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quinta-feira, 28 de março de 2013

Da Evolução da Mulher

     
     Todos sabemos que a desigualdade entre o que é ser mulher e ser homem existe, e acaba virando uma dominação entre gêneros. Há um tratamento de sociedade machista desde que somos crianças. Quando um pai presenteia sua filha de dez anos com uma cozinha de boneca, por exemplo, o que isso significa? Pode simplesmente significar que a garota gosta de brincar de casinha.. mas isso indica também, que a garota está sendo preparada para a vida doméstica, ou seja, uma dona do lar.

     A Barbie é outro exemplo disso.. A popular boneca, aparece sempre com profissões diferentes, tais como professora de criancinhas, babá, manicure, veterinária, cozinheira, telefonista, secretaria..
     E o padrão: todos esses trabalhos são orientados para mulheres: cuidar e educar crianças, atender telefone, cozinhar, limpar, se manter bonita, trabalhar para um homem. É isso que querem para as mulheres: que fiquem em casa cuidando de seus maridos, limpando, e educando seus filhos. É esse o papel social que querem para nós. A típica família burguesa, com o homem sempre no centro da família, e a mulher submissa, apenas cuidando do lar!
     Na década de 50, a mulher era retratada como impecável, as unhas bem feitas, o cabelo sempre arrumado, as roupas sempre limpas e lindas.. Isso reforçava a ideia de mulher-objeto ou sexual, ou de exploração no trabalho. A mídia aproveitava e procurava mostrar o corpo da mulher perfeita como atrativo para o consumo, o capitalismo sabe como conseguir consumidores...
     O homem é retratado sempre acima da mulher, sempre com um olhar fiscalizador: "ela está fazendo direito?"
     Na década de 60 há uma revolução sexual, onde a mulher já não é mais tão submissa assim, mas ainda é vista como um objeto. Mulher trancada em casa, cujo objetivo principal é casar, sempre com homens mais velhos...
     Na década de 70, ocorre a revolução feminista. A mulher é mais independente, é vista já em pé de igualdade com o homem, não sendo mais ligada à casa.
Mas ainda assim, a mulher não podia envelhecer, então surgem os produtos de cosmética. No trabalho, a mulher antes se vestia e às vezes até agia, como homens, e agora há uma inversão nisso, a mulher mostra sua feminilidade, a mulher tem que ser mulher!
     Muda a relação com seu próprio corpo... O que antes era dos homens, objetos sexuais, agora pertence às mulheres, seu corpo agora é realmente seu, por exemplo, surgem movimentos como "yo tengo derecho sobre mi cuerpo", que reivindicam o direito de abortar!
     Deu para perceber algumas mudanças, é claro, mas ainda hoje há preconceitos contra as mulheres, recebendo menos que os homens na mesma profissão, ainda são muitas as mulheres que não trabalham fora, que vivem para seus maridos e seus filhos.. ainda hoje, há mulheres que apanham de seus conjugues  ou apenas de namorados, ainda hoje, há um enorme desrespeito contra mulheres.
     Na política, no entanto, não podíamos nem sequer votar.. agora, a presidente do Brasil, Dilma, prova que ainda há esperanças para as mulheres que querem se aventurar na vida política do país. Mas mesmo assim, Dilma remete há décadas passadas, porque nota-se claramente que ela não é uma mulher muito feminina. O que é compreensível, uma vez que para ser mais respeitada, a mulher deve se parecer com um homem e agir como tal.
     Errado? Sim, absolutamente! Mas é assim que é.. por enquanto, porque apesar de tudo a mulher evoluiu e continuará evoluindo ao longo das décadas.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Da (novamente atrasada) Música de Quinta #10.

Pessoas, peço desculpas por ter novamente deixado passar a Quinta sem música no Blog, e peço ainda mais desculpas pelo período que esse blog tem passado sem postagens.  O tempo realmente agora ficou escasso, infelizmente. Mas prometo, assim que puder voltarei com contos (que já tenho um prometido), textos reflexivos e temas onde a polêmica abre espaço para infindáveis discussões.
Deixo hoje com vocês o que na minha opinião é uma das melhores bandas que esse país já teve.
Engenheiros do Hawaii é uma banda de rock alternativo/progressivo gaúcha dos anos 80, e que atingiu o auge nos anos 90 com a melhor formação da banda, com Augusto Licks (Guitarra), Carlos Maltz (bateria), Humberto Gessinger (vocal e contrabaixo).
Desde a formação em 1984, a banda passou por diversas mudanças, e em meio a elas, o único membro original que permanece até os dias de hoje é Humberto Gessinger.
Os primeiros integrantes se conheceram na faculdade de arquitetura da UFRGS nos anos 80, e o nome da banda foi inspirado em uma ironia aos estudantes de engenharia, do qual a banda tinha certa rivalidade, que iam para a aula com bermudas surfistas.
Deixo com vocês essa canção chamada "A revolta dos Dândis 2", continuação de uma música que coloca, na minha opinião, mais ou menos a filosofia de Sartre, onde a existência acaba precedendo a própria essência das coisas.
Ou seja, a rotina, o cotidiano, fazem da própria existência algo mecânico, nos tirando assim a capacidade de análise e percepção profunda das coisas (tudo é igual quando se pensa em como tudo deveria ser, há tão pouca diferença e tanta coisa a fazer), o tempo escasso nos rouba ideais (nossos sonhos são os mesmos há muito tempo, mas não há mais muito tempo pra sonhar).
Por hora ficarei por aqui, pois a mim também o curto espaço de tempo afeta, infelizmente.
Espero que gostem.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Da alternativa de Pascal em crer em Deus

