domingo, 24 de novembro de 2013

Do retorno (daquilo que nunca partiu).

Esse não é um post polêmico como outros que por aqui passaram.
Não, também não é a manifestação de uma opinião, ou alguma informação científica (ou não) básica, ou uma poesia escrita por alguém que apenas aprecia a arte, mas jamais se considerou um artista.
É só um amontoado de palavras, por vezes sem sentido, que representam a volta de algo que nunca partiu.
Quando o Loucura de Emergência foi criado, existia um entusiasmo que trazia a inspiração necessária para mantê-lo relativamente ativo, por alguns meses.
A verdade é que esse entusiasmo nunca se foi.
Ele sobreviveu do racionalismo manifestado e da emoção reprimida, da falta de fé e de alguma esperança que um dia trouxeram a tona a ideia de escrever em um blog.
Sobreviveu do paradoxo que a incoerência atribui a sanidade.
Dos conceitos formais, do conhecimento acumulado e da ignorância infinita.
Esse pode ser o ultimo texto do ano, ou apenas um, de inúmeros que ainda virão nos poucos dias que restam.
Pode ser que o blog fique abandonado por outros longos meses, ou que sua atividade permaneça constante.
Não importa, esse é só um texto bobo e curto, que celebra o retorno de algo que sempre esteve no mesmo lugar.

sábado, 19 de outubro de 2013

Da Atrasada Música de Quinta #14 e do Amor

O amor é algo tão estranho. É uma coisa fenomenal..
Só sabe o que é o amor quem já experimentou, quem já sentiu isso por alguém, quem sabe o que é olhar pra uma pessoa e dizer: "caraca, como eu a amo!". Até então tudo o que se sentiu por outra pessoa é mera paixão.
O amor é quando você tem o desejo de passar toda a vida ao lado de alguém, sem se importar.
O amor de verdade não enjoa, só se alimenta do convívio entre os dois seres que se amam..
A mais de dois meses eu comecei a abrir os olhos para isso e pude bater o martelo para o que meu coração estava me dizendo: eu comecei a amar!
E foi recíproco, e isso é bom!
A dois meses atrás eu pedi a Roberta em namoro, e de todas as escolhas que já fiz na vida - que diga-se de passagem foram muuuitas estúpidas - essa é sem dúvidas a que eu mais fui afortunado. Ah, quem dera eu pudesse voltar no tempo para poder ter feito isso muito mais cedo.. Cada segundo ao lado da minha gatinha vale ouro para mim, é algo que me deixa extremamente feliz!
E hoje venho até aqui para postar a música referente a quinta (17), mas que eu fiz um adiantamento para a data, a música que eu não poderia deixar de postar, pois ela traduz muuuito do que me aconteceu.. Forever (1989), da clássica banda Kiss!
Roberta: obrigado por ser a melhor namorada do mundo! Quero muito poder corresponder todo esse sentimento que você produz em mim da melhor maneira possível e tenho em você meu marco de vida, a minha grande decisão que sem dúvidas será a melhor e até meu último suspiro desejarei estar ao seu lado...
Eu te amo!
"O futuro pertence ainda mais aos corações do que aos espíritos. Amar é a única coisa que pode ocupar a eternidade. Ao infinito é necessário o inesgotável!"
Victor-Marie Hugo, Les Miserables (1865)

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Da música de Quinta #13


Nossa.. alguém ainda lê esse blog? oO
Enfim, hoje não é uma quinta feira qualquer! É uma quinta boa, muito boa: hoje Paulão e eu completamos nosso PRIMEIRO mês (de muitos que ainda virão), e já que o infeliz está longe agora, o presentearei com uma música que não.. não é minha, mas é bonita e provavelmente consegue descrever o que sinto, apesar de ser quase uma missão impossível (sai daqui, Tom Cruise!). Não é uma canção romântica daquelas clichês, mas a letra é fofa e de uma maneira ou de outra, se parece com meus estados nos últimos dias! 
Uma informação desnecessária: The Carpenters é uma de minhas bandas favoritas e sim, a música é deles "Please Mr. Postman": 

"I've been standin´ here
Waitin' Mister Postman
So patiently
For just a card
Or just a letter
Sayin' he's returning'
Home to me (...)"


