Nossa.. alguém ainda lê esse blog? oO Enfim, hoje não é uma quinta feira qualquer! É uma quinta boa, muito boa: hoje Paulão e eu completamos nosso PRIMEIRO mês (de muitos que ainda virão), e já que o infeliz está longe agora, o presentearei com uma música que não.. não é minha, mas é bonita e provavelmente consegue descrever o que sinto, apesar de ser quase uma missão impossível (sai daqui, Tom Cruise!). Não é uma canção romântica daquelas clichês, mas a letra é fofa e de uma maneira ou de outra, se parece com meus estados nos últimos dias! Uma informação desnecessária: The Carpenters é uma de minhas bandas favoritas e sim, a música é deles "Please Mr. Postman":
"I've been standin´ here Waitin' Mister Postman So patiently For just a card Or just a letter Sayin' he's returning' Home to me (...)" Obrigada por esse mês, amor! Amo você! ♥
Já que o blog anda meio abandonado mesmo, nada melhor que voltar com um conto de Edgar Allan Poe! Sim, o mestre do horror, o pai das histórias de detetives (Conan Doyle me perdoe, mas Poe é fundamental: vide "Os Crimes da Rua Morgue"), o gênio malígno, o misterioso homem cuja morte foi mais misteriosa ainda: quando em 3 de outubro de 1849, o encontraram nas ruas com roupas que não o pertenciam, em estado de delírio, Poe foi levado ao Washington College Hospital, mas morreu quatro dias depois (ainda machuca...), sem saber explicar como havia chegado àquele estado! Suas últimas palavras foram: "Lord, please, help my poor soul", e até hoje não se sabe a causa de sua morte. Acredito que ela apenas refletiu o que Poe sempre admirou: situações estranhas, e contos bizarros. Assim surge uma lenda (ora, mas todas não surgem assim?) que continua despertando os mais diversos sentimentos (em mim, apenas despertou o prazer de uma boa leitura e a admiração por um grande homem). Seu conto "O Corvo" talvez seja o mais famoso, e com certeza, um dos melhores. Apesar de não ser o meu favorito (em breve contarei a história de um tal de Pluto pra vocês), essa é uma história de referência, e como não poderia deixar de ser, apresento "The Raven", by Poe! Uma meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste, Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais, E já quase adormecia, ouvi o que parecia O som de algúem que batia levemente a meus umbrais. “Uma visita”, eu me disse, “está batendo a meus umbrais. É só isto, e nada mais.” Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro, E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais. Como eu qu’ria a madrugada, toda a noite aos livros dada P’ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais Essa cujo nome sabem as hostes celestiais, Mas sem nome aqui jamais! Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais! Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo, “É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais; Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais. É só isto, e nada mais”. E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante, “Senhor”, eu disse, “ou senhora, decerto me desculpais; Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo, Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais, Que mal ouvi…” E abri largos, franqueando-os, meus umbrais. Noite, noite e nada mais. A treva enorme fitando, fiquei perdido receando, Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais. Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita, E a única palavra dita foi um nome cheio de ais - Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais. Isso só e nada mais. Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo, Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais. “Por certo”, disse eu, “aquela bulha é na minha janela. Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.” Meu coração se distraía pesquisando estes sinais. “É o vento, e nada mais.” Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça, Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais. Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento, Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais, Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais, Foi, pousou, e nada mais. E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura Com o solene decoro de seus ares rituais. “Tens o aspecto tosquiado”, disse eu, “mas de nobre e ousado, Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais! Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.” Disse o corvo, “Nunca mais”. Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro, Inda que pouco sentido tivessem palavras tais. Mas deve ser concedido que ninguém terá havido Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais, Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais, Com o nome “Nunca mais”. Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto, Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais. Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento Perdido, murmurei lento, “Amigo, sonhos – mortais Todos – todos já se foram. Amanhão também te vais”. Disse o corvo, “Nunca mais”. A alma súbito movida por frase tão bem cabida, “Por certo”, disse eu, “são estas vozes usuais, Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais, E o bordão de desesp’rança de seu canto cheio de ais Era este “Nunca mais”. Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura, Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais; E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira Que qu’ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais, Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais, Com aquele “Nunca mais”. Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo À ave que na minha alma cravava os olhos fatais, Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais, Naquele veludo one ela, entre as sobras desiguais, Reclinar-se-á nunca mais! Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais. “Maldito!”, a mim disse, “deu-te Deus, por anjos concedeu-te O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais, O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!” Disse o corvo, “Nunca mais”. “Profeta”, disse eu, “profeta – ou demônio ou ave preta! Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais, A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo, A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais! Disse o corvo, “Nunca mais”. “Profeta”, disse eu, “profeta – ou demônio ou ave preta! Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais. Dize a esta alma entristecida se no Édem de outra vida Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais, Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!” Disse o corvo, “Nunca mais”. “Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!”, eu disse. “Parte! Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais! Não deixes pena que ateste a mentira que disseste! Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais! Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!” Disse o corvo, “Nunca mais”. E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais. Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha, E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais, Libertar-se-á… nunca mais!
