quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Da música de quinta #5 e o rock raiz

Baseado no conto sobre o rock, hoje eu vou falar brevemente sobre o seu berço de maneira menos fantasiosa. O rock foi um gênero que surgiu como uma vertente do blues, do country e do R&B (rhythm et blues) em volta da década de 50, e passou a integrar diversas outras vertentes ao longo dos anos subseqüentes. Assim como toda vertente moderna, o rock também foi alvo de críticas e maus olhares no início de seu surgimento – caso que até hoje é percebido nas melhores famílias com pessoas de mais idade. O fato é que foi um movimento musical tão revolucionário que hoje em dia é praticamente impossível se pensar em música sem que o termo não nos passe a mente. Nomes como Elvis Presley, Chuck Berry e Jimi Hendrix foram consagrados na história desse estilo como sendo seus pioneiros. A partir de então foram surgindo bandas que se encarregaram de espalhar o bom nome do rock ao mundo, como os clássicos Beatles, Led Zeppelin, The Who, The Cream, Kiss dentre várias.

Muitas pessoas que acompanham ou acompanharam a evolução desse estilo acreditam que as melhores bandas surgiram e brilharam até a década de 70, marcando a era do rock raiz. Digo isto pois me incluo nesse grupo, apesar de ter nascido em 1991. Não digo que não houve música boa depois disso, muito pelo contrário. A maioria das músicas de minha playlist é feita de músicas da década de 70 a 90. Apenas acredito que os melhores mesmo foram os que dominaram o mundo com seus riffs e acordes incríveis, suas ótimas letras e seus estilos únicos que contribuíram muito para os diversos gostos de rock de nossa geração.

Visto o texto de hoje, vou postar uma música de rock raiz em homenagem a esse estilo que tanto nos anima quando mais precisamos. Long live rock n’ roll!


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Do veganismo e de seus ideais.

Esse foi um tema parcialmente abordado em dois posts não específicos (da evolução humana e do seu hábito alimentar, da vivisecção e das pesquisascom animais em laboratório), não sou vegan mas atendendo a um pedido especial, vou agora falar sobre esse estilo de vida pelo qual tenho bastante simpatia.
A carne é uma verdadeira necssidade em nosso quadro alimentar?
Essa é uma questão de difícil resposta, visto que o hábito alimentar humano é extremamente diversificado.
Baseado nos costumes de determinadas regiões, chego a dizer que a carne deixou de ser uma necessidade e hoje é algo mais complexo do que isso, esta ligado ao aspecto cultural de um povo.
Tão verdade isso, que certas culturas abstem-se de carne de algumas espécies animais, por venerá-las como intercessores de Deuses.
Certas tradições não se permitem a ingestão de animais, pelos mesmos serem capazes de sentir dor.
Por outro lado, outras culturas estendem dentro de seu costume uma culinária incrementada com grande diversidade de animais, formando pratos exóticos e típicos.
A alimentação em termos gerais acaba por tomar um sentido prazeroso, e ai torna-se envolvida não só por questões relacionadas a saúde e qualidade de vida, mas também por dilemas éticos e morais que fazem parte do nosso cotidiano.
Até onde vai a luta pelos direitos animais?
O veganismo é uma filosofia de vida que por si só, preocupa-se com isso.
A palavra vegan vem de vegetariam.
Mas não basta abster-se de carne, o vegan mergulha mais fundo.
O vegan condena a utilização de animais em laboratório para fins de pesquisa.
É claro que isso foi crucial para o desenvolvimento e evolução de diversas áreas da ciência, como a área médica, mas é fato que nos dias de hoje, novas fontes alternativas para pesquisa devem ser estudadas.
Com isso, grande parte dos vegans não usam nenhum tipo de medicamentos, por saberem que em grande parte são testados em cobaias.
O que para muitos isso pode parecer um radicalismo imprudente, para eles é parte de sua própria luta pelo que idealizam.
Essa repulsa pela utilização de animais para pesquisa, esta muito ligada a rejeição ao especismo, palavra que designa a atribuição de valores diferentes a diferentes espécies animais.
Com base no conceito de especismo, a espécie humana estaria no ápice dessa atribuição de valores, tendo assim a vida humana maior importância do que a vida de qualquer outra espécie animal.
Condena-se também a criação de animais para o abatimento.
Faz-se pensar na ética existente em tal prática, e até mesmo no próprio especismo falado anteriormente, e muito repudiado pelos vegans.
A prática de criação de animais para o abatimento também possui uma problemática ambiental.
A pecuária exige a retirada de uma considerável porção de mata nativa, o que leva a um dos maiores problemas ambientais decorrentes em nosso querido Brasil.
A redução da área de florestas, importantes controladoras climáticas nos continentes, devido ao processo de evapotranspiração, emissoras de gás oxigênio para a atmosfera, inibidoras da contaminação da água de rios, lagos, lagoas...
Uma grande porção de área que já se tem para a pecuária no país esta em mal condição de uso, o que se leva a pensar que não é mais necessário o desmatamento para a realização da prática, e sim a melhor utilização da área já existente.
Entra assim a ideia da sustentabilidade, que muitas vezes confronta com o modelo de desenvolvimento de determinadas regiões, como o norte brasileiro que baseia-se principalmente na prática pecuária e extração de madeira.
Durante muito tempo, o veganismo e o hábito de alimentar-se de carne vem geram discussões e alguns mitos acabam por ser formados e estruturados no contexto cultural.
Acredita-se que desde que os ancestrais antrópicos estabeleceram a carne dentro da dieta, o trabalho do cérebro passou a se mostrar mais eficaz, e a evolução da estrutura do órgão acelerou, devido a presença de proteínas e nutrientes específicos da carne.
Mas levando em consideração a evolução do cérebro de outros mamíferos e animais carnívoros, seria isso compatível com a realidade? 
Acredita-se que o hábito de alimentar-se de carne contribuiu para a evolução do raciocínio lógico, com o desenvolvimento de técnicas e estrategias de caça e captura de animais, e quanto a isso acredito eu existir uma verdade. 
Mas do lado vegan também existem extremos, como a informação de que uma dieta baseada em carne e alimentos de origem animal aumenta a probabilidade da ocorrência de doenças degenerativas.
Sabe-se que o consumo de carne jamais foi um fator isolado, no que se refere a problemas como obesidade, aterosclerose, hipertensão...
A carne com certeza é uma importante fonte de nutrientes para o bom funcionamento do organismo, formação e estruturação de tecidos, e afastá-la de sua dieta pode trazer problemas como anemia, já que o ferro M encontrado principalmente na carne bovina é de mais fácil absorção pelo organismo do que o ferro encontrado nos vegetais. 
A substituição da carne bovina por certas leguminosas como o feijão é uma das maneiras vegan de suprir a necessidade do organismo pelo ferro. 
A vitamina B12 é também um nutriente de grande peso na carne como boi, peixe, ostra e produtos de origem animal como leite e ovos. 
Em vegetais ela pode ser encontrada principalmente em criações orgânicas, com alguma associação a microorganismos que secretam a vitamina, e cereais.
A carência da vitamina B12 pode principalmente levar a anemia e a problemas nervosos irreversíveis.
Para vegans, as fontes de vitamina B12 são principalmente cereais fortificados com vitamina B12, leite de soja fortificado e alimentos com glutem para simular a carne fortificados.
Além desses, é importante também a atenção a alimentos que contribuem para o aperfeiçoamento da memória e do raciocínio, como frutas vermelhas, folhas verdes (agrião, espinafre, rúcula)...
Uma dieta vegan equilibrada em cereais, grãos, nozes, frutos e vegetais é rica em carboidratos, omega-6,  fibra dietética, carotenóides, ácido fólico, vitamina C, vitamina E, e magnésio.
Um vegan pode levar a vida com boa qualidade, equilibrando uma dieta saudável.
Existe com certeza um grande extremismo, entro da filosofia de vida vegan, o que torna a questão polêmica, pois em grande parte gera-se um ativismo que confronta os ideais de modelo capitalista de desenvolvimento.
Não quero aqui deixar uma imagem hipócrita de minha pessoa, já que disse no início do texto que não sou vegan, apenas quero constatar a importância da luta por ideais, para mudar ao menos uma parte do mundo em que vivemos.

