terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Da vivissecção e das pesquisas com animais em laboratório.

    Durante a faculdade, algumas disciplinas que eu tive, como zoologia e imunologia, eram voltadas para um tipo de experimentação direta com animais, como pequenos roedores, anfíbios, e até drosophilas. Em suma, era uma maneira mais rápida e prática de absorver o conteúdo teórico trabalhado em sala, entretanto, eu realmente não me sentia bem, ao participar de tais aulas práticas.
    Me perguntava onde existia a tão falada ética, ao abrir um camundongo, para inserir um objeto metálico, e verificar a reação imunológica do animal.
   Ou prender um sapo e um camundongo em um vidro fechado, e verificar que o camundongo ficava agoniado e assustado, percebendo a falta de ar, enquanto o sapo mostrava-se mais tranquilo, pois esse absorve gases pela pele.
   Entendo que  experiência com animais em laboratório proporcionaram o avanço de diversas áreas da ciência, entre elas, principalmente, a área médica, com pesquisas voltadas para a cura de doenças que assolaram, e assolam o mundo contemporâneo, bem como um melhor esclarecimento sobre tais doenças, como a maneira como essa é transmitida, determinados agentes etiológicos, e vetores...     Entendo também, que sem tais pesquisas não teríamos hoje, soros e vacinas tão eficaz para o tratamento e prevenção de inúmeras perturbações.
    Entretanto, ainda me pergunto se em pleno século 21, na era tecnocientífica que nos encontramos, ainda é necessário utilizar-se de tais técnicas para o avanço científico.
    Não seriam essas já arcaicas em demasia, levando-se em consideração o avanço tecnológico da época?
    Já não é hora de serem utilizadas fontes alternativas, para pesquisa?
   Qual seria a diferença entre produzir embriões humanos em laboratório, para eventuais pesquisas com células tronco, e criar camundongos e outros animais para procedimentos de pesquisa?
   Questões como essas propõem uma reflexão sobre conceitos de ética, e moral, bem como o rumo que tomam esses valores, a medida que o progresso caminha.

2 comentários:

  1. Flávio.. conheces Peter Singer? Ele afirma, em um dos seus grandes, GRANDES livros que a prática de testes em animais só será justificada (ou quase isso) quando as pessoas estiverem dispostas a testar em bebês de até 6 meses (ora, um chimpanzé é mais senciente que uma criança dessa idade) uma vez que essa disposição revelaria a necessidade de tais testes. Muito bom, e como vegana, devo parabenizá-lo por trazer à tona a discussão!

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  2. Olha que legal, você é vegana. Então Roberta, eu té coloquei essa questão no texto. Qual logica de condenar a produção de embriões em laboratório, para pesquisas com células tronco embrionárias, e de não se preocupar com utilização e outras espécies animais em pesquisas.
    Entendo essa ideia que Peter coloca (não conhecia não)...segundo isso, partir o momento que no colocamos no mesmo lugar das cobaias de laboratório, a nossa ética científica criaria um outro sentido. Admito que foi de extrema importância para o desenvolvimento da ciência, essa técnica de pesquisa, entretanto, nos is de hoje, considero-a arcaica, e cruel. Já é tempo de mudanças. Tempo de procura por novas fontes de pesquisa.

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