quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Do que o tempo não corrói.

Costumo dizer que no cérebro, existe um abismo.
Onde o que vale é o impacto dos momentos, para torná-los seguros, e não deixá-los cair ao esquecimento.
Certas coisas servem de ponte, para que se possa atravessar o abismo, e trafegar da linha inconsciente até a linha da memória.
A música é uma ponte, por trazer de volta momentos, que mesmo se desejássemos lá do fundo, não são permitidos esquecer.
Mas a música também envelhece, e ao contrário de quase todas as outras coisas, o tempo as torna mais forte, as transforma em raridade, de valor inestimável.

Da música, e de seu perfil em diferentes contextos.

De acordo com a mitologia grega, a musica (do grego Mousikê "arte das musas") é originada das nove musas, filhas de Zeus. Apolo era também considerado o Deus da música.
Essa arte segue uma tendência de moda e ideal de uma determinada geração, sendo portanto um reflexo do contexto, e cultura jovem de uma época.
A baixa qualidade de letras, melodias, faz com que se pense que a música deixou de existir, ou vem aos poucos apagando o seu brilho.
O fato é que ela precisa seguir o tom do momento, agradar o público jovem, para gerar lucro ao mercado musical.
A geração 70/80, foi influenciada por um período de ditadura militar, sendo assim, uma época desbotada por uma bandeira jovem idealista, caracterizada pela rebeldia, que transbordava o limite de indignação contra o próprio sistema. Nesse sentido, a ditadura contribuiu grandemente para o enriquecimento dessa arte no Brasil, com artistas que fizeram o nome da época, dentre eles Raul seixas, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré, e o surgimento de estilos agressivos no país, como o punk, marcado por bandas como Aborto Elétrico, Titãs, Legião Urbana e Capital Inicial.
Considerando o contexto musical atual, marcado por letras repetitivas, e estilos com grande teor pornográfico, sem perspectiva, levanto uma questão:
Qual a bandeira do jovem de hoje?
Qual a sua influência?
Seria isso explicado, pela tendência jovem de ser diferente das gerações anteriores, e pelo conservadorismo relutante dos "jovens de ontem"?
Seguindo a sugestão de um amigo, dedicarei um dia na semana a postar músicas, e algum comentário sobre tais.
Em homenagem ao título o blog, iniciarei o dia com essa música:



quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Da guerra e da paz.

Qual o maior ideal da paz?
Estabelecer o respeito entre diferentes valores e culturas?
Unificar o mundo em uma só concepção de princípios?
Estabelecer um sistema de governo justo e digno?
Qual  verdadeira causa da guerra?
Questões pertinentes a uma reflexão profunda em um mundo movido pela ganancia e discórdia.
É de costume, sempre se pensar em uma frase para definir tal tema que assola a humanidade, desde que essa mesma se tornou humanidade.
Nossos ancestrais mais recentes já promoviam grandes lutas e disputas por território, entretanto, foi com o surgimento de um cérebro mais "evoluído"  que as batalhas tomaram um sentido real de caos, perda, aniquilação...
Soa paradoxal o fato de que uma mentalidade mais organizada e diversificada possa ter trazido tais sentidos a tona.
A guerra usa nitidamente (desculpa esfarrapada) as divergências socioculturais como uma de suas principais razões.
Esconde por trás de panos escuros interesses politico-econômicos, sistemas de governo rígidos, obscuros, imperialistas e... mesquinhos.
É de se admitir que, de forma indireta, uma das maiores mentes do século XX idealizou aquilo que seria uma das maiores catástrofes do mundo contemporâneo ("tudo mudou, menos o espirito humano").
É de se admitir que a guerra sempre contribuiu para o avanço tecnológico.
É de se admitir que esse mesmo avanço tecnológico envolve o mundo com a miséria e a desigualdade.
É de se admitir que a paz é uma utopia, em um mundo corrompido.

"É da busca pela paz, que nasce a necessidade da guerra." (Flávio Ranucci Pinheiro)


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Da vivissecção e das pesquisas com animais em laboratório.