Em muitas vezes existe um certo conflito entre ciência e religião no que se refere a existência ou não de uma uma entidade suprema que faz parte do modo de vida universal, desde a criação do universo até o fim dos tempos. Por um lado as evidências científicas indicam que o universo e a vida surgiram por teorias diversas que sempre remontam a bilhões e milhões de anos atrás, respectivamente. Tal fato contradiz as teorias criacionistas, como por exemplo a famosa história bíblica do livro Gênesis, do surgimento do mundo e dos animais em sete dias e da vida de Adão e Eva, por onde toda a humanidade surgiu.

Mas além do "alfa", existem também muitas especulações quanto ao "ômega". Na crença popular, após uma vida de dedicação as doutrinas religiosas uma pessoa ganha o direito de viver eternamente no reino dos céus, ou reencarnam em uma forma de vida relativa ao seu comportamento na vida anterior. Existem várias vertentes quanto a isso, de maneira que a maioria das crenças ocidentais é baseada na vida eterna, enquanto que as crenças orientais são mais voltadas ao princípio da reencarnação. Assim sendo, as primeiras são baseadas numa forma de vida linear, onde o reino de Deus é atingível (como o cristianismo e o judaísmo) e as orientais é baseada na forma de transição cíclica, onde as divindades são inatingíveis (como o budismo e o hinduísmo).

Pelo princípio da maior religião, que é o cristianismo, muitas pessoas se apegam a um dogma de vivência segundo os mandamentos de Deus passados aos seguidores de Cristo muito antes de seu nascimento por Moisés do Egito (Bíblia - livro Êxodo) e também aos ensinamentos do Filho, que foi o messias ou, em uma visão sabelianista o próprio Deus vivo que demonstrou a um grupo de discípulos como as pessoas deveriam agir para poder ascender ao reino dos céus após a morte. Esse grupo de discípulos e as escrituras sagradas fizeram parte da disseminação da ordem que hoje prolifera grande parte do mundo, a chamada Tradição Divina.

Em termos científicos, ao fim da vida o metabolismo cessa e consequentemente todas as funções corporais acabam, dando fim a vida ali, de maneira irreversível e plena. Porém não existem indícios de que a partir disto exista atividade extra corpórea, visto que esse é um assunto que a ciência não consegue explicar e fica fora de mão o uso da sua base mais fundamental, que é o experimento em si.

O físico e filósofo francês Blaise Pascal porém possuía uma tendência de pensamento que reunia as duas bases de pensamento, científica e criacionista. Utilizando dos seus princípios matemáticos de probabilidade, Pascal afirmava no seu livro Pensamentos (Pensées) que acreditar em Deus seria uma alternativa mais vantajosa do que não acreditar, ou seja, apostar que Deus existe é melhor do que apostar que Ele não exista. Segundo esse princípio, Pascal pensava na atribuição de valores, como segue:

- Se uma pessoa vive sem acreditar em Deus, e Ele não existir, ela morre certa, porém imparcial;
- Se a pessoa não acredita em Deus, e Ele de fato existir, ela morrerá errada e terá uma grande perda;
- Se a pessoa acredita em Deus, e Ele não existir, ela morrerá errada, porém imparcial;
- Se a pessoa acredita em Deus e Ele existir, ela morrerá certa e terá um grande ganho.

Pascal era teólogo e matemático também, e por tal afirmava que, em conclusão a sua tese, a probabilidade de Deus existir é em suma a mesma de não existir, porém as consequências favorecem a quem Nele acredita, ou seja, é mais vantajoso "apostar" na Sua existência.

Apesar disto, Pascal ali não considera a fé como uma vertente, o que é o princípio da base teológica, sendo a fé a crença em algo abstrato, apenas baseada na Tradição Divina e cultura em geral passada de geração em geração. Na verdade, o princípio de Pascal é basicamente uma "fé artificial", baseada inteiramente nas bases bíblicas da crença ou descrença que acarreta na vida eterna ou punição, respectivamente integradas as bases lógicas e matemáticas da probabilidade.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Do veganismo e de seus ideais.