Fonte: Projeto Araribá. Ciências 7 série, São Paulo: Editora moderna, 2006

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Do sonho dos que não dormem.

Faz um tempo que não posto algo poético por aqui.
Hoje então farei isso.
Aos que acompanham o blog, peço desculpas pelo período que fiquei sem postar.
Não estava bem, mas já estou a me recuperar.

Madrugada adentro, sou assombrado pelos mesmos devaneios de outrora.
Invadem-me como o vírus transmissor de invasores, que com deleite sugam minhas frustrações transformando-as em poesias frustradas. 
Oh, quão prazeroso mostra-se para eles este trabalho diário. 
Este vômito desenfreado de palavras que nada exprimem mas que almejam tudo exprimir. Pensamentos que desconectados conectam-me, e que livres me sufocam, libertando-me quando presos. Dicotomia constante em minha inconstância.
Devaneios da madrugada. 
Os mais puros, e complexos...por serem puros.
Talvez por na madrugada ficarmos sós, em meio ao sono dos que dormem.
Em meio ao silêncio da cidade que não para. 
Que nunca para.
O silêncio que traz a insanidade.
Que transforma palavras no mais doce sentimento.
Doce e incompreendido sentimento.
E do corpo transborda a necessidade de descanso.
Descanso também da mente, que funciona a cada instante.
Que faz pensar.
Que faz sonhar.
Que venha o sono então.
Que se faça o sonho então.


Por Roberta Sisto e Flávio Ranucci.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Da Música de Quinta #4 e do direito visto como processo evolutivo.

Aproveitando a música de quinta, hoje quero postar o texto de um amigo. Espero que apreciem as palavras do Advogado, e curtam Titãs, que é a boa da semana!!! :D

O DIREITO VISTO COMO PROCESSO EVOLUTIVO

Jefferson Carlos Rabelo
Os estudos do economista austríaco Friedrich August von Hayek1 (1899-1992) têm como indispensável o conceito de “ordem” para o exame de todos os fenômenos complexos; basicamente, o papel que o conceito de lei desempenha na análise de fenômenos mais simples.
No caso, fala-se da ordem social, em que se inserem desde as instituições, inclusive jurídicas, até a ação do mais singelo dos indivíduos. No entanto, essa ordem – em que múltiplos elementos de vários tipos se encontram de tal maneira relacionados entre si – não surge de um contrato social, nem tampouco de ações humanas que, de modo intencional, vinham dando forma a ela.
Tal ordem e suas instituições surgiram de modo espontâneo. São o resultado da ação humana, porém, desprovida de intenção. Por um processo de tentativas e erros, instituições complexas e ordenadas floresceram de ações distintas de muitos homens que não imaginavam suas consequências. (HAYEK, 1985, p. 60.)
À medida que o tempo passa, os homens se deparam com contingências que cobram deles solução.  Daí por que afirmar que  a sociedade como ordem não tem início com o consentimento expresso ou tácito dos homens. Surge de um processo natural que, atado às necessidades humanas, foi dando forma às instituições como hoje conhecidas. 
Visão que tem raízes no Iluminismo inglês, em especial no escocês. Pensadores como Adam Ferguson, Adam Smith e David Hume acentuam o caráter dinâmico e espontâneo das relações humanas. Longe de cogitarem um modelo abstrato e engenhoso de sociedade, concebem mecanismo natural que afasta a noção de que alguma mente ou conjunto delas tivesse imprimido e moldado o conteúdo e forma das instituições, dentre as quais o Direito.
David Hume, por exemplo, em seu famoso ensaio Of The Original Contract, abole a teoria do contrato social, sustentando que é difícil conceber que um bando de selvagens em época imemorial pôde se associar e reunir forças para constituir o governo.  Segundo o filósofo, “quase todos os governos do presente originaram-se de usurpação, conquista, ou ambas as modalidades, sem que com isso houvesse alguma pretensão de consentimento justo ou sujeição voluntária das pessoas” [tradução nossa]. (HUME, 1996, p. 279.)
Já no ensaio intitulado Of The Origin of the Government, David Hume ressalta a inclinação do homem para constituir e manter vínculos sociais. Aliás, muito embora tenha sede de poder – uma das razões por que o filósofo não vê sentido na teoria do contrato social –, o homem por necessidade e, posteriormente, com o auxílio do costume, consegue refrear condutas já não condizentes com as contingências atuais, acentuando no lugar as que condigam com o momento.
Não é difícil conceber entendimento no sentido de que o mecanismo evolutivo se contrapõe a concepções antropomórficas sobre o surgimento da sociedade, a exemplo do contrato social. Na verdade, o aparecimento e aperfeiçoamento das instituições e práticas humanas obedecem a um processo de adaptação. Ou melhor, de seleção natural das mais funcionais ou condizentes com as exigências da realidade. Seleção que – diga-se – acontece pela imitação das instituições e hábitos que se consolidaram com o tempo, não tendo nada a ver com as propriedades físicas e hereditárias dos indivíduos.
Realmente, a concepção de seleção inserida no processo de evolução social não foi extraída das ciências biológicas. Pelo contrário, segundo Hayek, “não há dúvida de que Darwin e seus contemporâneos tiraram das teorias da evolução social a ideia de que fundamentaram suas próprias teorias”. E enfatiza o economista austríaco: “Infelizmente, num estágio posterior, as ciências sociais, ao invés de avançar em seu próprio campo, a partir deste ponto, tornaram a tomar da biologia algumas dessas ideias, adotando conceitos como ‘seleção natural’, ‘luta pela existência’ e ‘ sobrevivência dos mais aptos’, que não são aplicáveis a essa área; pois, no que diz respeito à evolução social, o fator decisivo não é a seleção das propriedades físicas e hereditárias dos indivíduos, mas a seleção pela imitação de instituições e hábitos que se afirmaram. Embora esse processo de seleção também dependa do êxito de indivíduos e grupos, o seu resultado não são atributos hereditários dos indivíduos, mas ideias e competência, em resumo, toda uma herança cultural, que é transmitida pelo aprendizado e pela imitação. (HAYEK, 1983, p. 61.)
Demonstra-se, com isso, que a ordem espontânea, que emerge da vida social, não é jamais produto de reflexão consciente. A propósito, ainda que o homem atue na formação e concretização de instituições e práticas (a exemplo do Direito), não o faz imprimindo intencionalmente seu conteúdo. 
O conhecimento humano é demasiadamente limitado, de modo que é impossível abarcar as consequências do processo de criação, desenvolvimento, transformação e extinção de instituições, costumes, práticas etc. Evidencia-se, assim, o quanto singela é a tradição de pensamento que concebe a ordem social como produto da mente racional ou do contrato social. 
Remontando às ideias de René Descartes, posteriormente desenvolvidas, em grande parte, por Thomas Hobbes (HARDIN, 1999, p. 9, 10 e 11), que tomara emprestado o método cartesiano da dúvida para utilizá-lo como critério das ações em sociedade, tudo o que não podia ser deduzido de premissas explícitas, isto é, que desse margem a dúvidas, tinha de ser rejeitado como “verdade”. Por conseguinte, as instituições e os costumes não podiam ser analisados senão pela razão mesma.
Só seria considerado de interesse, ou se preferir verdadeiro, o que passasse por esse critério eminentemente racional. A razão seria então capaz – por si só – de não só explicar tudo o que fosse pertinente à ordem social e suas instituições, mas também de recriar essa ordem do modo que lhe apetecesse.
Pelas próprias palavras de Hayek: “A partir daí, torna-se quase inevitável concluir que somente o que é verdadeiro nesse sentido pode levar à ação eficaz e, portanto, tudo aquilo a que o homem deve suas realizações é produto de seu raciocínio, assim concebido. Instituições e práticas que não tenham sido criadas dessa maneira só por acaso podem ser úteis. Essa se tornou a atitude característica do construtivismo cartesiano, com o seu desprezo pela tradição, o costume e a história em geral. A razão do homem, por si só, torná-lo-ia capaz de construir a sociedade em novos moldes. (HAYEK, 1985, p. 4.)
Por esse apego excessivo ao suposto poderio da razão, o Construtivismo Cartesiano acredita que o surgimento das instituições, a exemplo do Direito, aconteceu por desígnio humano: o conteúdo e a forma das instituições teriam sido moldados por uma mente racional, ou conjunto delas (contrato social).
Daí, o que não se encaixasse nos modelos abstratos elaborados pela razão tinha de ser descartado e considerado como mera superstição. Tradições e costumes que não estivessem acessíveis ao crivo desse método podiam ser lançados na vala comum do esquecimento, sob a pecha de crendice.4 
Não é à toa que pensadores franceses entendiam possível inocular na ordem social o conteúdo desejado. Tudo seria flexível o bastante para se encaixar nos esquemas racionais. O que explica dizeres tais quais os de Voltaire:

