sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Atemporal

Se o tempo parasse hoje,
nenhuma alma valeria,
o preço da saudade,
que não mais existiria,

Se o tempo parasse hoje,
da existência nada seria,
Suas angustias, suas razões,
em algum lugar jaziam.

Nenhuma teoria,
se consumaria,
se o tempo parasse hoje,
nem é noite,
nem é dia.

Ecoa o som da vida,
ecoa o som do mundo,
se o tempo parar hoje,
silencio profundo.




quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Palavras não ditas.

Frases escritas,
de caneta sem tinta,
papel amassado,
esquecido no quarto,
solitário...

Palavras não ditas,
soltas ao ar,
da noite serena,

        no      vão     do     luar.







quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Ser professor

De longe um computador,
De perto um eterno aprendiz,
Esse é o professor...
Que trabalha com amor,
Que enfrenta os desafios de uma sociedade,
Que em geral,
Não reconhece o seu devido valor.
Assim é o professor...
Que passa muitas noites em claro,
Que da o próprio sangue ao trabalho,
Que briga com alunos,
Que briga por alunos,
Que aconselha,
Que pentelha,
Que marca prova em dia de outra prova,
Que ameaça ferrar na recuperação,
Que proíbe o celular até pra ver a hora,
Que sempre manda um pra supervisão...
Que acaba com uma fama de durão,
Mas que sente certo aperto no coração.
Não por peso de consciência,
Mas pelo peso da profissão.
Aquele que sempre tenta melhorar,
Que admite os próprios erros,
Que luta contra um governo,
Que muitas vezes perde a batalha,
E sabe que não pode deixar de acreditar.
Eis o professor...

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Reflexão sem paixão.

Logo me pego a pensar,
em tardes passadas em branco,
sonhos perdidos,
vida vulgar,
pássaro sem canto,
Luar sem encanto.



segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Contraste

Flores de primavera,
chacina na favela.

Musica perfeita,
gaiola estreita.

Quarto fechado,
teto estrelado.

Status social,
discriminação racial.

Cheio de alegria,
vida vazia,

Sol na janela,
parede da cela.

Sombra aconchegante,
tarde escaldante.

Ternura de criança,
trauma de infância.

Utopia de paz,
ilusão fugaz.

Cartão de natal,
esquecido no quintal.

Noite de luar,
sem tempo para amar.













































sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Insônia.

Já ouvi algumas vezes a celebre frase "dormir é para os fracos".
Em reflexão temo passar horas acordado, sem nem mesmo concordar ou discordar da dita cuja.
Só o transcorrer da madrugada sabe do que estou falando.
O silencio da rua, o bater de asas de um morcego, o miar de um felino pelo corredor longínquo e escuro de uma noite mal dormida...
Dizem que ler acalenta a mente, e isso por vezes me cai bem.
Observar estrelas, apreciar a musica, escrever o que se passa em meio a essa sistole e diástole cerebral...
Se teimarem que a mente é o coração da alma, não me atreverei a questionar, mas, pensando bem, o figurativo da frase é engraçado.
Se os pensamentos que me tomam é o próprio pulsar da alma, a quantas não estão os batimentos por minuto?
Perceber o tempo é bem mais complicado do que se parece...Einstein que o diga...aah, essa relatividade...
O caos que se intitula ordem manda um abraço a todos, a fé que já perdi me promete que vai voltar, e o passado que não vivi...esse ainda vai dar o que falar.
Talvez em outro momento, uma outra viagem, um outro encontro...
O vazio que chama pra dormir já não quer mais esperar, o que outrora foram devaneios agora é o mais completo sono atrasado de uma noite qualquer.



terça-feira, 16 de junho de 2015

CAOS

Precursor da vida,
Virtude da loucura,
Incerteza do amanhã,

Sombra da duvida,
Clemência da culpa,
Segunda de manhã,

Ânsia do exagero,
De brando desespero,
Remédio da alma.

Relógio parado,
Ponteiro quebrado,
Fuga da calma.

Palavra esquecida,
Frase perdida,
Espelho do mundo.

Comprimento sem medida,
Largura comprimida,
Sentimento profundo.

De versos trocados,
Verdade repreendida,

Teclado quebrado,
Mentira apreendida,

Sentido mantido,
Sem vícios banidos.












quinta-feira, 5 de março de 2015

A prisioneira das leis.

