quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Do grande silêncio e da vida extraterrena.


Você certamente já ouviu falar de pique-esconde, não? Trata-se de uma brincadeira em que o objetivo do perseguidor é encontrar os colegas, que por sua vez precisam se esconder. Em 1950, Enrico Fermi cansou de brincar.
O físico italiano estava conversando com alguns colegas e o assunto era sobre se estamos sozinhos ou não no universo, e onde estariam os "outros" que nunca apareceram? Fermi era um exímio estudioso, muito bom em deduções e extimativas. A partir de figuras e equações, começou a perceber que a ideia de que houvesse vida além do planeta azul fosse possível, seja na atualidade ou em algum tempo remoto no passado. Poderiam eles sempre terem existido, mas estão em uma espécie de brincadeira com a civilização terrestre? Caso existam, por que ainda não deram as caras?
A partir do paradoxo de Fermi, também conhecido como o Grande Silêncio, vários estudiosos começaram a procurar pistas e formular hipóteses sobre a existência de extraterrestres. O norte-americano Dr. Frank Drake é um grande exemplo desse progresso no ramo da astronomia. Drake passou a estudar sobre a possibilidade da existência de uma outra civilização no nosso sistema galáctico, baseado em valores de grandezas físicas e empíricas fundamentadas na condição de vida. Segundo a equação de Drake, não só estaríamos sós em nossa galáxia, mas como em todo o universo, confirmando hipóteses de raridade biológica. Contudo, a equação considera apenas sobre condições do conceito de vida que são impostas aos seres vivos do planeta Terra. O princípio não considera que uma forma viva possa sobreviver em ambientes inóspitos, como os demais planetas e corpos celestes da Via Láctea.
Existem também ufólogos e astrobiólogos que buscam evidências de aparições de seres e objetos vindos de outro lugar do cosmo. Casos como os reportados por vários leigos são relatados todos os anos, e isso intriga mais e mais ainda a busca por ETs. Porém, ainda não foram constatados nenhuma forma de contato.
Há ainda hipóteses bastante baseadas no ser humano. Este possui uma delimitação do universo, o seu visível. Por tanto, um ser de outro planeta além do universo visível pode ter uma condição até mesmo inferior a nossa, ou possua uma racionalidade muito superior, porém estuda o caso no seu planeta, como se fossemos seres de um zoológico. Estes são exemplos dentre inúmeras teorias que podem até parecer absurdas, porém cada uma possui seus fundamentos teóricos.
O fato é que Fermi observou que o universo é demasiado extenso para existir apenas uma civilização, e tal caso fascina vários estudiosos do mundo inteiro, que ainda não desistiram de brincar de pique-esconde com nossos supostos vizinhos interplanetários/galácticos.

Esse post foi contribuição do meu amigo, Paulo Gimenez, estudante de agronomia e fascinado por astronomia.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Da fé, e de seus conceitos.

Sob uma concepção relativista e simples, a fé é a necessidade de se acreditar em algo. Uma base de sustentação, um ponto de apoio.
Acreditar em um Deus onipotente e onipresente, é uma maneira de tornar a vida tolerável.
Questionar a existência de Deus, faz aprofundar-se em um mundo de dúvidas e incertezas.
A religião traz as respostas e concepções que a humanidade quer ter.
A existência da vida após a morte, ou possibilidade de reencarnação, a crença em um lugar onde se pague pelos erros cometidos, surtem como maneira de moralizar a sociedade, mantendo assim um equilíbrio nas ações quanto as causas e consequências das mesmas.
Mas até que ponto a religião é boa?
Não seria ela corrompida, pelo fato de a própria humanidade ser corrompida?
Analisando a história das diversas religiões, encontra-se um período obscuro e sangrento provocado pelo radicalismo que caracteriza a nossa própria espécie.
Um exemplo clássico é a igreja católica medieval (período da inquisição).
Desse radicalismo religioso, nasce um outro extremo tão radical e violento quanto. A anti-religião.
Seria a fé e a espiritualidade dependentes de sistemas de imposição e intolerância?
Existe um elo entre ciência e religião?
A ciência pode voltar os olhos ao mesmo Deus imposto na sociedade?
Cultivar a crença em Deus pode mudar o rumo do racionalismo científico, assim como também pode auxiliar na busca pela compreensão da fé, e da conciliação entre dois lados muito distintos.
O conceito de Deus e o dogmatismo variam em meio a diferentes contextos e culturas mas uma essência é conservada.
Talvez seja errôneo trabalhar a concepção de um Deus justo e misericordioso, pois isso daria margem a levantar questões sociais e naturais, de um mundo governado e corrompido pelo homem.
Talvez Deus seja um equilíbrio no sistema de leis que regem o universo.
Talvez tal questão jamais será acessível de maneira absoluta, para a capacidade de compreensão humana.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Do primeiro conto do blog.