Obrigada por esse mês, amor! Amo você! ♥


terça-feira, 13 de agosto de 2013

O corvo de Allan Poe

Já que o blog anda meio abandonado mesmo, nada melhor que voltar com um conto de Edgar Allan Poe! Sim, o mestre do horror, o pai das histórias de detetives (Conan Doyle me perdoe, mas Poe é fundamental: vide "Os Crimes da Rua Morgue"), o gênio malígno, o misterioso homem cuja morte foi mais misteriosa ainda: quando em 3 de outubro de 1849, o encontraram nas ruas com roupas que não o pertenciam, em estado de delírio, Poe foi levado ao Washington College Hospital, mas morreu quatro dias depois (ainda machuca...), sem saber explicar como havia chegado àquele estado! Suas últimas palavras foram: "Lord, please, help my poor soul", e até hoje não se sabe a causa de sua morte. 
Acredito que ela apenas refletiu o que Poe sempre admirou: situações estranhas, e contos bizarros. Assim surge uma lenda (ora, mas todas não surgem assim?) que continua despertando os mais diversos sentimentos (em mim, apenas despertou o prazer de uma boa leitura e a admiração por um grande homem). Seu conto "O Corvo" talvez seja o mais famoso, e com certeza, um dos melhores. Apesar de não ser o meu favorito (em breve contarei a história de um tal de Pluto pra vocês), essa é uma história de referência, e como não poderia deixar de ser, apresento "The Raven", by Poe! 

Uma meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
“Uma visita”, eu me disse, “está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais.” 

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu’ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P’ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais! 
  
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
“É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais”. 
  
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
“Senhor”, eu disse, “ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi…” E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais. 

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais. 

Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
“Por certo”, disse eu, “aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.”
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
“É o vento, e nada mais.” 

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
Foi, pousou, e nada mais. 

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
“Tens o aspecto tosquiado”, disse eu, “mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.”
Disse o corvo, “Nunca mais”. 

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome “Nunca mais”. 

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, “Amigo, sonhos – mortais
Todos – todos já se foram. Amanhão também te vais”.
Disse o corvo, “Nunca mais”. 

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
“Por certo”, disse eu, “são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp’rança de seu canto cheio de ais
Era este “Nunca mais”. 

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu’ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele “Nunca mais”. 

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo one ela, entre as sobras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais! 

Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
“Maldito!”, a mim disse, “deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!”
Disse o corvo, “Nunca mais”. 

“Profeta”, disse eu, “profeta – ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
Disse o corvo, “Nunca mais”. 

“Profeta”, disse eu, “profeta – ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Édem de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!”
Disse o corvo, “Nunca mais”.

“Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!”, eu disse. “Parte!
Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!”
Disse o corvo, “Nunca mais”. 

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
Libertar-se-á… nunca mais!

terça-feira, 30 de abril de 2013

Do mundo e sua guerra contínua

Várias vezes me encontro divagando a respeito desse mundo louco...
Onde estão todas aquelas coisas que deveriam estar aqui? 
Onde está a igualdade? Em milhões de pessoas em extrema pobreza e outras tantas "nadando em dinheiro"? Acho que não! 
Onde está a felicidade? A harmonia? Em ruas onde policiais e estudantes trocam tiros? Se agredindo verbal e fisicamente? 
Creio que não está aí!
Onde está a liberdade? Em se esconder em casa com medo de sair nas ruas e levar um tiro?
Isso é ser livre? 
Onde está toda aquela alegria que o homem deveria ter? Em mães que choram ao ver seus filhos mortos em brigas improfícuas? Em mortes de milhares de pessoas nessa situação de "guerra de todos contra todos"? 
Onde estão as coisas boas da vida? Onde estão aquelas crianças pulando amarelinha? 
Mortas! Estão mortas, sem merecerem isso! 
Mortas! 
Mortas em conflitos vãos, que demonstram claramente que os mais fortes reinam nesse nosso país!
O engraçado é que o mais forte não deveria ser quem tem mais armas ou mais mortes na manga... 
Nós deveríamos ser mais fortes que isso! 
O homem deveria abrir mão de seus ideais egoístas e enxergar o mundo como um semelhante! 
O homem deveria ver que não é assim que a vida deve funcionar!
Olhem ao redor!!!
A que ponto o homem chegou?
Creio que isso eu posso responder, e sem objeções:
O homem chegou ao ponto em que ele mesmo se destrói, sem nem ao menos perceber!
O homem chegou ao ponto em que para matar já não é mais preciso ter motivo: Pessoas morrem por sacos de bala, por Deus! Pessoas morrem por coisas idiotas, coisas banais! Onde está o sentido nisso? 
Quanto vale sua vida? Já não é mais possível responder... vidas não são mais preciosas, afinal... elas são tiradas em massa todos os dias!
Mas quem liga pra isso? 
As pessoas só irão abrir os olhos quando perderem alguém nessa guerra contínua.
Uma guerra que não terá fim!
Qual a diferença entre essa guerra em que estamos vivendo-mas tão naturalmente que nem parece uma guerra de fato- e a Segunda Grande Guerra?
É que todos nós somos "Hitlers"... embora, ao contrário do mesmo, não declaramos!
O mundo é uma bomba, que está explodindo aos poucos!

quinta-feira, 28 de março de 2013

Da música de Quinta #12

E só pra não passar em branco, lanço aqui a música de quinta, com o magnífico Johnny Cash! A música a seguir faz jus ao apelido do mestre: Homem de Preto, e mais do que isso a letra é uma crítica aos tipos de "lutos" que fazemos todos os dias! ENJOY! 