Hoje questionei o significado da palavra justiça.
Percebi que o termo é variável, amplo, quando tratado dentro de um sistema social que visa mais o indivíduo do que o coletivo.
Quando criança, tentava acreditar que justiça era a morada da esperança.
É claro que uma criança apalpa o mundo de uma forma bem diferente, mais sonhadora...E o tempo mostra que sentidos mudam de etapa para etapa da vida. Assim, o que um dia foi a morada da esperança, pode vir a ser o berço da incoerência na vida adulta.
Mas o que realmente é a justiça, se não essas definições figurativas?
Conversando com uma amiga, definimos que a justiça esta escondida nas leis.
Eu diria que ela esta presa as leis...e leis são feitas por homens, e defendidas por um sistema sociocultural.
Assim como a natureza humana, as leis são corrompidas, o que torna a justiça indiscutivelmente falha, se abordada a esse padrão que rege a sociedade.
Subordinada a um sistema falho, a justiça por vezes toma um rumo diferente da democracia, e ater-se a certas determinações sem questioná-las ou tentar revertê-las, muitas vezes é abrir mão de direitos, é deixar-se corromper pelo próprio mundo.





domingo, 1 de fevereiro de 2015

Da alternativa realidade.

Vive-se em um mundo a parte, onde o que realmente é, fica perdido
em meio a censuras de uma sociedade monitorada.
Reconhece-se por loucura a essência do indivíduo.
Rearranja-se a sanidade, na mais profunda perspectiva de moralidade culturalmente aceita.
Leva-se um tempo para entender que cada pessoa deveria ter no mínimo três vidas.
Uma para aprender.
Outra para desaprender.
E uma terceira, para reaprender tudo da maneira diferente do que foi antes lhe imposto como verdade.
Camufla-se de prisioneiro a liberdade.
Camufla-se de liberdade o prisioneiro.
Entende-se por justiça a injustiça.
Mata-se para punir o assassinato.
Cultua-se Deuses vingativos, para recobrar a fé e a esperança.
Vive-se da inversão.
O que se entende por razão?




sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Da viagem literária.

Ao horizonte
de linhas distantes,
entre palavras e quilômetros,
frases e instantes.

Voa a mente,
percorre o tempo,
de passado a futuro,
longínquos momentos.

Dispersa a fantasia,
trafega o imaginar,
reproduzindo magia,
reinventando pensar.

Imersa a nuvens,
nuvens de papel,
voa mente,
voa,
viaja pelo céu.

Sem mapa,
sem bagagem,
páginas sem destino,
papel de viajem,
Doce miragem.

Oh vento literário,
de planícies distantes,
carrega para o mundo,
onde vagueia o viajante.










terça-feira, 4 de novembro de 2014

Da melancolia poética.

Em memória aos esquecidos,
A fé que terminou perdida,
Ao sol que não nasceu...

Ao sonho que fora
banido,
Pela própria incerteza da vida,
Aquela guerra que não cedeu.

Em memória...
A dor de um amigo,
A injustiça que fora cometida,
Ao momento que nunca aconteceu.

Ao problema mal resolvido,
A prece que não fora atendida,
Ao passado que não morreu.

Em memória ao tempo,
sorrateiro vento,
Carrega distante,
varre em instante,
Dia após dia...
Vida após vida.








terça-feira, 21 de outubro de 2014

Do tempo longincuo.

Envelheci rápido demais de uns 15 anos pra cá.
Nem vi a vida passar, e saudade é um sentimento tão constante que chego a tentar tocá-la.
Dizer, "ow, me deixa vai, to te cutucando faz tempo, deixa eu continuar..."
Mas olhar para trás parece fazer parte da nossa própria mecânica.
Cresci em uma cidade pequena, e hoje penso que toda criança deveria ter o mesmo privilegio.
Uma infância regada a frutas colhidas e comidas no pé, ao som dos pássaros que competiam com poucos carros nas ruas, ao aroma do bolinho de chuva e pão caseiro, feitos com o amor e carinho da avó...
Eu costumava acreditar que crescer seria como matar um pedaço de mim mesmo, ou ao menos acompanhar a morte lenta e dolorosa de algo
que inevitavelmente fica para trás.
Pensava que perderia o contato com todos daquela época, que nunca mais voltaria a pisar aquele solo que tanto me representou...é...eu que tanto já critiquei essa globalização massiva, hoje admito que ela é necessária. Para restabelecer contatos, para se conectar ao mundo atual...
As vezes o tempo volta, o sentimento volta, a ternura, aquela inocência...
Volta por que nada foi perdido...por que ainda esta tudo ali, e manter isso vivo não deixar de tornar-se adulto, não é abrir mão de responsabilidades...Talvez admitir isso seja um dos passos necessários para embarcar em outra fase. 
É, levei um tempo para perceber que sentir o vento e a chuva bater no rosto, deixar cair e ralar-se todo, passar Merthiolate e deixar arder, andar de bicicleta fazendo barulho de moto com a boca...falar besteiras,..são coisas tão necessárias quanto aceitar que cresceu. 
Esse tempo que levei...esse mesmo que passou, esse que nunca parou.

sábado, 11 de outubro de 2014

De uma manhã qualquer.