Se quiserdes boas leis, queimais as que tendes e fazei novas.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Do conto principal.


Existe uma maneira correta de utilizar-se da capacidade de raciocínio?
Esse tema já foi abordado em alguns posts (do uso correto da razão, do raciocínio antrópico e do seu legado, do falso senso crítico contemporâneo...), mas, atendendo um pedido especial, tentarei falar agora em forma de conto.

Há muitos anos, a dúvida vem a ser o empecilho existencial, ou a chave mestra para a evolução do pensamento.
Dependente de perspectivas, ela é subitamente condenada, e absolvida pela própria razão da busca por um conhecimento absoluto.
Mas se existe um conhecimento absoluto, estará ele algum dia acessível a nossa limitada capacidade de desvendar?
A história que quero contar reenquadra alguns personagens dos contos anteriores.

Há bilhões de anos atrás, surgiu das substâncias orgânicas na água que se acumulava no planeta, uma divindade.
Chama-se Vida.
A Vida iniciou um processo lento e contínuo, e deu a ele o nome de evolução.
Evolução é a maneira com que Vida lida com as transformações, e com o desenvolvimento que as suas obras sofrem no decorrer do tempo.
Mas a evolução, que jamais parou, deu a luz a duas garotas.
De início veio a Razão.
Curiosa, a Razão mostrava o interesse que obra nenhuma de Vida havia apresentado até então.
Daquela preocupação infindável sobre os misteriosos processos de Vida, logo nasceu uma irmã que caminharia para sempre ao seu lado.
Deu-se a ela o nome de Dúvida.
Manipuladora, Dúvida sempre deixara Razão confusa quanto a sua própria necessidade de compreender.
Da necessidade de compreensão, evoluiu o Pensamento, e para Dúvida as respostas deveriam começar a surgir a partir dai.
Razão pressionada por Dúvida questionou Vida enquanto divindade, e o modelo de compreensão universal agora se dividia em diferentes perspectivas.
Com isso sistemas complexos de crenças se formavam.
Assim nasceram  correntes filosóficas, cada qual estimulando Razão a novas formas de análise da realidade.
Assim nasceram culturas, englobando diferentes concepções da realidade e fazendo-as hábitos e costumes restritos.
Com essa expansão de conhecimentos, Razão passou a acumular valores e guardar princípios em um local a que chamava de consciência.
Vida percebeu que da manipulação da realidade surgira a discórdia, um mal que assola o mundo  trazendo o caos.
Cansada, Vida coloca Dúvida em julgamento, sob acusação de corromper Razão e manipular a realidade que um dia havia sido uma só.
- Estas sob minha acusação de ter corrompido a ingênua Razão, e partido a realidade em diferentes pontos de vista.
 Tu tens seu direito de defesa, e será exilada do meu sistema existencial se condenada pelo que julgo correto.
- Tu julgas?
Que interessante.
Uma divindade julga.
Antes responda-me que queres dizer quando fala em correto.
- Julgo pois sou autoridade maior.
A divindade que trouxe ti ao mundo.
Julgo pois sei o que corrompe esse mesmo mundo, que um dia teve paz.
...
- Não questionei a paz, eu questionei o correto.
Paz bem sei que se encontra no equilíbrio.
Agora, e o correto?
- As ações que se seguem para recobrar a paz.
- Ações para recobrar a paz...interessante.
E de que paz tu falas?
Razão levanta-se atordoada:
- Estas a me confundir ainda mais, irmã.
Disseste conhecer a paz, e agora questiona-a?
- Conheço eu a minha paz.
A sua já não sei,
Vida? Pouco sei também o que é para si a paz.
Razão senta-se e Vida interrompe o silêncio que envolve o “tribunal” por alguns segundos:
- Relativista você, Dúvida cruel, divide conceitos e corrompe o significado moral das coisas.
-Significado moral...?
Pare, irmã (Razão, inquieta, mais uma vez levanta-se), quero apenas compreender e não criar novas concepções para o que já existe.
- Talvez seja o relativismo o melhor caminho para que conheça sua própria verdade, Razão.
Surgi de ti.
De sua necessidade de encontrar, de sua curiosidade...
Vida interrompe:
- Surgiu de ti?
Eu sou a divindade!
Eu as criei!
Eu as coloquei no mundo.
São parte dos resultados da evolução.
- Mas desde que veio Razão, tu sentiu-se ameaçada pela capacidade de análise, pela curiosidade que mostrava-se liberta das concepções que criaste para explicar o mundo.
Sou resultado do processo a que chamas de evolução, mas além disso, sou o fruto que se formou da planta que Razão semeou.
Irrompe em raiva Razão:
- Tu perturba meu estado com o que proclamas.
Já não sei se o certo existe, e se o justo é o digno.
Já não sei em que acredito, e a consciência brota valores que nem mesmo sei de onde vieram.
Preferiria eu continuar a não saber de outras perspectivas.
- Questionando tu cultivara o que queres entender.
Saciará sua vontade de ir além do que sua observação permite chegar.
Irás então, em busca do esclarecimento.
- É necessário que Razão saiba lidar com sua capacidade, diz então Vida.
És necessário que deixes com que Razão reconstrua o seu equilíbrio.
O que tens vós a dizer sobre o esclarecimento?
- Razão estimulada a perguntas, vai um dia encontrar a sua verdade, e encontrando a sua verdade, encontrará o seu equilíbrio, e a paz que procura.
É o que faço com as suas obras contemporâneas, oh Vida.