Era o ano de tanto faz, isso não vem ao caso quando a história se passou.
A personagem central do contexto é uma garotinha de 12 anos. Seu nome era Diversidade.
Na escola, Diversidade não era muito aceita. Sofria bullying (que na época era chamado de outra coisa), e até mesmo os professores tinham certo receio da pobre menina.
Na rua, seus vizinhos e "colegas" achavam que ela não deveria se expor muito.
Seus pais, o senhor Radical e a madame Discórdia lhe deram uma educação muito rígida e por mais que desejasse, ela não conseguia deixar de ser aquilo que eles queriam que ela fosse.
A razão do caos, o berçário do preconceito e da intolerância.
Por onde passava sentia-se vigiada por pessoas que sabia que não queriam o bem dela.
A Incompreensão e a Desconfiança.
Na casa da frente moravam três simpáticos irmãos.
O senhor Respeito, a senhora Ponderada, e a mais nova e curiosa. A doce Cultura.
Cultura era da mesma idade de diversidade mas ambas foram criadas com uma base muito distinta.
Cultura era uma mescla de valores e costumes muito bem trabalhados por Respeito e suavemente justificados por Ponderada.
Sua Mãe, dona Ética Moral (ela preferia ser chamada por nome e sobrenome) já falecida, ensinou cultura até onde pode, junto dos também falecidos esposo e irmã senhor Princípio e dona Dignidade.
Os pais de cultura assim como sua tia, viveram muito e também lutaram muito para fazer desse mundo, um lugar melhor.
Cansada de muita coisa Dignidade se entregou, o que deixou Ética Moral e Princípio muito doentes de desesperança.
Quando se foram restou a Respeito e Ponderada, espelharem em Cultura as suas maiores virtudes.
E assim, baseada em valores, costumes e conceitos deixados por Ética Moral, Princípio e Dignidade, crescia Cultura.
Cultura e Diversidade nunca se entenderam muito bem.
As famílias eram muito diferentes, Cultura jamais compreendera Diversidade, e Diversidade, mesmo que sem intenção, acabava sempre magoando,de alguma forma Cultura.
Embora sua tia bastarda, a Tolerância, também houvesse participado muito de sua educação dando-lhe conselhos e ensinamentos valiosos, Cultura não entendia em que a Diversidade queria transformar aquele mundo.Não que ela fosse contra a diferença, pois Respeito e Ponderada sempre lhe cobraram o que sua tia Tolerância ensinava. Mas não concordava com a forma que as coisas eram colocadas por Diversidade.
Certa vez, Respeito e Radical se desentenderam. Não que eles se entendessem antes disso, mas a coisa tinha sido feia. Respeito manteve a classe, mas Radical foi logo impondo tudo o que pensava e da forma que queria. Queria acabar com tradições, queria arruinar tudo aquilo não entrava em sua medíocre e fechada cabeça.
Ponderada tentou intervir, mas Discórdia como sempre, continuou a plantar a semente da dúvida, a planta especial de seu jardim.
Os quatro foram detidos,  Respeito e Ponderada foram logo liberados por seus exemplares comportamentos durante o julgamento. Radical e Discórdia, foram condenados a cumprir pena em regime fechado por causarem tumulto e indignação.
Um problema restou. E Diversidade? Uma criança não poderia cuidar de si própria e não havia parentes aptos a dar-lhe uma educação de qualidade.
Respeito e ponderada, resolveram então que Diversidade ficaria com eles. De início foi estranho, e talvez até constrangedor, mas Diversidade, tinha o senhor Tempo, como melhor professor, e esse, todos os dias, todas as horas, minutos e segundos ajudava Diversidade progredir.
Cultura reconheceu um progresso rápido e preciso em sua nova amiga, e as duas foram se aproximando cada vez mais.
Hoje vivem juntas. Cultura e diversidade. Dividem os mesmos valores e conceitos, ensinados por Respeito e Ponderada. Valores e conceitos deixados por Ética Moral, Principio, e Dignidade.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Da influência que sofremos.