Várias vezes me encontro divagando a respeito desse mundo louco... Onde estão todas aquelas coisas que deveriam estar aqui? Onde está a igualdade? Em milhões de pessoas em extrema pobreza e outras tantas "nadando em dinheiro"? Acho que não! Onde está a felicidade? A harmonia? Em ruas onde policiais e estudantes trocam tiros? Se agredindo verbal e fisicamente? Creio que não está aí! Onde está a liberdade? Em se esconder em casa com medo de sair nas ruas e levar um tiro? Isso é ser livre? Onde está toda aquela alegria que o homem deveria ter? Em mães que choram ao ver seus filhos mortos em brigas improfícuas? Em mortes de milhares de pessoas nessa situação de "guerra de todos contra todos"? Onde estão as coisas boas da vida? Onde estão aquelas crianças pulando amarelinha? Mortas! Estão mortas, sem merecerem isso! Mortas! Mortas em conflitos vãos, que demonstram claramente que os mais fortes reinam nesse nosso país! O engraçado é que o mais forte não deveria ser quem tem mais armas ou mais mortes na manga... Nós deveríamos ser mais fortes que isso! O homem deveria abrir mão de seus ideais egoístas e enxergar o mundo como um semelhante! O homem deveria ver que não é assim que a vida deve funcionar! Olhem ao redor!!! A que ponto o homem chegou? Creio que isso eu posso responder, e sem objeções: O homem chegou ao ponto em que ele mesmo se destrói, sem nem ao menos perceber! O homem chegou ao ponto em que para matar já não é mais preciso ter motivo: Pessoas morrem por sacos de bala, por Deus! Pessoas morrem por coisas idiotas, coisas banais! Onde está o sentido nisso? Quanto vale sua vida? Já não é mais possível responder... vidas não são mais preciosas, afinal... elas são tiradas em massa todos os dias! Mas quem liga pra isso? As pessoas só irão abrir os olhos quando perderem alguém nessa guerra contínua. Uma guerra que não terá fim! Qual a diferença entre essa guerra em que estamos vivendo-mas tão naturalmente que nem parece uma guerra de fato- e a Segunda Grande Guerra? É que todos nós somos "Hitlers"... embora, ao contrário do mesmo, não declaramos! O mundo é uma bomba, que está explodindo aos poucos!
E só pra não passar em branco, lanço aqui a música de quinta, com o magnífico Johnny Cash! A música a seguir faz jus ao apelido do mestre: Homem de Preto, e mais do que isso a letra é uma crítica aos tipos de "lutos" que fazemos todos os dias! ENJOY! "Eu visto pelo velho doente e solitário, Pelos descuidados que se tornaram frios por causa de uma péssima experiência Eu visto preto em luto pelas vidas que poderiam existir, A cada semana perdemos cem bons homens jovens"
Todos sabemos que a desigualdade entre o que é ser mulher e ser homem existe, e acaba virando uma dominação entre gêneros. Há um tratamento de sociedade machista desde que somos crianças. Quando um pai presenteia sua filha de dez anos com uma cozinha de boneca, por exemplo, o que isso significa? Pode simplesmente significar que a garota gosta de brincar de casinha.. mas isso indica também, que a garota está sendo preparada para a vida doméstica, ou seja, uma dona do lar.
