sábado, 16 de fevereiro de 2013

Do modelo de ensino e seu papel formador.


Bom, eu sei que hoje não é quinta e assim não é o dia da música da semana, mas quero aproveitar o tema para abordar também esse clássico do rock progressivo dos anos 70.
A educação é uma base de formação civil e intelectual pelo qual o indivíduo deve passar.
O racionalismo humano traz a tona uma organização social complexa, o que exige das pessoas esse processo contínuo de moralização adequado a transformação de um conjunto de ordens imposto nessa organização.
A isso da-se o nome de cidadania.
A exerção da cidadania esta ligada portanto a adequação do indivíduo a vivência social, mas também a capacidade do mesmo em transformar o sistema ao qual esta submetido, e é dever da família e do estado promoverem esse processo de formação e adaptação.
Com base nisso e nos processos de ensino e aprendizagem, a escola tem o papel fundamental de preparar o indivíduo para a vida. Para o mundo.
O sistema de ensino apresenta diferentes tendências que se ramificam em vertentes relacionadas ao modelo sócio-econômico de uma cultura propriamente dita.
A música em questão, muito boa e clássica da banda Pink Floyd faz uma crítica ao modelo tradicional pedagógico.
Esse sistema pedagógico em suma é voltado a simples adequação do indivíduo dentro de uma  sociedade de classes.
Por conta disso é visto como uma forma de alienar a “massa” uma vez que restringe o processo de ensino a preparação do indivíduo a desenvolver um papel na sociedade que no geral é baseada na propriedade privada dos meios de produção.
Sendo assim esse é um modelo propriamente capitalista, pois segue uma tendência pedagógica liberal.
A educação tradicional no geral transmite a imagem do professor como mentor, dono do saber, e o educando enquanto ouvinte e aprendiz.
No início dos anos 60, Paulo Freire deu início a uma tendência pedagógica progressista.
Enquanto a pedagogia liberal propõe a adaptação do indivíduo a sociedade de classes, a pedagogia progressista pressupõe também uma análise crítica do sistema capitalista.
Dentro desse modelo o aluno não tem mais o simples papel de ouvinte, mas de colaborador no processo de ensino, e por de alguma forma fazer com que o aluno pense, e desenvolva um senso crítico essa pedagogia é também chamada de “ libertadora”.
Mesmo com a mudança de ideais que ocorrem ao longo do tempo, a pedagogia liberal ainda apresenta grande influência como modelo de ensino, sempre deixando transparecer o sistema predominante que governa o mundo.
Nos últimos tempos a educação brasileira tomou um outro rumo, cobra-se mais das instituições de ensino (em especial o ensino público), do que da própria família quanto a formação dos jovens.
Isso é o reflexo mais claro de uma inversão de valores eminente.
O professor nesse caso toma caráter de um profissional multifuncional, o que contribui para uma desvalorização da classe e consequente decadência da qualidade do sistema de ensino no país.
Por conta dessa inversão de valores, a temática é um sistema de ensino público integral, onde o jovem passará maior quantidade do tempo na escola do que na própria casa, junto dos pais.
Sem falar que a estrutura e o modelo no país esta muito longe do adequado para comportar um sistema de ensino público integral.
Esse é o mesmo modelo de educação que “empurra” o aluno para frente, sem que o mesmo tenha recebido a preparação adequada para encarar a sociedade com olhos analíticos e questionadores.
É mais fácil governar pessoas submissas, do que subversivas.
Uma educação baseada na quantidade de pessoas formadas, e não na qualidade de formação.
Um sistema baseado em números, que combate o analfabetismo, com o “analfabetismo funcional”, que transforma a escola em uma espécie de refugio e entretenimento para o aluno, e não um ambiente de trabalho e aprendizagem.
Viver em meio a essa realidade faz o professor sentir-se escravo de um sistema manipulador e reacionário,  o que o leva a desilusão de uma carreira idealizada com sonho e expectativa.




