo para o que meu coração estava me dizendo: eu comecei a amar!
E foi recíproco, e isso é bom!
A dois meses atrás eu pedi a Roberta em namoro, e de todas as escolhas que já fiz na vida - que diga-se de passagem foram muuuitas estúpidas - essa é sem dúvidas a que eu mais fui afortunado. Ah, quem dera eu pudesse voltar no tempo para poder ter feito isso muito mais cedo.. Cada segundo ao lado da minha gatinha vale ouro para mim, é algo que me deixa extremamente feliz!
E hoje venho até aqui para postar a música referente a quinta (17), mas que eu fiz um adiantamento para a data, a música que eu não poderia deixar de postar, pois ela traduz muuuito do que me aconteceu.. Forever (1989), da clássica banda Kiss!
Roberta: obrigado por ser a melhor namorada do mundo! Quero muito poder corresponder todo esse sentimento que você produz em mim da melhor maneira possível e tenho em você meu marco de vida, a minha grande decisão que sem dúvidas será a melhor e até meu último suspiro desejarei estar ao seu lado...
Eu te amo!
"O futuro pertence ainda mais aos corações do que aos espíritos. Amar é a única coisa que pode ocupar a eternidade. Ao infinito é necessário o inesgotável!"
Victor-Marie Hugo, Les Miserables (1865)

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Da música de Quinta #13


Nossa.. alguém ainda lê esse blog? oO
Enfim, hoje não é uma quinta feira qualquer! É uma quinta boa, muito boa: hoje Paulão e eu completamos nosso PRIMEIRO mês (de muitos que ainda virão), e já que o infeliz está longe agora, o presentearei com uma música que não.. não é minha, mas é bonita e provavelmente consegue descrever o que sinto, apesar de ser quase uma missão impossível (sai daqui, Tom Cruise!). Não é uma canção romântica daquelas clichês, mas a letra é fofa e de uma maneira ou de outra, se parece com meus estados nos últimos dias! 
Uma informação desnecessária: The Carpenters é uma de minhas bandas favoritas e sim, a música é deles "Please Mr. Postman": 

"I've been standin´ here
Waitin' Mister Postman
So patiently
For just a card
Or just a letter
Sayin' he's returning'
Home to me (...)"


Obrigada por esse mês, amor! Amo você! ♥


terça-feira, 13 de agosto de 2013

O corvo de Allan Poe

Já que o blog anda meio abandonado mesmo, nada melhor que voltar com um conto de Edgar Allan Poe! Sim, o mestre do horror, o pai das histórias de detetives (Conan Doyle me perdoe, mas Poe é fundamental: vide "Os Crimes da Rua Morgue"), o gênio malígno, o misterioso homem cuja morte foi mais misteriosa ainda: quando em 3 de outubro de 1849, o encontraram nas ruas com roupas que não o pertenciam, em estado de delírio, Poe foi levado ao Washington College Hospital, mas morreu quatro dias depois (ainda machuca...), sem saber explicar como havia chegado àquele estado! Suas últimas palavras foram: "Lord, please, help my poor soul", e até hoje não se sabe a causa de sua morte. 
Acredito que ela apenas refletiu o que Poe sempre admirou: situações estranhas, e contos bizarros. Assim surge uma lenda (ora, mas todas não surgem assim?) que continua despertando os mais diversos sentimentos (em mim, apenas despertou o prazer de uma boa leitura e a admiração por um grande homem). Seu conto "O Corvo" talvez seja o mais famoso, e com certeza, um dos melhores. Apesar de não ser o meu favorito (em breve contarei a história de um tal de Pluto pra vocês), essa é uma história de referência, e como não poderia deixar de ser, apresento "The Raven", by Poe! 

Uma meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
“Uma visita”, eu me disse, “está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais.” 

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu’ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P’ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais! 
  
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
“É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais”. 
  
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
“Senhor”, eu disse, “ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi…” E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais. 

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais. 

Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
“Por certo”, disse eu, “aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.”
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
“É o vento, e nada mais.” 

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
Foi, pousou, e nada mais. 

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
“Tens o aspecto tosquiado”, disse eu, “mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.”
Disse o corvo, “Nunca mais”. 

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome “Nunca mais”. 

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, “Amigo, sonhos – mortais
Todos – todos já se foram. Amanhão também te vais”.
Disse o corvo, “Nunca mais”. 

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
“Por certo”, disse eu, “são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp’rança de seu canto cheio de ais
Era este “Nunca mais”. 

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu’ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele “Nunca mais”. 

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo one ela, entre as sobras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais! 

Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
“Maldito!”, a mim disse, “deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!”
Disse o corvo, “Nunca mais”. 

“Profeta”, disse eu, “profeta – ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
Disse o corvo, “Nunca mais”. 

“Profeta”, disse eu, “profeta – ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Édem de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!”
Disse o corvo, “Nunca mais”.

“Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!”, eu disse. “Parte!
Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!”
Disse o corvo, “Nunca mais”. 

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
Libertar-se-á… nunca mais!

terça-feira, 30 de abril de 2013

Do mundo e sua guerra contínua

Várias vezes me encontro divagando a respeito desse mundo louco...
Onde estão todas aquelas coisas que deveriam estar aqui? 
Onde está a igualdade? Em milhões de pessoas em extrema pobreza e outras tantas "nadando em dinheiro"? Acho que não! 
Onde está a felicidade? A harmonia? Em ruas onde policiais e estudantes trocam tiros? Se agredindo verbal e fisicamente? 
Creio que não está aí!
Onde está a liberdade? Em se esconder em casa com medo de sair nas ruas e levar um tiro?
Isso é ser livre? 
Onde está toda aquela alegria que o homem deveria ter? Em mães que choram ao ver seus filhos mortos em brigas improfícuas? Em mortes de milhares de pessoas nessa situação de "guerra de todos contra todos"? 
Onde estão as coisas boas da vida? Onde estão aquelas crianças pulando amarelinha? 
Mortas! Estão mortas, sem merecerem isso! 
Mortas! 
Mortas em conflitos vãos, que demonstram claramente que os mais fortes reinam nesse nosso país!
O engraçado é que o mais forte não deveria ser quem tem mais armas ou mais mortes na manga... 
Nós deveríamos ser mais fortes que isso! 
O homem deveria abrir mão de seus ideais egoístas e enxergar o mundo como um semelhante! 
O homem deveria ver que não é assim que a vida deve funcionar!
Olhem ao redor!!!
A que ponto o homem chegou?
Creio que isso eu posso responder, e sem objeções:
O homem chegou ao ponto em que ele mesmo se destrói, sem nem ao menos perceber!
O homem chegou ao ponto em que para matar já não é mais preciso ter motivo: Pessoas morrem por sacos de bala, por Deus! Pessoas morrem por coisas idiotas, coisas banais! Onde está o sentido nisso? 
Quanto vale sua vida? Já não é mais possível responder... vidas não são mais preciosas, afinal... elas são tiradas em massa todos os dias!
Mas quem liga pra isso? 
As pessoas só irão abrir os olhos quando perderem alguém nessa guerra contínua.
Uma guerra que não terá fim!
Qual a diferença entre essa guerra em que estamos vivendo-mas tão naturalmente que nem parece uma guerra de fato- e a Segunda Grande Guerra?
É que todos nós somos "Hitlers"... embora, ao contrário do mesmo, não declaramos!
O mundo é uma bomba, que está explodindo aos poucos!