Quem nunca teve que escolher entre o certo e o errado, e no meio termo encontrou a duvida orientando-lhe a uma nova reflexão?
David enfrenta um problema.
Quando se tem 15 anos de idade, costuma-se pensar que o mundo é o problema, e tudo se transforma em revolta e injuria. Costumam chamar a isso de rebeldia adolescente.
Para David, o problema rouba um pedaço de si, algo que ele não sabe explicar o que é, mas tem certeza ser muito valioso.
Por vários dias procura por uma solução, que nem se quer sabe se existe, apenas procura.
Perdido em perguntas e respostas, David sente uma dor diferente, que martela em sua cabeça, e o leva ao choro.
Um choro diferente, um choro preocupado...
- Não sei dizer se existe uma hora apropriada para alguém chorar...mas as 4 da manhã é no mínimo estranho.
- Oi pai...
- Esta triste meu filho...
- Não.
- Quer me deixar ainda mais preocupado?
- Legal, assim dividimos problemas e preocupações...
- Não sei se quero dividir meus problemas com você.
- É, e eu não sei se quero ser mal a ponto de passar o peso de minha responsabilidade para outra pessoa.
- Do que você esta falando?
- De uma escolha...
- E a escolha certa faz de você uma pessoa mal?
- Dependendo de uma perspectiva sim...
Aliás, olhando por um lado, eu nem sei se existe uma escolha certa...
- Entendo...
- Entende???
Você nem sabe a que eu me refiro...
- Mas entendo o que quer dizer, mesmo sem ter uma noção do conteúdo de sua preocupação.
Deixe-me contar-lhe uma história.
- Pai...
- É só uma história, que talvez ajude...ou talvez apenas piore o seu estado de espirito.
- Como assim???
Você não sabe se algo vai me ajudar, e ainda assim vai fazer?
- É muito difícil dizer o que faz bem ou mal, talvez algo faça bem de inicio e depois de um tempo, a pessoa se arrepende do que fez, talvez algo faça mal, mas passe uma lição valiosa, talvez você ainda não conheça a melhor aliada sua em uma situação difícil...
- ...
- ...Bem ao longe, existe um lugar, pouco explorado pelas pessoas.
Um reino chamado Consciência.
-Pouco explorado??? ...
- Shhhh...
- Ok...
- Consciência é governado por Pensamento, um rei que já enfrentou muitas batalhas, e sempre manteve um modelo ideal de liderança.
Mas há algum tempo ele vem enfrentando uma doença, um câncer que rouba-lhe a vida aos poucos, alastrando-se e corrompendo sua moral.
De onde vem a doença que indignifica um homem poderoso?Existiria a cura ideal para um ser humano sem moral?
A rainha Razão pergunta-se aos prantos, enquanto vê Consciência, aquela terra pela qual seu marido tanto lutou, praticamente desgovernada, envolvida ao caos e a discórdia.
Para Justiça, conselheira do rei, em algum lugar do tempo pensamento perdera o controle de si mesmo, Justiça chama o câncer de ganancia, e diz isso ser algo que vai além da própria busca pela cura, algo que vem de dentro, que nasce e em um momento oportuno desenvolve-se.
Razão sempre tentou entender os ideais de Justiça, mas em algum ponto, questionava sua verdade.
Justiça tenta explicar sobre flexibilidade de ideias, mas para Razão isso vai além do que ela pode compreender.
Um jovem cavaleiro se apresenta a rainha, dizendo conhecer a origem da doença que afeta o rei.Chama a ele próprio de Sentimento, e se diz tão importante quanto Razão para colocar uma ordem em consciência, e ajudar o rei a recuperar-se do mal.
- Eu mal lhe conheço, mas já ouvi dizer de suas andanças.
- Eu viajo pelo reino, buscando pela paz que as pessoas precisam sentir.
- Não entendo de paz, desde então, veja só o mundo que estamos.
- A paz não é um objeto, pois um objeto pode-se ver e tocar, a paz se sente, lá dentro.
-Dentro de...?
- Dentro do reino, dentro das pessoas...deixou de existir a paz, quando o rei deixou de tentar entender Justiça.
- Justiça sempre foi muito apreciada pelo rei, até que começou a mostrar-se confusa, perante aos olhos dele, e aos meus, parece que seu modelo não mais se encaixa a visão do reino.
- A Justiça não se mostra evidente, mas deixa traços da verdade, a verdade que muitas vezes fingimos não ver por ser dolorosa demais, a verdade que muitas vezes eu mesmo não suporto.