Existe autenticidade humana?
O que se tem de mais puro e original, é o código genético. Ele quem promove a distinção, a separação, e a menos no caso de clones naturais (ou artificiais), não existe mais uma só maneira, onde possam ocorrer pessoas geneticamente idênticas.
A espécie humana possui cerca de 27 mil genes, que codificam a maioria das proteínas do organismo, e que variam em termos de caracteres e expressão, entre as pessoas de diferentes classes, etnias, culturas...
Mas, até que ponto isso afeta a evolução dos gostos, opções e maneira de enxergar o mundo?
Existe genética também para as características ligadas a personalidade?
Sim, existe uma tendência genética ligada a personalidade, que pode definir o seu gênio e indiretamente, determinar o seu estilo e maneira de ser.
Entretanto, enquanto tendência isso pode ou não se desenvolver.
O que vale, é a influência externa que a pessoa recebe.
Existem dois conceitos básicos, trabalhados em genética. Genótipo e fenótipo.
Genótipo esta ligado a expressão gênica. As características geneticamente formadas em um indivíduo.
Fenótipo esta ligado a influência externa, no desenvolvimento das características de um indivíduo.
Algumas características gênicas, evidentemente sofrem influências do meio, como a tendência do desenvolvimento da estatura, que é afetada éla quantidade de hormônio do crescimento, produzido pela glândula hipófise, mas também pela alimentação, e prática de certos exercícios físicos. Ou a cor da pele, que é geneticamente influenciada pela quantidade de melanina, mas também pelo contato com radiação de alta intensidade, que induz a produção dessa proteína, para proteção.
Assim, características ligadas a personalidade, também sofrem influência do ambiente externo, seja esse o meio social que a pessoa integra, ambiente familiar, religião, cultura...
O desenvolvimento dos gostos, atitudes, estão ligadas ao gênio e caráter, mas também ao incentivo dos amigos, restrição religiosa, ou familiar, sociedade...
Uma pessoa não nasce gostando de matemática, ou de artes, mas o seu gênio detalhista, perfeccionista, analítico , pode aproximá-lo dessas áreas, se houver o incentivo adequado por parte da escola, e família.
Uma pessoa não nasce com opção sexual, e estilo definidos. Mas os fatores genéticos e sociais contribuem para o desenvolvimento dessas características.
Há alguns posts atrás (de concepções e divergências parte 2), discuti o termo memética, com meu amigo Paulo. A difusão de ideias e concepções ao longo do tempo contribuem para uma nova concepção de mundo, entre várias outras que existem e são aderidas pela própria influência e adaptação que sofrem.
Talvez o termo autenticidade não se encaixe perfeitamente ao perfil da espécie humana, por essa ser feita de influências.
Ou talvez as próprias influências contribuam para
a distinção das pessoas.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Da evolução humana, e do seu hábito alimentar.