Permito-as irem além do que tu permitiu que entendessem.
Tiro-as do estado de alienação que lhes era imposto.
Isso é buscar o esclarecimento preciso.
- Falas como se me fizesse o bem, tirando-me do que antes eu achava saber. Retorna Razão.
- Se não lhe faço bem agora, é por que lhe era comodo demais apenas consentir com as explicações que   foram dadas.
Mas comodismo não é a paz, e nem mesmo o equilíbrio que necessitas.
És ele apenas uma ilusão, uma maneira mais fácil de aceitar e achar-se mecânico quanto a complexidade das coisas.
- E desde quando isso mostra-se mal? Interroga  Vida.
- Desde que não se conhece o propósito real das coisas.
Desde que não exista o interesse por aquilo que lhe envolve.
Desde que não demonstremos o fascínio pela descoberta.
Ser isso, é ser mecânico.
Ser isso é ser preso, é restringir-se a um sistema que não se conhece.
- Dúvida, tu quebra o código moral, falando de coisas assim.
Minhas obras mais novas, hoje dividem-se em diferentes linhas de conhecimento.
A moral não é mais uma só, ela muda conforme os valores cultuados por um grupo.
- A moral se adéqua a diferentes linhas do saber que hoje existem, mas existe uma base inalterável nela, mesmo entre grupos diferentes.
- Questionando, tu trouxe ao mundo a garota que em crise encontra-se perdida.
- Chamo ela de Existência, e se tu não sabe a Razão já começava a semeá-la.
- Então condeno-te a caminhardes ao lado de Existência eternamente, mesmo tu sendo para ela um empecilho.
Ela buscará respostas, e tu, mesmo rejeitada não a deixara.
Razão aprenderá a utilizar-se de sua capacidade, e encontrar o seu equilíbrio para organizar o espaço a que tanto chama de consciência.
Razão agora terá que aprender a lidar com esse conhecimento relativista que tu impôs.
- E como lidarei eu com esse conhecimento?
O silêncio se refez, e após algum tempo Dúvida tomou a palavra.
- Tu governará consciência junto de Pensamento.
Tu serás facilmente corrompida, se não tiver o pulso que precisa para governar, mas também será corrompida se abusar de sua capacidade e rejeitar certos auxílios valorosos.
- De que tu falas?
- Saberás, se acontecer.
- Mas então deverei cuidar para que não me manipulem, e deverei deixar que me manipulem?
- Deverás deixar que auxiliem o seu governo isso não é uma forma de manipulação.
Manipular você também irá ao rei, e vos tirará a moral se não cuidar de sua capacidade adequadamente.
- E como me utilizarei adequadamente de minha capacidade?
Tens o que precisa.
Basta abrir a mente.
...
- Chega o Dúvida maldita, estas condenada ao exílio. Caminharás junto de Existência. Diz Vida intolerante e esgotada.
Dúvida hoje caminha junto de Existência, que precisa encontrar o sentido que considera absoluto.
Existência só encontrou a forma correta de sua busca depois que aprendeu a lidar com Dúvida, que mesmo rejeitada, continua ao seu lado.
Existência entendeu assim a paz quando encontrou a felicidade, que lhe mostrou o equilíbrio.
Vida involuntariamente não permitiu que Razão aprendesse a lidar corretamente com a sua capacidade, e esso foi o princípio do caos que indignificou consciência aos poucos.

A dúvida é necessária para a compreensão das coisas.
É a saída de emergência existente em um sistema organizado.
Mas ao mesmo tempo, a semeadora da discórdia, e propagadora caótica se não trabalhada dentro de um equilíbrio.
A razão é só um dos quesitos necessários para a consciência estabelecer esse equilíbrio moral humano.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Da evolução socio-científica assíncrona

Em várias vertentes de estudos em geral existem grandes progressos que ocorrem frequentemente em todo o mundo, como revolucionárias descobertas científicas e alternativas de caso e uso. Os indivíduos mais informados sabem que a ciência está em constante progresso e isso é o "level up" que faz com que a sociedade como um todo evolua, certo? Mais ou menos..

É fato que junto ao amplo mercado existe uma certa co-evolução entre tecnologia e consumidor. Enquanto em poucos meses os sistemas operacionais são constantemente atualizados ou a capacidade de armazenamento de dados se expande as pessoas estão sempre aprendendo a lidar com as novidades nesse sentido, muitas vezes a mercê de suas próprias vontades. Porém isso não passa muito dessa linha. Além do problema da inclusão social existe um outro fator que é muito mais grave e preocupante: a falta de interesse.

Como já foi bastante abordado em outros artigos e mesmo nos comentários desse juvenil blog, as pessoas - como manda a lei física de que tudo na natureza tende ao equilíbrio - buscam sempre o estado de repouso máximo, e nesse sentido todos estão em constante busca de aperfeiçoar o mundo, de maneira que aprendemos a lidar com ele com menos dificuldades conforme o passar dos séculos. É baseado na premissa da sustentabilidade que estamos fazendo essas coisas ou é apenas uma maneira de gerar lucro através das vontades da sociedade? Enfim, não é o foco agora.. É algo perfeitamente notável que existe uma decadência por parte das pessoas quando o assunto é informação. Tudo está a nossa mão (poxa, é a era tecnológica!), porém não estamos utilizando as ferramentas da maneira mais adequada.