Hoje o dia amanheceu com vontade de escrever,
Sem palavras concretas, sem sentido algum.
Expressar o inexpressivo,
Rememorar o esquecido.

Por linhas imperfeitas e letras repetidas,
Em frases malfeitas e versos sem efeito,
Dar corpo a ambiguidade,
Dar cor sem tonalidade.

Admirar o indefinido,
O padrão que desbotou,
Daquele verbo que não se conjugou.

Mera poesia que desabrocha,
Incerteza da alma,
Que voou sem saber o que viveu.
Que voou sem saber o que sonhou.









domingo, 5 de outubro de 2014

De um direito não democrático.


Bom, vamos lá, hoje é um dia político por si só.
Dia de postar-se em frente a uma caixinha eletrônica e digitar números que por 4 anos irão representar esse país que tanto amo.
Não só o país, mas as pessoas que nele vivem.
O problema maior é que números não representam pessoas. Pessoas representam pessoas.
Confesso que no momento preferia que meu cachorro me representasse, admito pensar que ele vale muito mais do que qualquer representante ali disponível.
Não, não é ódio mortal por algum candidato ali presente...é apenas como estou me sentindo no momento.
Por anos me considerei dentro dos parâmetros da ideologia de esquerda.
Hoje não mais...esquerda e direita não mais me representam.
Me tornei apartidário, e sinto tanto que para se fazer política o partido seja fundamental.
Você reconhece algo bom em uma pessoa, reconhece que as intenções dela são boas, sente que ela quer fazer o melhor, e dar o seu melhor... Mas por trás dela existe uma ideologia que filtra qualquer ação própria que possa ser tomada pelo candidato ao cargo.
Política é isso. Infelizmente!
Isso restringe qualquer opção decente, isso limita o poder de escolha de um povo.
Sou eu quem vou escolher em quem votar, mas não me sinto em uma democracia, apenas por ter direito ao voto.
Democracia sem opções que me agradam pra mim de nada vale.
Já me condenaram por eu assumidamente ser adepto ao voto nulo.
Não, eu não voto nulo em qualquer circunstancia, antes disso avalio os candidatos.
Se não vejo opções decentes, voto nulo, sem remorso, sem sentimento de culpa, sem consciência pesada... E sim, eu sei que o meu voto nulo não ira anular uma eleição, mas  não consigo optar por algo que eu não gosto, ou que me faz sentir nojo de mim mesmo. Isso não e democracia!!
Um sistema democrático, acima de tudo, deveria oportunizar a todas as classes, trabalhar a esperança das pessoas. E difícil viver e chamar de democracia um sistema corrompido e falho, difícil também ouvir que esse tal sistema e o que deu certo.
Acho que e isso, eu não vim aqui para afirmar veementemente que anularei todos os meus votos, não farei isso, e nem mesmo vim para fazer campanha a algum candidato, ou expor aqui minhas preferências. Não vim também para falar que não gosto de politica, que não me envolvo com politica. A politica existe em qualquer lugar, não da para brincar de esconde-esconde com ela.
Vim mesmo desabafar, por mais clichê que seja o desabafo. Afinal, criei esse espaço pra isso.
No fundo eu queria que o que melhor me representasse no momento fosse a palavra acreditar. Como queria...

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Do aroma das folhas e da brisa suave.

Tarefa difícil essa de falar da memória.
De fato, esta além de muita coisa.
Além do alfabeto mais belo, além do tempo que passou.
Remontar um jardim com os mais audaciosos perfumes, com as mais lindas cores...essa parte das cores confesso não dar muita atenção.
Reintegrar das cinzas carregadas pela brisa de uma noite qualquer.
Daquele gosto suave de um inverno que se foi.
Do aroma de café coado na hora,
Da melodia que ficou gravada na alma...
Tarefa difícil essa...
Passa-se uma noite inteira tentando, fantasiando, fugindo de qualquer banalidade.
Passa-se uma noite inteira sonhando...e nenhum sentido coloquial rouba a cena do crime.
Não precisa ter sentido...não precisa fazer sentido.
Já basta sentir.