Esse foi um tema parcialmente abordado em dois posts não específicos (da evolução humana e do seu hábito alimentar, da vivisecção e das pesquisascom animais em laboratório), não sou vegan mas atendendo a um pedido especial, vou agora falar sobre esse estilo de vida pelo qual tenho bastante simpatia.
A carne é uma verdadeira necssidade em nosso quadro alimentar?
Essa é uma questão de difícil resposta, visto que o hábito alimentar humano é extremamente diversificado.
Baseado nos costumes de determinadas regiões, chego a dizer que a carne deixou de ser uma necessidade e hoje é algo mais complexo do que isso, esta ligado ao aspecto cultural de um povo.
Tão verdade isso, que certas culturas abstem-se de carne de algumas espécies animais, por venerá-las como intercessores de Deuses.
Certas tradições não se permitem a ingestão de animais, pelos mesmos serem capazes de sentir dor.
Por outro lado, outras culturas estendem dentro de seu costume uma culinária incrementada com grande diversidade de animais, formando pratos exóticos e típicos.
A alimentação em termos gerais acaba por tomar um sentido prazeroso, e ai torna-se envolvida não só por questões relacionadas a saúde e qualidade de vida, mas também por dilemas éticos e morais que fazem parte do nosso cotidiano.
Até onde vai a luta pelos direitos animais?
O veganismo é uma filosofia de vida que por si só, preocupa-se com isso.
A palavra vegan vem de vegetariam.
Mas não basta abster-se de carne, o vegan mergulha mais fundo.
O vegan condena a utilização de animais em laboratório para fins de pesquisa.
É claro que isso foi crucial para o desenvolvimento e evolução de diversas áreas da ciência, como a área médica, mas é fato que nos dias de hoje, novas fontes alternativas para pesquisa devem ser estudadas.
Com isso, grande parte dos vegans não usam nenhum tipo de medicamentos, por saberem que em grande parte são testados em cobaias.
O que para muitos isso pode parecer um radicalismo imprudente, para eles é parte de sua própria luta pelo que idealizam.
Essa repulsa pela utilização de animais para pesquisa, esta muito ligada a rejeição ao especismo, palavra que designa a atribuição de valores diferentes a diferentes espécies animais.
Com base no conceito de especismo, a espécie humana estaria no ápice dessa atribuição de valores, tendo assim a vida humana maior importância do que a vida de qualquer outra espécie animal.
Condena-se também a criação de animais para o abatimento.
Faz-se pensar na ética existente em tal prática, e até mesmo no próprio especismo falado anteriormente, e muito repudiado pelos vegans.
A prática de criação de animais para o abatimento também possui uma problemática ambiental.
A pecuária exige a retirada de uma considerável porção de mata nativa, o que leva a um dos maiores problemas ambientais decorrentes em nosso querido Brasil.
A redução da área de florestas, importantes controladoras climáticas nos continentes, devido ao processo de evapotranspiração, emissoras de gás oxigênio para a atmosfera, inibidoras da contaminação da água de rios, lagos, lagoas...
Uma grande porção de área que já se tem para a pecuária no país esta em mal condição de uso, o que se leva a pensar que não é mais necessário o desmatamento para a realização da prática, e sim a melhor utilização da área já existente.
Entra assim a ideia da sustentabilidade, que muitas vezes confronta com o modelo de desenvolvimento de determinadas regiões, como o norte brasileiro que baseia-se principalmente na prática pecuária e extração de madeira.
Durante muito tempo, o veganismo e o hábito de alimentar-se de carne vem geram discussões e alguns mitos acabam por ser formados e estruturados no contexto cultural.
Acredita-se que desde que os ancestrais antrópicos estabeleceram a carne dentro da dieta, o trabalho do cérebro passou a se mostrar mais eficaz, e a evolução da estrutura do órgão acelerou, devido a presença de proteínas e nutrientes específicos da carne.
Mas levando em consideração a evolução do cérebro de outros mamíferos e animais carnívoros, seria isso compatível com a realidade? 
Acredita-se que o hábito de alimentar-se de carne contribuiu para a evolução do raciocínio lógico, com o desenvolvimento de técnicas e estrategias de caça e captura de animais, e quanto a isso acredito eu existir uma verdade. 
Mas do lado vegan também existem extremos, como a informação de que uma dieta baseada em carne e alimentos de origem animal aumenta a probabilidade da ocorrência de doenças degenerativas.
Sabe-se que o consumo de carne jamais foi um fator isolado, no que se refere a problemas como obesidade, aterosclerose, hipertensão...
A carne com certeza é uma importante fonte de nutrientes para o bom funcionamento do organismo, formação e estruturação de tecidos, e afastá-la de sua dieta pode trazer problemas como anemia, já que o ferro M encontrado principalmente na carne bovina é de mais fácil absorção pelo organismo do que o ferro encontrado nos vegetais. 
A substituição da carne bovina por certas leguminosas como o feijão é uma das maneiras vegan de suprir a necessidade do organismo pelo ferro. 
A vitamina B12 é também um nutriente de grande peso na carne como boi, peixe, ostra e produtos de origem animal como leite e ovos. 
Em vegetais ela pode ser encontrada principalmente em criações orgânicas, com alguma associação a microorganismos que secretam a vitamina, e cereais.
A carência da vitamina B12 pode principalmente levar a anemia e a problemas nervosos irreversíveis.
Para vegans, as fontes de vitamina B12 são principalmente cereais fortificados com vitamina B12, leite de soja fortificado e alimentos com glutem para simular a carne fortificados.
Além desses, é importante também a atenção a alimentos que contribuem para o aperfeiçoamento da memória e do raciocínio, como frutas vermelhas, folhas verdes (agrião, espinafre, rúcula)...
Uma dieta vegan equilibrada em cereais, grãos, nozes, frutos e vegetais é rica em carboidratos, omega-6,  fibra dietética, carotenóides, ácido fólico, vitamina C, vitamina E, e magnésio.
Um vegan pode levar a vida com boa qualidade, equilibrando uma dieta saudável.
Existe com certeza um grande extremismo, entro da filosofia de vida vegan, o que torna a questão polêmica, pois em grande parte gera-se um ativismo que confronta os ideais de modelo capitalista de desenvolvimento.
Não quero aqui deixar uma imagem hipócrita de minha pessoa, já que disse no início do texto que não sou vegan, apenas quero constatar a importância da luta por ideais, para mudar ao menos uma parte do mundo em que vivemos.