"Eu visto pelo velho doente e solitário,
Pelos descuidados que se tornaram frios por causa de uma péssima experiência
Eu visto preto em luto pelas vidas que poderiam existir,
A cada semana perdemos cem bons homens jovens"




Da Evolução da Mulher

     
     Todos sabemos que a desigualdade entre o que é ser mulher e ser homem existe, e acaba virando uma dominação entre gêneros. Há um tratamento de sociedade machista desde que somos crianças. Quando um pai presenteia sua filha de dez anos com uma cozinha de boneca, por exemplo, o que isso significa? Pode simplesmente significar que a garota gosta de brincar de casinha.. mas isso indica também, que a garota está sendo preparada para a vida doméstica, ou seja, uma dona do lar.

     A Barbie é outro exemplo disso.. A popular boneca, aparece sempre com profissões diferentes, tais como professora de criancinhas, babá, manicure, veterinária, cozinheira, telefonista, secretaria..
     E o padrão: todos esses trabalhos são orientados para mulheres: cuidar e educar crianças, atender telefone, cozinhar, limpar, se manter bonita, trabalhar para um homem. É isso que querem para as mulheres: que fiquem em casa cuidando de seus maridos, limpando, e educando seus filhos. É esse o papel social que querem para nós. A típica família burguesa, com o homem sempre no centro da família, e a mulher submissa, apenas cuidando do lar!
     Na década de 50, a mulher era retratada como impecável, as unhas bem feitas, o cabelo sempre arrumado, as roupas sempre limpas e lindas.. Isso reforçava a ideia de mulher-objeto ou sexual, ou de exploração no trabalho. A mídia aproveitava e procurava mostrar o corpo da mulher perfeita como atrativo para o consumo, o capitalismo sabe como conseguir consumidores...
     O homem é retratado sempre acima da mulher, sempre com um olhar fiscalizador: "ela está fazendo direito?"
     Na década de 60 há uma revolução sexual, onde a mulher já não é mais tão submissa assim, mas ainda é vista como um objeto. Mulher trancada em casa, cujo objetivo principal é casar, sempre com homens mais velhos...
     Na década de 70, ocorre a revolução feminista. A mulher é mais independente, é vista já em pé de igualdade com o homem, não sendo mais ligada à casa.
Mas ainda assim, a mulher não podia envelhecer, então surgem os produtos de cosmética. No trabalho, a mulher antes se vestia e às vezes até agia, como homens, e agora há uma inversão nisso, a mulher mostra sua feminilidade, a mulher tem que ser mulher!
     Muda a relação com seu próprio corpo... O que antes era dos homens, objetos sexuais, agora pertence às mulheres, seu corpo agora é realmente seu, por exemplo, surgem movimentos como "yo tengo derecho sobre mi cuerpo", que reivindicam o direito de abortar!
     Deu para perceber algumas mudanças, é claro, mas ainda hoje há preconceitos contra as mulheres, recebendo menos que os homens na mesma profissão, ainda são muitas as mulheres que não trabalham fora, que vivem para seus maridos e seus filhos.. ainda hoje, há mulheres que apanham de seus conjugues  ou apenas de namorados, ainda hoje, há um enorme desrespeito contra mulheres.
     Na política, no entanto, não podíamos nem sequer votar.. agora, a presidente do Brasil, Dilma, prova que ainda há esperanças para as mulheres que querem se aventurar na vida política do país. Mas mesmo assim, Dilma remete há décadas passadas, porque nota-se claramente que ela não é uma mulher muito feminina. O que é compreensível, uma vez que para ser mais respeitada, a mulher deve se parecer com um homem e agir como tal.
     Errado? Sim, absolutamente! Mas é assim que é.. por enquanto, porque apesar de tudo a mulher evoluiu e continuará evoluindo ao longo das décadas.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Da Música de Quinta #11

A música dessa semana é da banda de metal armeno-americana System of a Down. O SOAD é muito conhecido por suas canções pesadas com letras marcantes, que usam da crítica social para expressar suas lamentações com o governo norte-americano. É bastante interessante seu ponto de vista, e também uma ótima melodia pra quem é adepto do movimento metal.