Quando o assunto é ciência, o sistema de educação é baseado na explanação dos ocorridos dessa vertente como um todo. Porém existem variáveis de dinamismo para cada disciplina. Por exemplo, na área de estudos humanos um assunto pode ser abordado em um determinado momento e mais tarde sem sofrer grandes alterações, mas quando se trata de ciências biológicas e naturais o buraco é mais em baixo, visto o grande avanço dos estudos. Um bom profissional sabe que deve estar sempre alerta para as novidades do mundo acadêmico, visto que sua maneira de pensar é moldada no que lhe é ensinado.

Infelizmente eu percebi que é bastante incomum que as pessoas continuem se atualizando com as novidades que vem acontecendo nessas ocasiões, mas quando o assunto é trocar um carro por outro mais novo ou comprar um novo smartphone mais potente aí é outro assunto...

"Nos dias de hoje o aspecto mais triste da vida é saber que a ciência avança mais rápido do que a sociedade reúne sabedoria"
Isaac Asimov 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Do isolamento geográfico e dos mamíferos ovíparos da área continental Australiana .

A teoria evolutiva Darwinista é caracterizada por algumas evidências irrefutáveis, quando analisadas minuciosamente.
Dentre elas, esta a questão do isolamento geográfico.
O isolamento de uma região é constatado principalmente por parte de sua fauna e flora, exclusiva, e exótica.
Isso devido a um evento evolutivo denominado especiação, ou seja, formação de espécies a partir de uma espécie ancestral.
Para isso, os grupos variáveis da espécie original devem ser separados por um tipo de barreira natural, e assim, em diferentes locais, podem ser analisadas variantes de uma espécie com diferentes adaptações, de acordo com seu nicho em cada ambiente, como a ave Tentilhão de Galápagos que apresenta diferentes gêneros e espécies, com adaptações principalmente no tamanho e forma do bico, de acordo com o hábito alimentar em cada localidade encontrada.
Além do arquipélago de Galápagos uma outra região bastante interessante é a área continental Australiana (Australásica), na Oceania, que envolve a Austrália (país), a ilha da Tasmânia e outras ilhas cortadas pelos oceanos Índico e Pacífico.
Dessa forma, o mar torna-se uma barreira natural, que possibilita o isolamento geográfico de espécies, e proporciona a essa região uma fauna e flora bastante exótica.
Dentre elas,dou atenção especial aos monotremados, que compreende a curiosa ordem de mamíferos que botam ovo.
Além dessa característica única,os monotremados também possuem um esqueleto diferente em relação a outros mamíferos, mantendo adaptações reptilianas dos seus possíveis ancestrais, em especial a caixa craniana.
Os monotremados possuem glândulas mamárias, mas não possuem mamilos, tendo os filhotes de lamber a região em que a mãe produz leite..
Dentre os gêneros e espécies existentes de monotremados, destacam-se o ornitorrinco (Ornithorhynchus anatinus)  e a équidina (Tachyglossus aculeatus).
O ornitorrinco compreende um animal peludo, característica especial dos mamíferos, com focinho em forma de bico de pato e membranas interdigitais nas patas dianteiras principalmente, assemelhando-se a um pé de pato.
É um animal semiaquático de hábito noturno, e carnívoro, se alimenta em geral de insetos, e pequenos crustáceos de água doce, e por isso vive próximo a rios, córregos, lagoas e lagos.
O macho possui esporões venenosos nas patas, que estão relacionados a defesa territorial e contra predadores.
Em geral o tamanho varia em relação ao sexo, sendo o macho maior do que a fêmea.
O ornitorrinco possui olhos em região posterior ao focinho,e não possui orelhas externas.
Sua longevidade pode variar de onze a dezessete anos, e possui como inimigos naturais raposas, serpentes, cães, gatos, aves de rapina e o homem.
O outro monotremado chamado de équidina possui também focinho em forma de bico de pássaro  e um corpo recoberto por espinhos.
É exclusivamente terrestre, podendo viver desde florestas, até desertos e regiões montanhosas, se alimenta de vermes, e insetos, principalmente cupins e formigas, tendo um focinho cônico com essa  função específica, e também uma longa e viscosa língua como nos tamanduás.
Sua longevidade pode variar no ambiente natural e em cativeiro, tendo já relatados espécimes que atingiram 50 anos em cativeiro.
Os espinhos apresentam cerca de 6 cm e em decorrência disso, seu único inimigo natural é o homem, sendo a carne muito apreciada.
Certos fatores se tornam essenciais, para a relevância e compreensão de uma teoria. O isolamento geográfico com certeza é um dos maiores pontos de esclarecimento da teoria Darwinista.






quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Do amor fora de funções bioquímicas e da Música de Quinta #3

Bom, há alguns posts atrás eu explanei sobre o amor, dentro das funções bioquímicas que o envolve, (da bioquímica do amor), hoje, aproveitando o dia da musica da semana, que decidi ser Nazareth, e atendendo um pedido especial, falarei sobre o amor, fora desse complexo de funções e termos científicos. Confesso achar mais fácil passar a visão cientifica...não me considero uma pessoa romântica.
O que é o amor?
Um sentimento?
Na verdade, prendendo-o a um simples sentimento a noção perde o foco singelo e poético de algo que pode transformar uma pessoa, levando-a a realizar feitos que  em qualquer outra condição, seria loucura se os fizesse.
Abrangente, o amor vai além daquilo que ocorre entre duas pessoas quando se apaixonam.
Na verdade a paixão é apenas um estágio, que evolui para algo mais sólido.
Tenho a paixão como uma primeira ilusão. O contato impreciso.
O apaixonado(a), não tem a ideia real daquilo que vê.
Isso, por que os sentimentos, na minha opinião são traiçoeiros.
A paixão é idealista, é utópica, submetida a ela, uma pessoa se esquece de defeitos, e passa a encarar apenas as virtudes da pessoa pelo qual se apaixonou.
Com o tempo, esse estágio vai passando, e uma coisa sólida se forma, seja ela uma frustração, decorrente de uma grande decepção sofrida pelo apaixonado, seja ela o amor, aquilo que se concretizou entre as duas pessoas, e agora é a parte que une as mesmas.
Amor não correspondido é platonismo, outra forma utópica, mas reservada de expressar uma forma diferente de carinho por alguém  que pouco sabe que você existe.
Encarar o amor platônico como idiotice, pode ser o mesmo que tomar leite com beterraba.
Muitos dizem ser estranho, mas um dia irão provar um pouco que seja.
O amor é a união dos sentimentos desencadeados pela paixão, ou a evolução do respeito e afeto, que existe em laços familiares e de amizade.
O amor é um sistema lógico e preciso que correlaciona distância e saudade, provocação e afinidade, loucura e distração, amizade e palavrão.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Da morte e da perda de um ente querido