Fonte: Projeto Araribá. Ciências 7 série, São Paulo: Editora moderna, 2006

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Do conto principal.


Existe uma maneira correta de utilizar-se da capacidade de raciocínio?
Esse tema já foi abordado em alguns posts (do uso correto da razão, do raciocínio antrópico e do seu legado, do falso senso crítico contemporâneo...), mas, atendendo um pedido especial, tentarei falar agora em forma de conto.

Há muitos anos, a dúvida vem a ser o empecilho existencial, ou a chave mestra para a evolução do pensamento.
Dependente de perspectivas, ela é subitamente condenada, e absolvida pela própria razão da busca por um conhecimento absoluto.
Mas se existe um conhecimento absoluto, estará ele algum dia acessível a nossa limitada capacidade de desvendar?
A história que quero contar reenquadra alguns personagens dos contos anteriores.

Há bilhões de anos atrás, surgiu das substâncias orgânicas na água que se acumulava no planeta, uma divindade.
Chama-se Vida.
A Vida iniciou um processo lento e contínuo, e deu a ele o nome de evolução.
Evolução é a maneira com que Vida lida com as transformações, e com o desenvolvimento que as suas obras sofrem no decorrer do tempo.
Mas a evolução, que jamais parou, deu a luz a duas garotas.
De início veio a Razão.
Curiosa, a Razão mostrava o interesse que obra nenhuma de Vida havia apresentado até então.
Daquela preocupação infindável sobre os misteriosos processos de Vida, logo nasceu uma irmã que caminharia para sempre ao seu lado.
Deu-se a ela o nome de Dúvida.
Manipuladora, Dúvida sempre deixara Razão confusa quanto a sua própria necessidade de compreender.
Da necessidade de compreensão, evoluiu o Pensamento, e para Dúvida as respostas deveriam começar a surgir a partir dai.
Razão pressionada por Dúvida questionou Vida enquanto divindade, e o modelo de compreensão universal agora se dividia em diferentes perspectivas.
Com isso sistemas complexos de crenças se formavam.
Assim nasceram  correntes filosóficas, cada qual estimulando Razão a novas formas de análise da realidade.
Assim nasceram culturas, englobando diferentes concepções da realidade e fazendo-as hábitos e costumes restritos.
Com essa expansão de conhecimentos, Razão passou a acumular valores e guardar princípios em um local a que chamava de consciência.
Vida percebeu que da manipulação da realidade surgira a discórdia, um mal que assola o mundo  trazendo o caos.
Cansada, Vida coloca Dúvida em julgamento, sob acusação de corromper Razão e manipular a realidade que um dia havia sido uma só.
- Estas sob minha acusação de ter corrompido a ingênua Razão, e partido a realidade em diferentes pontos de vista.
 Tu tens seu direito de defesa, e será exilada do meu sistema existencial se condenada pelo que julgo correto.
- Tu julgas?
Que interessante.
Uma divindade julga.
Antes responda-me que queres dizer quando fala em correto.
- Julgo pois sou autoridade maior.
A divindade que trouxe ti ao mundo.
Julgo pois sei o que corrompe esse mesmo mundo, que um dia teve paz.
...
- Não questionei a paz, eu questionei o correto.
Paz bem sei que se encontra no equilíbrio.
Agora, e o correto?
- As ações que se seguem para recobrar a paz.
- Ações para recobrar a paz...interessante.
E de que paz tu falas?
Razão levanta-se atordoada:
- Estas a me confundir ainda mais, irmã.
Disseste conhecer a paz, e agora questiona-a?
- Conheço eu a minha paz.
A sua já não sei,
Vida? Pouco sei também o que é para si a paz.
Razão senta-se e Vida interrompe o silêncio que envolve o “tribunal” por alguns segundos:
- Relativista você, Dúvida cruel, divide conceitos e corrompe o significado moral das coisas.
-Significado moral...?
Pare, irmã (Razão, inquieta, mais uma vez levanta-se), quero apenas compreender e não criar novas concepções para o que já existe.
- Talvez seja o relativismo o melhor caminho para que conheça sua própria verdade, Razão.
Surgi de ti.
De sua necessidade de encontrar, de sua curiosidade...
Vida interrompe:
- Surgiu de ti?
Eu sou a divindade!
Eu as criei!
Eu as coloquei no mundo.
São parte dos resultados da evolução.