A Barbie é outro exemplo disso.. A popular boneca, aparece sempre com profissões diferentes, tais como professora de criancinhas, babá, manicure, veterinária, cozinheira, telefonista, secretaria.. E o padrão: todos esses trabalhos são orientados para mulheres: cuidar e educar crianças, atender telefone, cozinhar, limpar, se manter bonita, trabalhar para um homem. É isso que querem para as mulheres: que fiquem em casa cuidando de seus maridos, limpando, e educando seus filhos. É esse o papel social que querem para nós. A típica família burguesa, com o homem sempre no centro da família, e a mulher submissa, apenas cuidando do lar! Na década de 50, a mulher era retratada como impecável, as unhas bem feitas, o cabelo sempre arrumado, as roupas sempre limpas e lindas.. Isso reforçava a ideia de mulher-objeto ou sexual, ou de exploração no trabalho. A mídia aproveitava e procurava mostrar o corpo da mulher perfeita como atrativo para o consumo, o capitalismo sabe como conseguir consumidores... O homem é retratado sempre acima da mulher, sempre com um olhar fiscalizador: "ela está fazendo direito?" Na década de 60 há uma revolução sexual, onde a mulher já não é mais tão submissa assim, mas ainda é vista como um objeto. Mulher trancada em casa, cujo objetivo principal é casar, sempre com homens mais velhos... Na década de 70, ocorre a revolução feminista. A mulher é mais independente, é vista já em pé de igualdade com o homem, não sendo mais ligada à casa. Mas ainda assim, a mulher não podia envelhecer, então surgem os produtos de cosmética. No trabalho, a mulher antes se vestia e às vezes até agia, como homens, e agora há uma inversão nisso, a mulher mostra sua feminilidade, a mulher tem que ser mulher! Muda a relação com seu próprio corpo... O que antes era dos homens, objetos sexuais, agora pertence às mulheres, seu corpo agora é realmente seu, por exemplo, surgem movimentos como "yo tengo derecho sobre mi cuerpo", que reivindicam o direito de abortar! Deu para perceber algumas mudanças, é claro, mas ainda hoje há preconceitos contra as mulheres, recebendo menos que os homens na mesma profissão, ainda são muitas as mulheres que não trabalham fora, que vivem para seus maridos e seus filhos.. ainda hoje, há mulheres que apanham de seus conjugues ou apenas de namorados, ainda hoje, há um enorme desrespeito contra mulheres. Na política, no entanto, não podíamos nem sequer votar.. agora, a presidente do Brasil, Dilma, prova que ainda há esperanças para as mulheres que querem se aventurar na vida política do país. Mas mesmo assim, Dilma remete há décadas passadas, porque nota-se claramente que ela não é uma mulher muito feminina. O que é compreensível, uma vez que para ser mais respeitada, a mulher deve se parecer com um homem e agir como tal. Errado? Sim, absolutamente! Mas é assim que é.. por enquanto, porque apesar de tudo a mulher evoluiu e continuará evoluindo ao longo das décadas.
A música dessa semana é da banda de metal armeno-americana System of a Down. O SOAD é muito conhecido por suas canções pesadas com letras marcantes, que usam da crítica social para expressar suas lamentações com o governo norte-americano. É bastante interessante seu ponto de vista, e também uma ótima melodia pra quem é adepto do movimento metal.
Peço desculpas pela falta de tempo para fazer postagens no blog e só aparecer pra deixar aqui algumas canções. Estou passando por alguns momentos de dedicação aos estudos e espero poder voltar a escrever alguns artigos quando possível. Mas, por menos ainda possuímos as ótimas ideias do jovem Flávio para nos entreter nesse bróguito bacana.
Pessoas, peço desculpas por ter novamente deixado passar a Quinta sem música no Blog, e peço ainda mais desculpas pelo período que esse blog tem passado sem postagens. O tempo realmente agora ficou escasso, infelizmente. Mas prometo, assim que puder voltarei com contos (que já tenho um prometido), textos reflexivos e temas onde a polêmica abre espaço para infindáveis discussões.
Deixo hoje com vocês o que na minha opinião é uma das melhores bandas que esse país já teve.
Engenheiros do Hawaii é uma banda de rock alternativo/progressivo gaúcha dos anos 80, e que atingiu o auge nos anos 90 com a melhor formação da banda, com Augusto Licks (Guitarra), Carlos Maltz (bateria), Humberto Gessinger (vocal e contrabaixo).
Desde a formação em 1984, a banda passou por diversas mudanças, e em meio a elas, o único membro original que permanece até os dias de hoje é Humberto Gessinger.
Os primeiros integrantes se conheceram na faculdade de arquitetura da UFRGS nos anos 80, e o nome da banda foi inspirado em uma ironia aos estudantes de engenharia, do qual a banda tinha certa rivalidade, que iam para a aula com bermudas surfistas.
Deixo com vocês essa canção chamada "A revolta dos Dândis 2", continuação de uma música que coloca, na minha opinião, mais ou menos a filosofia de Sartre, onde a existência acaba precedendo a própria essência das coisas.
Ou seja, a rotina, o cotidiano, fazem da própria existência algo mecânico, nos tirando assim a capacidade de análise e percepção profunda das coisas (tudo é igual quando se pensa em como tudo deveria ser, há tão pouca diferença e tanta coisa a fazer), o tempo escasso nos rouba ideais (nossos sonhos são os mesmos há muito tempo, mas não há mais muito tempo pra sonhar).
Por hora ficarei por aqui, pois a mim também o curto espaço de tempo afeta, infelizmente.
Espero que gostem.