    Durante a faculdade, algumas disciplinas que eu tive, como zoologia e imunologia, eram voltadas para um tipo de experimentação direta com animais, como pequenos roedores, anfíbios, e até drosophilas. Em suma, era uma maneira mais rápida e prática de absorver o conteúdo teórico trabalhado em sala, entretanto, eu realmente não me sentia bem, ao participar de tais aulas práticas.
    Me perguntava onde existia a tão falada ética, ao abrir um camundongo, para inserir um objeto metálico, e verificar a reação imunológica do animal.
   Ou prender um sapo e um camundongo em um vidro fechado, e verificar que o camundongo ficava agoniado e assustado, percebendo a falta de ar, enquanto o sapo mostrava-se mais tranquilo, pois esse absorve gases pela pele.
   Entendo que  experiência com animais em laboratório proporcionaram o avanço de diversas áreas da ciência, entre elas, principalmente, a área médica, com pesquisas voltadas para a cura de doenças que assolaram, e assolam o mundo contemporâneo, bem como um melhor esclarecimento sobre tais doenças, como a maneira como essa é transmitida, determinados agentes etiológicos, e vetores...     Entendo também, que sem tais pesquisas não teríamos hoje, soros e vacinas tão eficaz para o tratamento e prevenção de inúmeras perturbações.
    Entretanto, ainda me pergunto se em pleno século 21, na era tecnocientífica que nos encontramos, ainda é necessário utilizar-se de tais técnicas para o avanço científico.
    Não seriam essas já arcaicas em demasia, levando-se em consideração o avanço tecnológico da época?
    Já não é hora de serem utilizadas fontes alternativas, para pesquisa?
   Qual seria a diferença entre produzir embriões humanos em laboratório, para eventuais pesquisas com células tronco, e criar camundongos e outros animais para procedimentos de pesquisa?
   Questões como essas propõem uma reflexão sobre conceitos de ética, e moral, bem como o rumo que tomam esses valores, a medida que o progresso caminha.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Do raciocínio antrópico e de seu legado.

Alguns cientistas acreditam que o universo só existe, a partir daquilo que conseguimos compreender.
Dessa forma, a teoria apresenta a ideia de existência de vários universos, e nesses, várias espécies, cuja capacidade de raciocínio se limite apenas a compreensão do seu próprio universo.
Levando isso em consideração, seria o Homo sapiens a única espécie racional presente na Terra?
Qual a diferença entre inteligência e raciocínio?
Seriam os dois apenas consequências de um cérebro evolutivamente desenvolvido?
Eu definiria que o raciocínio humano se difere de outros animais, em suma, por ter relação direta com o controle dos instintos, por isso talvez fazer parte do nosso hábito de vida. Outras espécies animais que conhecemos e observamos podem não demonstrar tal capacidade, ligada a uma razão que controla os instintos, ou que possibilite um progresso tecnológico, entretanto, não seria por isso, simplesmente não ser parte do hábito e estilo de vida deles?
Notamos sinais de inteligência e dedução em animais domésticos, como gatos e cachorros, e conhecemos outras espécies que possuem organização social complexa.
O raciocínio indiscutivelmente nos traz uma lógica de vida, mas teria essa necessariamente que ser a mesma para todas as outras espécies?
A nossa lógica dedutiva, o nosso senso de organização complexo, nos trazem um avanço tecnológico sem limites.
Com isso temos um mundo cômodo e confortável em nossas mãos, ao passo que o mesmo mundo desenvolvido represente uma ameaça a própria existência.
Essa mesma capacidade transformadora e destruidora, faria da Terra um planeta em ruínas se compartilhada ou competida entre todas as espécies animais superiores viventes.

Do tempo.

Tic, tac,
fez o som,
que ecoa distante,
e leva a vida.

Leva embora,
e leva agora,
mas deixa rastros,
do que já foi,
em que ficou.

Mas deixa rastros,
do tic, tac,
em todo canto.

A metamorfose,
é o seu encanto.

Deixa rastros,
do que se leva,
em que não foi.

Tic, tac,
é o desprezo,
da inocência,
que passou.

Da rebeldia,
que se deixou,
com a experiência,
que ficou.

Tic, tac,
o som não para,
vai com o vento,
pra bem longe.

Do instante que vagou,
da vida que acabou.







domingo, 9 de dezembro de 2012

De super e de herói

-Como é raciocinar?
Admiro essa capacidade.
Poderia eu, dela desfrutar?

-Você pode voar.
Eu lhe dei essa vantagem.
Você é o que eu posso imaginar.

-O que chama de vantagem,
é a sua ilusão.
Seus sonhos sem razão.

-Você é minha mentalidade,
Uma realização,
O meu desejo de viver,
Sem limitação.

-Uma inspiração,
e nada mais sou,
minha existência é produto,
de sua idealização.

-Minha criação,
Você é o que eu não sou.
As palavras que eu não digo,
A vontade que ecoou.

-Não sou racional,
e isso é frustrante,
o que tenho de moral,
é a sua maneira de pensar.

-Você é imortal,
o que eu considero relevante.
Você é o estado emocional,
que me leva para qualquer lugar.

-De que vale a eternidade,
se sou apenas parte de você?

-És minha liberdade,
és tudo que eu sempre quis ser.

- Ser sua liberdade,
é ser minha prisão.
Só tenho habilidades,
que estão em sua imaginação.


O que dizer da fantástica imaginação?
A liberdade, ou uma prisão?