- Mas desde que veio Razão, tu sentiu-se ameaçada pela capacidade de análise, pela curiosidade que mostrava-se liberta das concepções que criaste para explicar o mundo.
Sou resultado do processo a que chamas de evolução, mas além disso, sou o fruto que se formou da planta que Razão semeou.
Irrompe em raiva Razão:
- Tu perturba meu estado com o que proclamas.
Já não sei se o certo existe, e se o justo é o digno.
Já não sei em que acredito, e a consciência brota valores que nem mesmo sei de onde vieram.
Preferiria eu continuar a não saber de outras perspectivas.
- Questionando tu cultivara o que queres entender.
Saciará sua vontade de ir além do que sua observação permite chegar.
Irás então, em busca do esclarecimento.
- É necessário que Razão saiba lidar com sua capacidade, diz então Vida.
És necessário que deixes com que Razão reconstrua o seu equilíbrio.
O que tens vós a dizer sobre o esclarecimento?
- Razão estimulada a perguntas, vai um dia encontrar a sua verdade, e encontrando a sua verdade, encontrará o seu equilíbrio, e a paz que procura.
É o que faço com as suas obras contemporâneas, oh Vida.
Permito-as irem além do que tu permitiu que entendessem.
Tiro-as do estado de alienação que lhes era imposto.
Isso é buscar o esclarecimento preciso.
- Falas como se me fizesse o bem, tirando-me do que antes eu achava saber. Retorna Razão.
- Se não lhe faço bem agora, é por que lhe era comodo demais apenas consentir com as explicações que   foram dadas.
Mas comodismo não é a paz, e nem mesmo o equilíbrio que necessitas.
És ele apenas uma ilusão, uma maneira mais fácil de aceitar e achar-se mecânico quanto a complexidade das coisas.
- E desde quando isso mostra-se mal? Interroga  Vida.
- Desde que não se conhece o propósito real das coisas.
Desde que não exista o interesse por aquilo que lhe envolve.
Desde que não demonstremos o fascínio pela descoberta.
Ser isso, é ser mecânico.
Ser isso é ser preso, é restringir-se a um sistema que não se conhece.
- Dúvida, tu quebra o código moral, falando de coisas assim.
Minhas obras mais novas, hoje dividem-se em diferentes linhas de conhecimento.
A moral não é mais uma só, ela muda conforme os valores cultuados por um grupo.
- A moral se adéqua a diferentes linhas do saber que hoje existem, mas existe uma base inalterável nela, mesmo entre grupos diferentes.
- Questionando, tu trouxe ao mundo a garota que em crise encontra-se perdida.
- Chamo ela de Existência, e se tu não sabe a Razão já começava a semeá-la.
- Então condeno-te a caminhardes ao lado de Existência eternamente, mesmo tu sendo para ela um empecilho.
Ela buscará respostas, e tu, mesmo rejeitada não a deixara.
Razão aprenderá a utilizar-se de sua capacidade, e encontrar o seu equilíbrio para organizar o espaço a que tanto chama de consciência.
Razão agora terá que aprender a lidar com esse conhecimento relativista que tu impôs.
- E como lidarei eu com esse conhecimento?
O silêncio se refez, e após algum tempo Dúvida tomou a palavra.
- Tu governará consciência junto de Pensamento.
Tu serás facilmente corrompida, se não tiver o pulso que precisa para governar, mas também será corrompida se abusar de sua capacidade e rejeitar certos auxílios valorosos.
- De que tu falas?
- Saberás, se acontecer.
- Mas então deverei cuidar para que não me manipulem, e deverei deixar que me manipulem?
- Deverás deixar que auxiliem o seu governo isso não é uma forma de manipulação.
Manipular você também irá ao rei, e vos tirará a moral se não cuidar de sua capacidade adequadamente.
- E como me utilizarei adequadamente de minha capacidade?
Tens o que precisa.
Basta abrir a mente.
...
- Chega o Dúvida maldita, estas condenada ao exílio. Caminharás junto de Existência. Diz Vida intolerante e esgotada.
Dúvida hoje caminha junto de Existência, que precisa encontrar o sentido que considera absoluto.
Existência só encontrou a forma correta de sua busca depois que aprendeu a lidar com Dúvida, que mesmo rejeitada, continua ao seu lado.
Existência entendeu assim a paz quando encontrou a felicidade, que lhe mostrou o equilíbrio.
Vida involuntariamente não permitiu que Razão aprendesse a lidar corretamente com a sua capacidade, e esso foi o princípio do caos que indignificou consciência aos poucos.