A complexidade da vida nos leva a questões e reflexões profundas em busca de um sentido sólido.
Desde o surgimento da dúvida, a morte vem a ser um dos maiores enigmas que desafiam o racionalismo humano.
O que seria afinal, a morte?
Apenas um processo natural pelo qual todos os seres vivos estão fadados a passar?
Essa explicação traz apenas o sentido biológico para algo que vai além da nossa capacidade de observação e compreensão.
A morte é um medo.
Não um medo que nos é inerente, pois acredito eu, não se nasce conhecendo-a, mas um medo cultivado ao longo do tempo.
A morte, além do medo, é uma frustração, pois todos lá no fundo possuem o desejo, mesmo que ínfimo, da imortalidade.
Não apenas a própria imortalidade, mas principalmente a das pessoas a que se ama profundamente.
Afinal, quem nunca desejou ter sempre por perto os entes queridos, as pessoas que lhe ensinaram o que é a vida, e que passaram os melhores e piores momentos ao seu lado.
A perda de um ente querido nos ensina o quanto a morte é indesejável, e ao mesmo tempo inevitável.
Diferentes culturas trabalham um conceito de vida após a morte.
Talvez tenha esse hábito o intuito de confortar a dor da perda.
Talvez tenha esse hábito um intuito de restringir as pessoas enquanto vivas, levando-as a uma reflexão quanto as causas e conseqüências de suas ações.
Talvez tenha esse hábito o intuito de simplesmente comportar algo que jamais compreenderemos verdadeiramente.
Compreender que mesmo após a morte, um ser vivo continua a ser peça importante em um processo de transferência de matéria e energia, não completa a lacuna deixada por aquele que se foi.
A dor da perda é uma verdadeira lástima.
Covardia essa da vida, nos aproximar de pessoas e torná-las queridas, e depois levá-las embora sem uma explicação absoluta.
A um ano atrás perdi uma das pessoas que mais amei nesse mundo, mesmo sem saber como demonstrar corretamente isso.
Dedico essa reflexão e o seguinte poema a essa pessoa que me ensinou boa parte do que eu preciso para me tornar uma pessoa digna e integra.

Hoje o que é saudade,
foi um dia uma doce realidade.
Definir saudade é definir uma dor.
É um sentimento puro,
uma ferida que cicatriza na memoria,
e fica assim,
marcada para sempre.
Mas nem o para sempre é eterno,
talvez o sempre seja curto demais,
apenas enquanto houver vida,
até quando o ar me for necessário,
lembrarei de ti.
Depois disso descubro,
se ainda existe sentimento,
se ainda existe dor,
se do necessário ainda necessito,
se a eternidade é correlacionada com o infinito,
o valor de meus valores.
Mas se a incógnita ainda restar,
espero por ti,
para me explicar tudo novamente.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Da lenda de sangue.

Fortalecido por mitos, algo pode ultrapassar a barreira do tempo, e sobreviver as adaptações de cada geração.
Assim é uma lenda.
Caminhando por séculos e espalhando fascínio.
Imortal é a lenda.
Desde tempos bastante remotos, um personagem sangrento ocupa o seu lugar em meio a diferentes culturas, instigando a curiosidade, e provocando o medo.
Em sua essência o vampiro é um personagem folclórico principalmente de culturas europeias e asiáticas.
Uma criatura demoníaca, morto vivo, sugador de sangue que levanta de seu túmulo ou caixão a noite para alimentar-se de sangue humano.
A vítima gradualmente transforma-se em vampiro após a morte.
Em geral algumas características fazem parte da tradição dos vampiros, dentre elas a intolerância a luz do sol e crucifixo, o que torna o vampiro uma criatura das trevas, obscura e amedrontadora.
Acredita-se que a lenda dos vampiros, ganhou muita força desde a época medieval, em decorrência do predomínio de uma doença, que provocava uma queda na quantidade de sangue de uma pessoa, gerando desequilíbrios psicológicos, levando o doente psicótico a alimentar-se de sangue de outros animais.
Hoje faz-se relação entre essa doença medieval e a Porfiria, anomalia genética rara, onde um constituinte da hemoglobina (importante proteína encontrada nas hemácias e que transporta o oxigênio através da corrente sanguínea para outras partes do corpo) não é produzido corretamente, gerando dentre outros sintomas, distúrbios mentais, alterações de personalidade, sensibilidade a luz...
Anos mais tarde a raiva também gerou grande impacto para a difusão da história dos vampiros. Afetando o sistema nervoso central, essa doença viral gera principalmente o retardo mental do indivíduo.
O doente de raiva pode ser levado a morder outras pessoas, e possui hipersensibilidade a luz, reflexo, odores fortes e água (por isso é também chamada de doença hidrofóbica).
Alguns personagens ganharam fama de vampiro ao longo da história, como o cruel conde romeno chamado Vlad Tepes, que governou uma região denominada Valaquia, em meados do século XV, muito conhecido pelas punições a que submetia seus prisioneiros.
Registros contam que entre seus atos de tortura, o principal era o empalamento das pessoas, por vezes famílias inteiras.
Reza a lenda que Vlad ao anoitecer saboreava seu pão molhado ao sangue de suas vítimas.
Vlad é dono do Famoso mito do Conde Drácula, o príncipe das trevas.
Conta-se que entre seus atos hediondos, Vlad conseguiu acabar com a pobreza em 1 dia, convidando todos os miseráveis do reino para jantar, e ao chegarem, Vlad trancou-os em um local e ateou fogo.
Isabel Bathory ou Elisabete foi uma Condessa Hungara que viveu entre os séculos XVI e XVII, e também ganhou muita repercussão, devido a seus atos cruéis.
Diz-se que o notório sadismo ia desde punição a aqueles que infringiam suas regras ditadas, até sua obsessão pela beleza.
Despia seus empregados e fazia-os caminharem na neve, cobria o corpo de suas vitimas com mel e os deixava a merce de insetos...Tinha como empregados principalmente mulheres jovens.
Segundo a lenda certa vez Elisabete estava a ser penteada por uma de suas empregadas jovens. Acidentalmente esta puxou seu cabelo, e foi quando a condessa virou-se e espancou a criada.
Com sangue da jovem nas mãos Elisabete esfregou e passou ao rosto, tendo a impressão que aquele liquido viscoso lhe rejuvenescia.
Após esse incidente, ela passou a banhar-se em sangue dos seus prisioneiros.
Com isso, Elisabete ficou conhecida como "condessa de sangue"
Conta o mito dos vampiros que o personagem bíblico Caim, como punição por assassinar seu irmão Abel, foi transformado em uma criatura horrenda, imortal, que perambula pelo mundo. É dado a Caim o título de primeiro vampiro da história.
Com o passar do tempo, a superstição transferiu os vampiros para a literatura, com livros de grande sucesso como o Drácula de Bram Stoker, personagens de quadrinhos, onde acabou por ganhar uma certa fama de fofinho e bonzinho, jogos de RPG, e a gloriosa sétima arte com filmes que marcaram época, como Nosferatu na década de 20, Drácula, filmado na década de 30 e muito bem refilmado mais recentemente, Entrevista com o vampiro nos anos 90 (filme fantástico), garotos perdidos (nostálgico), e muitos outros.
Atualmente, acredito eu, os vampiros encontram-se em baixa, devido a própria adequação do contexto social ao mito, dando ao personagem um caráter mais romântico, e encobrindo toda aquela essência obscura e magnifica da própria lenda.
Nada contra adaptações, acho sim que as coisas precisam mudar, de acordo com o que o público pede, entretanto acho que isso deve ser feito de forma cautelosa, para que a tradição não se apague, e não desagrade aqueles que tanto apreciam a versão original de um personagem tão fantástico.
 Mas, como tudo possui um lado positivo, essa adaptação pode também ser vista como uma forma de incentivo a leitura pelos adolescentes.







sábado, 12 de janeiro de 2013

Do reino consciência.