- Eu jamais deixei de suportar a verdade, eu idealizo a verdade, sou mais dura do que ela.
- Então admita que precisas de mim para reconstruir o reino, e combater o mal.
- Por onde pretendes começar, caso eu aceite sua proposta?
- Por você mesmo, e depois por mim.
- Como?? Estas a dizer que vais mudar suas ideias antes de colocá-las em prática?
- Antes eu preciso conhecer você, para depois adaptar as ideias aos seus ideais, e aos meus princípios.
O rei além de Justiça, também tem a você como modelo de governo, questionando aos ideais de Justiça, você manipula a moral.
- A moral não mais existe, não há como eu manipulá-la.
- A restauração da dignidade do reino, traz de volta a moral perdida pelo rei, reintegrando seu caráter e a sua capacidade de governar.
- Estas a dizer que perdendo a moral, perde-se tudo?
- Perde-se a paz, e a ausência de paz desintegra a esperança, Consciência precisa sentir a paz, para renovar a esperança.
- Falas de Consciência como se fosse uma pessoa, és louco?
- Sua casa é a minha casa, e precisamos mantê-la limpa e tranquila, para que bem possamos viver.
- É...acho que entendo...
Que matem Sentimento e Justiça, por tentarem corromper o governo de Consciência.
E assim, sem requisitos de Sentimento, e os ideais de Justiça, Consciência é uma terra perdida, arrasada pelo mal que Razão sozinha jamais conseguiu deter.
- Pai, você me preocupa as vezes...acha mesmo que eu vou conseguir dormir após essa história maluca?
- Não é uma história para dormir, já que dentro de 30 minutos você apanhara se não estiver a caminho da escola, e sim para refletir...pense, e analise não só por um lado as coisas, pois elas não são apenas o que parecem ser ou o que queremos que elas sejam.
A consciência é aquilo que sentimos quando a responsabilidade pesa, é a verdade que martela em sua cabeça enquanto você reluta em escondê-la, são os sensos de ética e moral que formulam a educação de cada um, e a necessidade de respeito que faz de você sempre alguém melhor, resumindo, ela é o mapa mental que lhe conduz a justiça, e consequente felicidade.
- Obrigado pai...
-Vá se arrumar David...
- Não quer ouvir sobre o meu problema?
- Depois de você tomar a decisão que considera mais justa, agora vá se arrumar.
Pois é, em tempos de relativismo, a moral é sempre a primeira, mas não a última, vítima. A Justiça, a Paz, A consciência vão logo atrás. A razão, infelizmente, não as mantém sozinha. É preciso mais. A razão é só uma das asas que o espírito humano usa para alçar voo. A outra é a Fé. Sem as duas qualquer discussão sobre nossas amigas moral, consciência, justiça... entra numa espiral que o relativismo nos impõe. Para os relativistas, elas não passam de conceitos que mudam de pessoa para pessoa, de época para época, de lugar para lugar. E isso, ao contrário do que pode parecer à primeira vista, não é certo. Qualquer pessoa, se prestar a atenção e for sincera consigo mesma, será capaz de descobrir o que é certo e o que é errado, e isso nunca muda, é o que São Tomás de Aquino e uma infinidade de outros filósofos chamam de Lei Natural ou Natureza Humana, escrita pelo Altíssimo e gravada na nossa alma.
ResponderExcluirConcordo Vini, por mais racionalista que uma pessoa seja ela deve admitir que é preciso um equilíbrio interno, para manter as coisas no lugar. A própria fé tem uma base de razão, como você mesmo me disse certa vez. Conceitos como justiça, moral, ética, podem ter suas adaptações culturais, mas sempre se conserva uma essência, algo universal.
ResponderExcluirA consciência é parte da própria natureza humana, não é preciso impor o que é realmente certo, ou realmente errado para que ela funcione adequadamente.
Só discordo das duas últimas linhas...rsrsrsrs
ResponderExcluirSe não houvesse essa coerção, essa obrigação, ascoisas seriam incrivelmente caóticas. Basta olhar em volta,sabendo o que é o certo e sendo obrigadas a fazer o certo por lei, muita gente ainda escolhe o errado, consciente ou inconscientemente.
É difícil dizer isso, pois vivemos em meio a civilização, e somos educados a partir desses conceitos de certo e errado que conhecemos, entretanto, acredito eu que mesmo sem conhecer especificamente tais conceitos, teríamos uma chamada "noção natural" do que realmente devemos, ou não fazer...
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