A dúvida é necessária para a compreensão das coisas.
É a saída de emergência existente em um sistema organizado.
Mas ao mesmo tempo, a semeadora da discórdia, e propagadora caótica se não trabalhada dentro de um equilíbrio.
A razão é só um dos quesitos necessários para a consciência estabelecer esse equilíbrio moral humano.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Da pena de morte em um modelo de justiça.

Registros contam que há mais de 2400 anos atrás, existiu um ateniense conhecido como Sócrates.
Sócrates foi condenado a morte por “corromper” os jovens, questionando a cultura grega da época, em especial os Deuses cultuados, e assim, abrindo espaço para a dúvida e uma visão mais racionalista sobre o mundo.
Cerca de 400 anos depois, registros contam o nascimento de um israelita chamado Jesus Cristo, que dizia ser o filho de Deus, e teria vindo ao mundo para salvar a humanidade dos pecados.
Jesus teria sido torturado e crucificado pelos romanos por volta do ano 33.
Alguns séculos mais tarde com a difusão do cristianismo principalmente na região européia veio um período denominado idade média, que se caracterizou pelo nascimento de uma instituição radical e manipuladora.
Ao longo desse período surgiu a inquisição europeia, que chamava de herege aquele que questionava o padrão e os ideais de pensamento estabelecidos pela igreja e pelo estado, de modo que condenava a tortura ou (e) a mrte aqueles que praticavam a heresia.
Nesse período o racionalismo científico foi extremamente restrito, só voltando ao auge séculos mais tarde, com um movimento denominado iluminismo, também conhecido como era da razão.
A pena de morte existe desde a antiguidade, como forma de punição aquilo que consideravam crimes hediondos para a cultura e a sociedade, como a traição ao sistema.
Atualmente ela é parte do modelo de justiça de alguns países, para punir crimes como assassinatos.
Com base nisso, levanto as seguintes questões:
A pena de morte, pode estatisticamente mostrar “bons” resultados em países desenvolvidos, mas teria ela o mesmo efeito em qualquer parte do mundo?
Pode-se chamar de “justiça” o direito do estado de punir com a morte um criminoso?
O que é a tão falada justiça?
Em suma justiça pode ser considerada quase que uma utopia, que idealiza valores cultivados em um sistema social.
Palavras como piedade e sensatez, trazem a tona os princípios que abrangem a ética e a moral humana.
Sob um ponto de vista, a pena de morte existe, para reduzir os gastos do estado, ao confinar um indivíduo por décadas, cumprindo uma pena pelo crime que cometeu.
Pode também surtir como solução para a redução da população carcerária.
Mas isso pode ser moralmente aceito?
Mesmo para um crime repugnante, como o estupro seguido pela morte da vítima, seria essa a punição mais adequada?
Poderia um crime ser punido com outra “forma de crime”?
A prisão não deve ser vista como um ambiente onde o indivíduo pagara pelos crimes que cometeu contra a sociedade, mas sim o local onde ocorrerá sua readequação ao convívio social, onde ele receberá o tratamento adequado para a reforma do seu caráter.
Pode ser utópico, e demasiadamente idealista o pensamento de “readequação social” de um indivíduo, mas talvez seja o que melhor se encaixe ao conceito de justiça que tentamos acreditar.
Sem falar que em um mundo deturpado, a justiça é corrompida, de modo que muitas vezes um inocente acaba por pagar pelo crime que não cometeu.
Deve-se considerar que um crime muitas vezes esta ligado a fatores decorrentes da própria condição de desigualdade social determinada pelo sistema que controla o mundo.
Deve-se analisar até onde vai à concepção de “punição” dada a alguém que cometeu um crime.
Não defendo o criminoso, acho sim que ele deve pagar de alguma forma pelo que fez, mas trabalhando para a sociedade enquanto cumpre sua pena, não para reduzir seus anos de cumprimento, mas para reintegrar sua dignidade perdida.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Do conto existencial.


