Esse foi um tema parcialmente abordado em dois posts não específicos
(da evolução humana e do seu hábito alimentar, da vivisecção e das pesquisascom animais em laboratório), não sou vegan mas atendendo a um pedido especial,
vou agora falar sobre esse estilo de vida pelo qual tenho bastante simpatia.
A carne é uma verdadeira necssidade em nosso quadro alimentar?
Essa é uma questão de difícil resposta, visto que o hábito alimentar
humano é extremamente diversificado.
Baseado nos costumes de determinadas regiões, chego a dizer que a
carne deixou de ser uma necessidade e hoje é algo mais complexo do que isso, esta
ligado ao aspecto cultural de um povo.
Tão verdade isso, que certas culturas abstem-se de carne de algumas
espécies animais, por venerá-las como intercessores de Deuses.
Certas tradições não se permitem a ingestão de animais, pelos mesmos
serem capazes de sentir dor.
Por outro lado, outras culturas estendem dentro de seu costume uma
culinária incrementada com grande diversidade de animais, formando pratos
exóticos e típicos.
A alimentação em termos gerais
acaba por tomar um sentido prazeroso, e ai torna-se envolvida não só por
questões relacionadas a saúde e qualidade de vida, mas também por dilemas
éticos e morais que fazem parte do nosso cotidiano.
Até onde vai a luta pelos direitos animais?
O veganismo é uma filosofia de vida que por si só, preocupa-se com
isso.
A palavra vegan vem de vegetariam.
Mas não basta abster-se de carne, o vegan mergulha mais fundo.
O vegan condena a utilização de animais em laboratório para fins de
pesquisa.
É claro que isso foi crucial para o desenvolvimento e evolução de diversas
áreas da ciência, como a área médica, mas é fato que nos dias de hoje, novas
fontes alternativas para pesquisa devem ser estudadas.
Com isso, grande parte dos vegans não usam nenhum tipo de medicamentos, por saberem que em grande parte são testados em cobaias.
O que para muitos isso pode parecer um radicalismo imprudente, para eles é parte de sua própria luta pelo que idealizam.
Essa repulsa pela utilização de animais para pesquisa, esta muito
ligada a rejeição ao especismo, palavra que designa a atribuição de valores
diferentes a diferentes espécies animais.

Com base no conceito de especismo, a espécie humana estaria no ápice
dessa atribuição de valores, tendo assim a vida humana maior importância do que
a vida de qualquer outra espécie animal.
Condena-se também a criação de animais para o abatimento.
Faz-se pensar na ética existente em tal prática, e até mesmo no
próprio especismo falado anteriormente, e muito repudiado pelos vegans.
A prática de criação de animais para o abatimento também possui uma
problemática ambiental.
A pecuária exige a retirada de uma considerável porção de mata nativa,
o que leva a um dos maiores problemas ambientais decorrentes em nosso querido
Brasil.
A redução da área de florestas, importantes controladoras climáticas
nos continentes, devido ao processo de evapotranspiração, emissoras de gás
oxigênio para a atmosfera, inibidoras da contaminação da água de rios, lagos,
lagoas...
Uma grande porção de área que já se tem para a pecuária no país esta
em mal condição de uso, o que se leva a pensar que não é mais necessário o
desmatamento para a realização da prática, e sim a melhor utilização da área já
existente.
Entra assim a ideia da sustentabilidade, que muitas vezes confronta
com o modelo de desenvolvimento de determinadas regiões, como o norte
brasileiro que baseia-se principalmente na prática pecuária e extração de
madeira.
Durante muito tempo, o veganismo e o hábito de alimentar-se de carne
vem geram discussões e alguns mitos acabam por ser formados e estruturados no
contexto cultural.
Acredita-se que desde que os ancestrais antrópicos estabeleceram a
carne dentro da dieta, o trabalho do cérebro passou a se mostrar mais eficaz, e
a evolução da estrutura do órgão acelerou, devido a presença de proteínas e
nutrientes específicos da carne.
Mas levando em consideração a evolução do cérebro de outros mamíferos e animais carnívoros, seria isso compatível com a realidade?
Acredita-se que o hábito de alimentar-se de carne contribuiu para a evolução do raciocínio lógico, com o desenvolvimento de técnicas e estrategias de caça e captura de animais, e quanto a isso acredito eu existir uma verdade.
Mas do lado vegan também existem extremos, como a informação de que uma dieta baseada em carne e alimentos de origem animal aumenta a probabilidade da ocorrência de doenças degenerativas.
Sabe-se que o consumo de carne jamais foi um fator isolado, no que se refere a problemas como obesidade, aterosclerose, hipertensão...
A carne com certeza é uma importante fonte de nutrientes para o bom funcionamento do organismo, formação e estruturação de tecidos, e afastá-la de sua dieta pode trazer problemas como anemia, já que o ferro M encontrado principalmente na carne bovina é de mais fácil absorção pelo organismo do que o ferro encontrado nos vegetais.
A substituição da carne bovina por certas leguminosas como o feijão é uma das maneiras vegan de suprir a necessidade do organismo pelo ferro.
A vitamina B12 é também um nutriente de grande peso na carne como boi, peixe, ostra e produtos de origem animal como leite e ovos.
Em vegetais ela pode ser encontrada principalmente em criações orgânicas, com alguma associação a microorganismos que secretam a vitamina, e cereais.
A carência da vitamina B12 pode principalmente levar a anemia e a problemas nervosos irreversíveis.
Para vegans, as fontes de vitamina B12 são principalmente cereais fortificados com vitamina B12, leite de soja fortificado e alimentos com glutem para simular a carne fortificados.
Além desses, é importante também a atenção a alimentos que contribuem para o aperfeiçoamento da memória e do raciocínio, como frutas vermelhas, folhas verdes (agrião, espinafre, rúcula)...
Uma dieta vegan equilibrada em cereais, grãos, nozes, frutos e vegetais é rica em carboidratos, omega-6, fibra dietética, carotenóides, ácido fólico, vitamina C, vitamina E, e magnésio.
Um vegan pode levar a vida com boa qualidade, equilibrando uma dieta saudável.
Existe com certeza um grande extremismo, entro da filosofia de vida vegan, o que torna a questão polêmica, pois em grande parte gera-se um ativismo que confronta os ideais de modelo capitalista de desenvolvimento.
Não quero aqui deixar uma imagem hipócrita de minha pessoa, já que disse no início do texto que não sou vegan, apenas quero constatar a importância da luta por ideais, para mudar ao menos uma parte do mundo em que vivemos.
Fonte: Projeto Araribá. Ciências 7 série, São Paulo: Editora moderna, 2006