Quem nunca passou por momentos em que desejou não ter o peso de uma responsabilidade sobre si?
Quem nunca teve que escolher entre o certo e o errado, e no meio termo encontrou a duvida orientando-lhe a uma nova reflexão?
David enfrenta um problema.
Quando se tem 15 anos de idade, costuma-se pensar que o mundo é o problema, e tudo se transforma em revolta e injuria. Costumam chamar a isso de rebeldia adolescente.
Para David, o problema rouba um pedaço de si, algo que ele não sabe explicar o que é, mas tem certeza ser muito valioso.
Por vários dias procura por uma solução, que nem se quer sabe se existe, apenas procura.
Perdido em perguntas e respostas, David sente uma dor diferente, que martela em sua cabeça, e o leva ao choro.
Um choro diferente, um choro preocupado...
- Não sei dizer se existe uma hora apropriada para alguém chorar...mas as 4 da manhã é no mínimo estranho.
- Oi pai...
- Esta triste meu filho...
- Não.
- Quer me deixar ainda mais preocupado?
- Legal, assim dividimos problemas e preocupações...
- Não sei se quero dividir meus problemas com você.
- É, e eu não sei se quero ser mal a ponto de passar o peso de minha responsabilidade para outra pessoa.
- Do que você esta falando?
- De uma escolha...
- E a escolha certa faz de você uma pessoa mal?
- Dependendo de uma perspectiva sim...
Aliás, olhando por um lado, eu nem sei se existe uma escolha certa...
- Entendo...
- Entende???
Você nem sabe a que eu me refiro...
- Mas entendo o que quer dizer, mesmo sem ter uma noção do conteúdo de sua preocupação.
Deixe-me contar-lhe uma história.
- Pai...
- É só uma história, que talvez ajude...ou talvez apenas piore o seu estado de espirito.
- Como assim???
Você não sabe se algo vai me ajudar, e ainda assim vai fazer?
- É muito difícil dizer o que faz bem ou mal, talvez algo faça bem de inicio e depois de um tempo, a pessoa se arrepende do que fez, talvez algo faça mal, mas passe uma lição valiosa, talvez você ainda não conheça a melhor aliada sua em uma situação difícil...
- ...
- ...Bem ao longe, existe um lugar, pouco explorado pelas pessoas.
Um reino chamado Consciência.
-Pouco explorado??? ...
- Shhhh...
- Ok...
- Consciência é governado por Pensamento, um rei que já enfrentou muitas batalhas, e sempre manteve um modelo ideal de liderança.
Mas há algum tempo ele vem enfrentando uma doença, um câncer que rouba-lhe a vida aos poucos, alastrando-se e corrompendo sua moral.
De onde vem a doença que indignifica um homem poderoso?
Existiria a cura ideal para um ser humano sem moral?
A rainha Razão pergunta-se aos prantos, enquanto vê Consciência, aquela terra pela qual seu marido tanto lutou, praticamente desgovernada, envolvida ao caos e a discórdia.
Para Justiça, conselheira do rei, em algum lugar do tempo pensamento perdera o controle de si mesmo, Justiça chama o câncer de ganancia, e diz isso ser algo que vai além da própria busca pela cura, algo que vem de dentro, que nasce e em um momento oportuno desenvolve-se.
Razão sempre tentou entender os ideais de Justiça, mas em algum ponto, questionava sua verdade.
Justiça tenta explicar sobre flexibilidade de ideias, mas para Razão isso vai além do que ela pode compreender.
Um jovem cavaleiro se apresenta a rainha, dizendo conhecer a origem da doença que afeta o rei.Chama a ele próprio de Sentimento, e se diz tão importante quanto Razão para colocar uma ordem em consciência, e ajudar o rei a recuperar-se do mal.
- Eu mal lhe conheço, mas já ouvi dizer de suas andanças.
- Eu viajo pelo reino, buscando pela paz que as pessoas precisam sentir.
- Não entendo de paz, desde então, veja só o mundo que estamos.
- A paz não é um objeto, pois um objeto pode-se ver e tocar, a paz se sente, lá dentro.
-Dentro de...?
- Dentro do reino, dentro das pessoas...deixou de existir a paz, quando o rei deixou de tentar entender Justiça.
- Justiça sempre foi muito apreciada pelo rei, até que começou a mostrar-se confusa, perante aos olhos dele, e aos meus, parece que seu modelo não mais se encaixa a visão do reino.
- A Justiça não se mostra evidente, mas deixa traços da verdade, a verdade que muitas vezes fingimos não ver por ser dolorosa demais, a verdade que muitas vezes eu mesmo não suporto.
- Eu jamais deixei de suportar a verdade, eu idealizo a verdade, sou mais dura do que ela.
- Então admita que precisas de mim para reconstruir o reino, e combater o mal.
- Por onde pretendes começar, caso eu aceite sua proposta?
- Por você mesmo, e depois por mim.
- Como?? Estas a dizer que vais mudar suas ideias antes de colocá-las em prática?
- Antes eu preciso conhecer você, para depois adaptar as ideias aos seus ideais, e aos meus princípios.
O rei além de Justiça, também tem a você como modelo de governo, questionando aos ideais de Justiça, você manipula a moral.
- A moral não mais existe, não há como eu manipulá-la.
- A restauração da dignidade do reino, traz de volta a moral perdida pelo rei, reintegrando seu caráter e a sua capacidade de governar.
- Estas a dizer que perdendo a moral, perde-se tudo?
- Perde-se a paz, e a ausência de paz desintegra a esperança, Consciência precisa sentir a paz, para renovar a esperança.
- Falas de Consciência como se fosse uma pessoa, és louco?
- Sua casa é a minha casa, e precisamos mantê-la limpa e tranquila, para que bem possamos viver.
- É...acho que entendo...
Que matem Sentimento e Justiça, por tentarem corromper o governo de Consciência.
E assim, sem requisitos de Sentimento, e os ideais de Justiça, Consciência é uma terra perdida, arrasada pelo mal que Razão sozinha jamais conseguiu deter.
- Pai, você me preocupa as vezes...acha mesmo que eu vou conseguir dormir após essa história maluca?
- Não é uma história para dormir, já que dentro de 30 minutos você apanhara se não estiver a caminho da escola, e sim para refletir...pense, e analise não só por um lado as coisas, pois elas não são apenas o que parecem ser ou o que queremos que elas sejam.
A consciência é aquilo que sentimos quando a responsabilidade pesa, é a verdade que martela em sua cabeça enquanto você reluta em escondê-la, são os sensos de ética e moral que formulam a educação de cada um, e a necessidade de respeito que faz de você sempre alguém melhor, resumindo, ela é o mapa mental que lhe conduz a justiça, e consequente felicidade.
- Obrigado pai...
-Vá se arrumar David...
- Não quer ouvir sobre o meu problema?
- Depois de você tomar a decisão que considera mais justa, agora vá se arrumar.







quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Da Música de Quinta #2

Cá vos volto, ó seres que ainda tem saco para acessar este humilde canto de reflexão que é o nosso blog. Hoje é quinta, e como pede a nossa tradição milenar risos é dia de postar uma música. Atendendo pedidos especiais hoje, aí vai uma música do cenário indie pop. Enjoy!