Há muitos anos atrás, nasceu uma garota chamada Existência.
Existência veio ao mundo com o fluir da vida, há bilhões de anos, mas só de uns duzentos mil anos para cá, é que ela vem tentada pela necessidade de conhecer a si própria.
Onde quer que vá, depara-se com uma questão agonizante:
“O que és, oh Existência?”
Em crise, Existência decidiu seguir viagem, em busca de respostas que lhe trouxesse o sentido que queria.
Em sua busca conheceu muitos aliados, que se caracterizavam em linhas de pensamento.
A Filosofia Antiga, que tentava ajudar dando-lhe a curiosidade sobre a natureza primeira das coisas, e chamando a isso de metafísica.
Encontrou culturas e religiões, como o Budismo que contava a Existência sobre a busca pela paz interior, e a relação entre o indivíduo e os fatores externos.
Sempre ouvira falar de paz, mas nunca entendeu a fundo o que seria ela realmente.
Alguma divindade? Um estado de consciência?
Budismo, falava muito de um indivíduo, um tal de Materialismo, que deveria ser preso por corromper a essência da vida.
A procura de sua verdade absoluta, Existência encontrou uma outra vertente filosófica, mais moderna essa, que conceituava o indivíduo como um todo. Seu pensamento, suas atitudes, seus anseios... Orgulhosa ela se autodenominava de Existencialismo.
Mas Existência queria algo maior.
Queria ela encontrar uma verdade única, e não apenas divergências de pensamentos entre épocas e culturas.
Queria ela entender a morte, a guerra, a miséria, e o crime.
Queria ela compreender de onde vinha a vontade de viver, em meio a tudo isso.
Junto dela caminhava sua escudeira. A Dúvida.
Existência se cansou de Dúvida, e resolveu dispensá-la.
Estava irritada demais, e Dúvida só aumentava aquela irritação.
Sentiu-se mais aliviada depois disso, e começou a analisar melhor cada coisa que havia aprendido em sua andança.
Contudo ainda sentia que Dúvida a perseguia, de alguma maneira.
Ela jamais deixou de sentir a presença de Dúvida, mas agora havia aprendido a manter controle sobre isso.
Certa vez, existência encontrou uma velha senhora.
Achava tê-la visto em muitos outros lugares, mas só agora vinham de encontro.
- Como vai, doce, mas impura Existência?
- Como sabes meu nome?
- Você me procura, mas ainda desconhece isso.
- Quem és?
- Aquilo que procuras.
- A resposta infindável, dona de minha angustia?
- Não sou uma resposta, sou aquilo que você precisa enxergar.
- Preciso de respostas, e não de uma visão aperfeiçoada.
- Tens respostas, mas não sabe o que fazer com elas.
Não segues um padrão.
Não procuras por um caminho.
- Se tivesse a resposta que preciso, não estaria eu incansavelmente procurando-a.
- O que queres encontrar?
- Quem és?
- Não vais sentir a paz, se não souber o que procuras.
- O que és a maldita paz?
- Aquilo que tu não tens.
- O que eu não tenho?
- As respostas que não procuras.
- Oh, miserável, deixai-me.
- Não a deixarei, por que precisas de mim.
- Não preciso de mais nada, talvez o que procuro não seja a resposta que idealizo, por essa não existir sozinha em um universo de sabedorias.
- E vais deixar de procurar?
- Não, vou continuar a minha busca, mas agora encaixando cada pedaço conveniente que eu considerar.
- Já deste um sentido para sua busca.
- Abriste meus olhos, mas e se minha busca cessar?
- Conheces minha amiga Perfeição?
- Muito praz...epa, o que é isso?
Não consigo tocá-la.
- A perfeição não se materializa, és ela uma ilusão. Não podes tocá-la, mas podes senti-la.
Procure-a e sua busca jamais cessará.
- E por que devo buscar algo que sei que não encontrarei?
- Você não sabe, és burra o bastante para continuar a tentar tocá-la, veja...
E assim sendo, o seu sentido, o seu propósito jamais morrerá.
A velha senhora saia, quando Existência voltou a lhe indagar:
- Quem és?
A velha senhora virou-se dizendo:
- Aquilo que todos procuram, mas não percebem quando estou em pequenas coisas. Me pensam como divindade, que esta em tudo, mas sou parcial, e nunca algo pleno.
Se me queres, terás que aprender a dividir com outras sensações, e saber como tornar-me válida em meio a elas.
- Compreendo... acho. Talvez seja como a...FELICIDADE??????
- Muito prazer.
Existência segue, rumando o horizonte, ainda procurando pela compreensão de si própria.
Tenta desvendar a morte, mas antes quer entender a vida.
Tenta compreender a guerra, agora que já conhece o conceito de paz.
E assim, deu ela ao menos um sentido ao que procura.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Do uso correto da razão, da decadência intelectual e a Idiocracia