4 comentários:

  1. Um tema muito bacana, mas a falta de tempo me impede de tecer comentários maiores. Por isso, vou direto ao ponto: Paulo Freire é um enganador e parte dos problemas que a escola brasileira(pública e privada - já que estas formam para o Enem e vestibas e não para a "vida")atravessa, no quesito processo de ensino-aprendizagem, deve-se à ele! Foi um doutrinador (não escondeu de ngm, basta uma pesquisa na internet, único aspecto positivo)e, nesse sentido, o modelo de escola que ele defendia não é mais libertador do que o tradicional (após Paulo Freire é chamado de "alienador"). Fora que não ajuda na aprendizagem das ciências: Onde está a luta declasses no processo de fotossíntese? Ou na matemática? Não é à toa que os alunos que geralmente vão melhor no enem são aqueles que sabem pouco, mas incorporaram o discurso esquerdalóide freiriano. Poderia escrever mais, mas passemos para a outra parte do problema: A escola, enquanto instituição, existe para atender ao Estado. Antes ela tinha uma função, hj tem outra e vc colocou muito bem (transformar a população em uma manada obediente). Em todo o caso, é fato que o ensino, apesar dos poucos resultados, funcionava bem antigamente e hj nao mais. Ao invés de fazer o aluno se desenvolver e correr atrás ( oque é possivel, mesmo considerando as péssimas estruturas escolares), se repete o discurso de que "são explorados, coitados, é por isso que vcs são pobres e não tem educação de qualidade", fingindo-se que esse discurso é libertador, enquanto que é tão alienante quanto qualquer outro. É como se a escola fosse capaz de fazer o aluno aprender , sem o esforço dele. É por essas e outras que eu, apesar de professor, sou favorável ao Homeschooling.

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  3. Sempre trazendo boas discussões a tona...concordo em partes Viny. Eu não quis estender muito o texto em si, mas teria uma crítica também a ser feita a pedagogia de Paulo Freire, e essa seria justamente voltada ao ensino de ciências, do qual tal pedagogia não é propriamente aplicável (sou professor de Biologia).
    Mas a intenção era mesmo colocar os dois pontos (tradicional e progressistas) e explanar brevemente sobre os dois, de certa forma critiquei o modelo tradicional, pelo fato de ser o mesmo criticado no clipe que postei.
    Não sei se concordo que a pedagogia de Paulo Freire não é mais libertadora do que a tradicional, já que ela esta mais voltada a análise crítica da sociedade do que a outra.
    Ensino de ciências é preciso ser feito com a prática em laboratório, e infelizmente a educação pública principalmente, não te estrutura adequada para isso.
    O ensino de Ciências naturais, assim como exatas não deve ser feito em cima de uma análise crítica da sociedade, mas sim do próprio processo, por exemplo, ano passado estava eu trabalhando fotossíntese, e alguns alguns alunos questionavam se realmente era liberado algum gás (O2) como resultado do processo, pesquisei uma prática e os levei ao laboratório para visualizarem a liberação de oxigênio de uma planta aquática. Isso é um exemplo de aplicar o senso crítico dentro do ensino de ciências.
    O Enem hoje esta voltado para a prática cotidiana, e isso também me frustra muito
    Eu posso ser adepto de um ensino construtivista, ou seja, trabalhar em cima da concepção primária que o aluno tem sobre algo, e aperfeiçoa-la enquanto conhecimento científico, mas é claro que não acho que esse conhecimento prévio deva simplesmente prevalecer sobre o conhecimento científico, o intuito disso é que o aluno entenda como funciona tal coisa, e o por que funciona daquela forma.

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  4. Aaaahhh, só pra constar, eu não sou a favor da homeschooling cara...acho que a escola enquanto instituição ainda tem um papel fundamental na formação do indivíduo. Educação vem de casa, trabalha-se os preceitos éticos, morais, e a escola contribui para a formação da cidadania, com o desenrolar do pensamento e da análise enquanto contribuição intelectual.
    É necessário um profissional especializado a trabalhar o desenvolvimento intelectual do indivíduo Viny.
    E outra, a escola também trabalha o convívio social, como trabalhar o mesmo dentro de casa, em uma condição, digamos que, isolada?

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