Durante a faculdade, algumas disciplinas que eu tive, como zoologia e imunologia, eram voltadas para um tipo de experimentação direta com animais, como pequenos roedores, anfíbios, e até drosophilas. Em suma, era uma maneira mais rápida e prática de absorver o conteúdo teórico trabalhado em sala, entretanto, eu realmente não me sentia bem, ao participar de tais aulas práticas.
Me perguntava onde existia a tão falada ética, ao abrir um camundongo, para inserir um objeto metálico, e verificar a reação imunológica do animal.
Ou prender um sapo e um camundongo em um vidro fechado, e verificar que o camundongo ficava agoniado e assustado, percebendo a falta de ar, enquanto o sapo mostrava-se mais tranquilo, pois esse absorve gases pela pele.

Entendo que experiência com animais em laboratório proporcionaram o avanço de diversas áreas da ciência, entre elas, principalmente, a área médica, com pesquisas voltadas para a cura de doenças que assolaram, e assolam o mundo contemporâneo, bem como um melhor esclarecimento sobre tais doenças, como a maneira como essa é transmitida, determinados agentes etiológicos, e vetores... Entendo também, que sem tais pesquisas não teríamos hoje, soros e vacinas tão eficaz para o tratamento e prevenção de inúmeras perturbações.
Entretanto, ainda me pergunto se em pleno século 21, na era tecnocientífica que nos encontramos, ainda é necessário utilizar-se de tais técnicas para o avanço científico.
Não seriam essas já arcaicas em demasia, levando-se em consideração o avanço tecnológico da época?
Já não é hora de serem utilizadas fontes alternativas, para pesquisa?
Qual seria a diferença entre produzir embriões humanos em laboratório, para eventuais pesquisas com células tronco, e criar camundongos e outros animais para procedimentos de pesquisa?
Questões como essas propõem uma reflexão sobre conceitos de ética, e moral, bem como o rumo que tomam esses valores, a medida que o progresso caminha.