Nota: Sim, eu sei que na foto falta algo em meus braços. Algumas vezes é preciso ensaiar a imaginação.

domingo, 20 de abril de 2014

De um titulo qualquer.

Feriado prolongado, em meu quarto, meu refúgio, fico a pensar.
Poderia por longas horas, ingerir os mais suculentos e famosos compostos de feniletilamina, em celebração ao próprio dia, mas a cá estou.
Descascando pensamentos, desnudando sentimentos, infringindo razões...Quebrando regras, desmoralizado, liberto, E MAIS NADA.
Posso ler Nietzsche e os três porquinhos, posso voar e constatar a gravidade, ouvir vozes que partiram, reviver o que se foi, minha cachorra, meus animais...amigos que já não vejo.
Posso escrever.
Falar de amor, de poesia, da volatilidade alcoólica, embasar uma teoria qualquer, falar de revolta, falar do tempo...
Redescubro meu espaço de segurança não concreta, ideias toscas e conceitos indefinidos.
Da imaginação de criança, do alvorecer e do entardecer, dos sonhos que estacionei...Da loucura inexpressiva.
Sobre tudo, sobre nada, intangível, incompreensível.
Até outro dia.

domingo, 16 de março de 2014

Do valor da amizade.

Pura e sincera, 
amável e singela.
Seja em uma tarde fria,
na noite que já não é mais dia,
ou em uma manhã de verão qualquer.
Pra curtir um sol na janela,
ou raspar chocolate na panela.
Perceber que afinidade,
não anula as divergências,
e nem sempre ameniza as diferenças.
O apoio moral,
um cartão de natal,
as intrigas e confusões,
momentâneas distrações.
Chorar por ter que partir,
emocionar-me ao vê-los seguir,
rumo ao horizonte sem fim.
E dar-me conta que,
um a um,
deixaram uma parte de si,
ao levarem um pedaço de mim.

Da qualidade vazia.

De nada existe além do vazio que resiste a constância de pensar diferente, se a mente vazia reflete nada, em palavras repetidas inconscientemente.
Inconsciente, de incoerente se faz, o vazio que preenche, expande em meu ser, por rimas repletas de nada existente.
Sem cor, sem alma, vazio somente.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

De mais um desabafo sobre o pior zoológico do mundo.

Bom, não serei hipócrita o bastante para apenas criticar zoológicos de forma generalizada, pois já visitei vários, mas confesso apresentar frustrações, ao me deparar com certas condições que alguns podem apresentar, inclusive dos quais visitei (e tive arrependimento).
Qual a importância de um zoológico?
A maior parte das pessoas acaba por analisar sob o aspecto cultural, que também é muito valido, pois ele esta ligado a aproximação com outras espécies animais, a obtenção de um certo respeito e interesse pela natureza, ao conhecer os diferentes hábitos e noções de preservação e conservação das espécies ali expostas. Além disso também pode ser interessante por mostrar de alguma forma o problema que representa para a natureza o trafico de animais silvestres, como quem vende (e captura) e quem compra estão envolvidos nessa jogada toda.
Um zoológico também pode ser uma importante instituição de pesquisa, de tratamento e reabilitação de animais ao ambiente natural, nesse caso quando são animais apreendidos por entidades ambientais, como o IBAMA, em casas, circos, ou em qualquer lugar onde os mesmos recebem maus tratos e são explorados sob condições minimas de alimentação e higiene.
É o caso do Surabaya, zoológico localizado na Indonésia, e que há anos eu venho acompanhando com muita indignação, assinando petições e divulgando para obter o maior numero de assinaturas possível. É realmente uma pena perceber que ele ainda funciona, não deveria ser apenas decretado o fechamento da instituição mas também a prisão dos responsáveis pela mesma.
Segue abaixo um link contando um pouco sobre o zoológico, com uma petição, que peço aos (poucos) leitores do blog para assinarem. O loucura de emergência é uma maneira de expressar e libertar o pensamento, em forma de opinião, poesia, ou qualquer que seja. Esse foi um desabafo.

http://diariodebiologia.com/2014/02/o-inferno-dos-animais-o-pior-zoologico-do-mundo-video/#.Uw3x6uNdUhV

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Instante distante.

Chuva molha,
Chuva olha,
transborda,
escorre,
suave memória.

Chuva vem,
Molha o seco,
Molha a alma,
refresca, meu bem,
traz a calma.

Molha o verde,
escorre no chão,
de solo fértil,
desaba em vão,
gotas incertas.

Brisa leve,
ecoa o vento,
vento de chuva,
que bate suave,
e para o tempo,
transborda o momento.