Em relação ao processo de evolução humana, nos distinguimos dos mais antigos aos nossos mais recentes ancestrais, principalmente em um fator: O tamanho e formato da caixa craniana.
Isso leva a conclusão de um aumento gradativo do cérebro, chegando ao que a espécie Homo sapiens é hoje. Um ser pensante.
O aumento do cérebro teoricamente trouxe o desenvolvimento direto e indireto de certas estruturas e habilidades. Com a evolução da caixa craniana, fez-se necessário uma coluna cada vez mais ereta que comportasse um crânio maior e de formato adequado para possibilitar uma melhor observação do meio (certos crânios não seriam compatíveis a uma coluna encurvada, devido a posição dos olhos, por exemplo).
Veio assim, a capacidade do andar "bípede" (andar sobre duas patas), que gerou uma maior agilidade e precisão no deslocamento, manuseio de alimentos e, mais tarde, contribuiu para a criação e manutenção de ferramentas.
Em torno dessa discussão levanto a temática central, a partir de que momento a carne passou a ser uma fonte alimentar "essencial" para a evolução da espécie humana?
Algumas pesquisas apontam que a evolução do cérebro foi diretamente proporcional a evolução do hábito alimentar, com a obtenção de proteínas da carne que permitiram assim, o seu aumento de tamanho.
Mas, seria isso compatível com  a verdade, ou apenas um mito criado para conservar esse hábito, levando em consideração a evolução do cérebro de outros mamíferos e animais carnívoros?
E outros alimentos que também contribuem para desenvolvimento da  memória e do raciocínio, como frutas vermelhas, folhas verdes (rúcula, agrião, espinafre)?
Nos dias de hoje, o hábito de comer carne ainda pode ser visto como uma necessidade?
A presença de caninos (já evolutivamente pouco desenvolvidos) ainda explica a necessidade da carne para a espécie humana?
Não sou vegano, nem mesmo vegetariano, entretanto esses são dois estilos de vida que muito me chamam a atenção.
Em opinião, acredito que a prática em alimentar-se de carne deixou hoje de ser uma necessidade vital e tornou-se algo cultural. Talvez nunca tenha sido parte da necessidade, embora eu acredite que o hábito tenha contribuído de alguma maneira para o aperfeiçoamento da  própria capacidade racional ao longo do processo evolutivo, com a necessidade do desenvolvimento de técnicas e estratégias de caça.
Hoje a espécie humana encontra-se no grande dilema entre a necessidade de uma alimentação saudável e a tendência a uma alimentação prazerosa, mas com consequências drásticas.
A coisa pode ir muito alem da questão de alimentação saudável e passa a ter também um enfoque ético.
A expansão e crescimento incessante da criação de animais para o abatimento,acaba por tomar uma face cruel, no ponto da moral e princípios humanos.
Tomo base também para a época natalina, regada de esperança e peru assado, pernil de porco e carneiro ao molho.
Além de tudo vem a prática pecuária, ocupando cada vez mais o espaço que era antes de nossas queridas, e fundamentais florestas.
O desenvolvimento acelerado é diretamente dependente desse hábito e estilo de vida?
Diminuir a importância da carne no cardápio brasileiro afetaria impiedosamente o desenvolvimento da região norte do país?
E quanto ao radicalismo vegano? Até que ponto deve ser considerado?
Fica a dúvida e reflexão sobre um tema inconclusivo.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Da viajem literal.

Parada a mente voa,
sem sair do seu lugar.

Bem distante,
percorre quilômetros,
faz do mundo um olhar.

Pelo horizonte,
a fantasia ecoa,
e a magia faz voar.

Voa longe,
alcança a alma,
sem a pressa de voltar.

Da desilusão.

Pensei em dedicar um dia na semana também para poesias. Poderia este chamar-se "sexta poética", mas percebi que estaria padronizando demais o blog...
Fica aqui, uma poesia sobre desilusão que escrevi tempos atras.

Vento do horizonte,
que levas a pureza,
a inocência que brilhou,
onde um dia acreditei.

Mas leva para onde,
para longe com certeza,
isso é só o que restou,
Daquilo tudo que sonhei.

Sem asas agora fico,
já não posso mais voar,
mas por um dia meu amigo,
eu tentei acreditar.

Já pensei na felicidade,
como algo mais profundo,
desconhecia a gravidade,
flutuava sobre o mundo.

Hoje tenho a realidade,
já não posso mais voar,
mas por um dia meu amigo,
eu quis acreditar.