Segundo Immanuel Kant, filósofo prussiano que viveu no século XVIII, o esclarecimento é “a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado”. Com menoridade Kant se referia ao princípio de que todos os homens ficam cômodos ao não darem importância aos assuntos de estudo, negócios desagradáveis que, por preguiça, não são relevantes. Em conta disto, quando necessário uma ação referente ao assunto relacionado, tais homens estariam dispostos a gastar bens com profissionais, pois de nada entendem sobre tal coisa. Os homens são incapazes de viver desta maneira sem o auxílio dos outros.
Immanuel Kant (1724-1804)

Kant diz que o caminho para a “maioridade” é muito complexo, principalmente em conta do apego do ser com seu estado inferior. Assim, poucos conseguem se desvencilhar desse caminho e seguir seguramente no estágio superior. Esse caminho é o chamado esclarecimento, e eis que entra o uso da razão. Vê-se, portanto que o conceito de autonomia está diretamente vinculado à capacidade de autodeterminação a que todo sujeito racional é capaz. Ou seja, ser senhor dos seus atos, de suas ações, de si mesmo, de não ser determinado por nenhum interesse externo à sua vontade enquanto pensar e agir de modo autônomo. Portanto, ser livre para Kant, é permitir ser governado pela razão.

Baseado nisso, uma das teorias conspiracionistas que mais chama a atenção quando o assunto é intelectualidade global é a da idiocracia programada. Segundo sua premissa, o quarto poder (a mídia) e o sistema do estado influenciam as pessoas a involuir, de maneira que a comunidade fica cada dia mais "burra". Isso se dá pelo princípio da alienação, e estaríamos todos a mercê dessa revolução de nível planetário. Isso funciona como uma maneira de esconder os fatos relevantes através da imagem de fatos sem informação, sem conteúdo. Um exemplo bem claro disso aconteceu a semanas atrás, enquanto o julgamento do mensalão acontecia, a massa se preocupou em saber o que aconteceria na novela das oito. E enquanto o povo brasileiro vota para gerar alguns milhões de reais em prol do "solidário" Criança Esperança, a emissora fatura quase quatro vezes mais do que isso somente em um paredão do reality Big Brother Brasil. Dessa forma, a população fica sempre desinstruída, sem rumo, modelada da maneira que os manipuladores quiserem.

Sob esse fato, em 2006 foi feito um filme chamado Idiocracia. Trata-se de uma sátira social em que os protagonistas hibernam por 500 anos e acordam em uma sociedade muito menos intelectual. Ta aí a dica, vale a pena assistir e tirar conclusões próprias sobre o assunto.


Por mais radical que possa parecer a teoria, seus princípios são bem baseados no que encontramos na atualidade. Porém, existe uma boa parcela de pessoas que se fazem prestativas quanto a educação e ensino, um ser esclarecido, que tem seus próprios pensamentos e é capaz de desenvolver um senso crítico acerca das leis humanas, e o faz com alento. Kant valorizava esse ser, e o definiu como um sujeito que faz o correto uso da razão, o ser que vive na maioridade.

Olá, galera! Eu sou Paulo Gimenez, ex-aluno e amigo do Flávio e novo moderador deste blog bacana. Este foi o meu primeiro post oficial, e gostaria de dar créditos ao meu amigo e colega Lucas Oliveira, que contribuiu no texto. A partir de agora espero continuar postando sobre assuntos relacionados a fatos científicos e que sejam, no mínimo, curiosos. Até a próxima!

domingo, 9 de dezembro de 2012

De concepções e divergências parte 2

Assim como a metafísica outros conceitos são complexos em demasia para possuírem apenas uma solução, ou explicação plausível.
O propósito do blog (do blogueiro no caso) não é impor algo.
É apenas discutir esses temas, que de complexos e instigantes, causam polêmica e muita diversificação.
Qual a causa de toda a diversidade?
Apenas a complexidade?
Teria isso também interferência da personalidade, e maneira como cada qual encara a vida e seus dilemas?
Qual o sentido  vida?
Questões como essas e muitas outras dependem não apenas de uma simples resposta ou solução.
Mas também de um ponto de vista.