Quem quiser mandar sugestões de músicas pra gente, a vontade pra comentar!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Da História do Cinema

Já que o chefe ainda não voltou de viagem, cabe a mim a tarefa de trazer-lhes o conteúdo deste bloguito mais uma vez, rs. Hoje vou falar brevemente da história de uma das artes que mais me encantam: o Cinema. Vamos lá!

Com o passar dos milênios, a arte começou se desenvolver em vários aspectos nas suas sete vertentes, as famosas sete artes, a saber: pintura, música, literatura, escultura, teatro, dança e cinema. Como já disse, neste post em especial darei ênfase na história deste último.

Desde os tempos mais remotos o homem decidiu representar em forma de desenhos a vida que levava a fim de registro ou por motivos ritualísticos. Isto é relatado de cavernas que até os dias de hoje apresentam pinturas rupestres em suas paredes. Os homens utilizavam de pedras ou chifres para riscar as gravuras, ou de uma tinta composta a base de argila, sangue e excrementos de animais. Ao longo do tempo a vontade de representar o movimento foi gerando várias vertentes, sendo a principal delas o teatro.

Por volta de 5000 a.C. surgiu na China uma dessas vertentes que era chamada de jogo de sombras. Isso consistia na representação de uma história a partir da projeção da sombra dos atores e de objetos sobre uma tela de linho branca. Este teatro de sombras é considerado um dos mais antigos precursores do cinema.

Por volta do século XIX os estudos sobre a análise do movimento foram bastante explorados, sendo o grande nome dessa base de foco o físico inglês Peter Roget, que em 1824 publicou um artigo na qual explanava que a retina possui a capacidade de reter a imagem em uma fração de segundo. Dessa forma uma sequencia de imagens que possuam uma continuidade visual e se alternam rapidamente podem formar uma percepção de movimento. Assim surgia a animação.

O primeiro aparelho que representava esse fenômeno de animação foi inventado em 1831, pelos doutores Joseph A. Plateau e Simon Rittrer. Tratava-se de um objeto constituído por um disco e 16 imagens contínuas, de maneira que ao girar o disco o movimento poderia ser perceptível. A este objeto deram o nome de fenacistoscópio. Alguns anos mais tarde o fotógrafo Eadweard Muybridge continuou o legado das animações com suas sequências de fotografias e imagens. Muybridge foi um dos grandes nomes da história do cinema, pois além de seus trabalhos com animações diversas também foi o precursor da película utilizada para passar os filmes.

Fenacistoscópio de "A Couple Waltzing" por Eadweard Muybridge, 1893

Em 1889 Willian Dickson, assistente do famoso inventor Thomas Edison construiu o cinetoscópio, uma máquina com várias engrenagens e rolos de películas de celulóide com imagens que era possível observar em movimento através de uma abertura. Black Maria (1890) foi um filme criado por Edison no cinetoscópio e considerado o primeiro filme da história do cinema. Edison tentou sincronizar um aparelho de som ao invento, porém sem sucesso. Além disso, apenas um espectador poderia ver o filme por vez.

Filme em cinetoscópio "Anne Oakley" por Thomas Edison, 1894

O problema de exibição pública foi resolvido em não muito tempo depois. Em 1895 os irmãos franceses Auguste e Louis Lumière inventaram o cinematógrafo, que consistia de uma máquina movida a manivela que projetava imagens de películas sob uma superfície visível a quem quisesse. Em 27 de dezembro do mesmo ano os irmãos Lumière realizaram a primeira exibição pública dos seus filmes, sendo o mais famoso o "Chegada do Trem a Estação" que impressionou os 33 espectadores que o assistiam. Nascia ali a sétima arte: o cinema.

"L'arrivée d'un Train en Gare de la Ciotat" por Auguste e Louis Lumière, 1895

Com o passar dos tempos, vários cineastas foram surgindo e o cinema mudo explodia em todos os cantos do planeta. Vários documentários, filmes e seriados foram produzidos no início do século XX. Em Hollywood, distrito de Los Angeles nos Estados Unidos surgiam as primeiras grandes indústrias cinematográficas, como a Keystone Company (de  Mack Sennett, que descobriu os talentos Charles Chaplin e Buster Keaton), a Famous Players (atual Paramont) e a Fox Films Corp. Até os tempos atuais Hollywood é considerado o maior polo cinematográfico do mundo.

Na década de 20 vários gêneros de filmes começavam a ganhar fama, como comédia, drama, policial e western. A comédia foi bastante popularizada por Charles Chaplin, que com um ótimo treinamento de mímica representava cenas de um desastrado no cotidiano. Em 1928, Walt Disney criou o primeiro desenho com som em sincronia.

"Mickey Mouse: Steamboat Willie" de Walt Disney, 1928

Na década de 30 o cinema falado foi a grande bola da vez. Os filmes foram cada vez mais aclamados e surgiram vários novos gêneros, como os musicais e desenhos animados. Durante o regime de guerra os nazistas chegaram a utilizar o cinema como maneira de publicidade do movimento na europa, com filmes que retratavam seus interesses e ideais. Depois da guerra, o cinema ressurge mais forte do que nunca, com o surgimento dos cinemas novos.

Desde os meados do século XX vários filmes foram surgindo, e com eles vieram os clássicos também. Nomes como Martin Scorsese, Stanley Kubrick, Francis Ford Coppola, Woody Allen, Terrence Mallick, George Lucas, Alfred Hitchcock, Steven Spielberg, Tim Burton, Clint Eastwood, Robert Altman, Quentin Tarantino, Robert Rodriguez, Roger Avary entre vários são considerados os melhores diretores de todos os tempos. Suas produções e roteiros são registros de uma ótima evolução desta nobre arte.

Fontes de pesquisa

ITP - Tisch School of the Arts. History of animation. Disponível em http://itp.nyu.edu/~mp51/methodsofmotion/historyofanim.html

Webcine. História do cinema. Disponível em http://www.webcine.com.br/historia.htm