Peço desculpas pela falta de tempo para fazer postagens no blog e só aparecer pra deixar aqui algumas canções. Estou passando por alguns momentos de dedicação aos estudos e espero poder voltar a escrever alguns artigos quando possível. Mas, por menos ainda possuímos as ótimas ideias do jovem Flávio para nos entreter nesse bróguito bacana.

Sem delongas, Música de Quinta number eleven!




sexta-feira, 8 de março de 2013

Da (novamente atrasada) Música de Quinta #10.

Pessoas, peço desculpas por ter novamente deixado passar a Quinta sem música no Blog, e peço ainda mais desculpas pelo período que esse blog tem passado sem postagens.  O tempo realmente agora ficou escasso, infelizmente. Mas prometo, assim que puder voltarei com contos (que já tenho um prometido), textos reflexivos e temas onde a polêmica abre espaço para infindáveis discussões.
Deixo hoje com vocês o que na minha opinião é uma das melhores bandas que esse país já teve.
Engenheiros do Hawaii é uma banda de rock alternativo/progressivo gaúcha dos anos 80, e que atingiu o auge nos anos 90 com a melhor formação da banda, com Augusto Licks (Guitarra), Carlos Maltz (bateria), Humberto Gessinger (vocal e contrabaixo).
Desde a formação em 1984, a banda passou por diversas mudanças, e em meio a elas, o único membro original que permanece até os dias de hoje é Humberto Gessinger.
Os primeiros integrantes se conheceram na faculdade de arquitetura da UFRGS nos anos 80, e o nome da banda foi inspirado em uma ironia aos estudantes de engenharia, do qual a banda tinha certa rivalidade, que iam para a aula com bermudas surfistas.
Deixo com vocês essa canção chamada "A revolta dos Dândis 2", continuação de uma música que coloca, na minha opinião, mais ou menos a filosofia de Sartre, onde a existência acaba precedendo a própria essência das coisas.
Ou seja, a rotina, o cotidiano, fazem da própria existência algo mecânico, nos tirando assim a capacidade de análise e percepção profunda das coisas (tudo é igual quando se pensa em como tudo deveria ser, há tão pouca diferença e tanta coisa a fazer), o tempo escasso nos rouba ideais (nossos sonhos são os mesmos há muito tempo, mas não há mais muito tempo pra sonhar).
Por hora ficarei por aqui, pois a mim também o curto espaço de tempo afeta, infelizmente.
Espero que gostem.

sábado, 2 de março de 2013

Da tentativa em ser romântico.

Bom, aproveitando que a música da semana foi a fabulosa Where is my mind da banda Pixies, quero aqui expressar brevemente uma condição onde a mente liberta, rompe o espaço imaginário concebido a nossa própria noção de realidade.

Onde esta minha mente?
Voando ao longe, dispersa ao horizonte, na fantasia do que se sente.
Pobre mortal, que sente por que sente e é inevitável o prazer confuso e ao mesmo tempo tão real.
Abalada, a mente sem razão se leva a emoção, paraíso de distração.
Perdida de paixão, procura por si, por onde andarás a mente sã?
Esvaiu a razão, dissipou-se ao ar, complexa, flutuante, voa longe vai distante.
Diz-se que o amor, atordoante, faz cegar.
Contesto tal afirmação com a mesma veemência que meu ser enobrece, ao perceber a ausência que vira saudade, a mente que voa em liberdade, e palavras sem nexo que expressam a verdade.



Da (atrasada) Música de Quinta #9

Com a volta do velho ritmo de aulas da facul, estarei a priorizar algumas responsabilidades, deixando o Flávio com quase toda a carga de postagem do blog. Mas ainda sim estarei por aqui.

Vamos para a Música de Quinta... no sábado.

Onde eu estava com a cabeça?! Onde está minha mente?

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Da loucura de pensar.

Em meio a uma questão, me vejo em um dilema moral.
Acreditar ou conspirar?
Se acredito, aceito uma condição enquanto fato consumado.
Se conspiro, questiono o valor de tal condição, e não obstante, reenquadro outros conceitos e proponho uma realidade alternativa.
Realidade alternativa...
É, faz sentido.
Ou não.
É para fazer sentido?
Pode-se supor que sim.
Ou não.
Acreditar ou conspirar?
Aceitar ou questionar?
Refletir seria conspirar contra uma realidade coerente?
Ou seria, induzido pela razão, procurar a própria coerência de uma ideia duvidosa?
Fico com a segunda opção.
Ou não.
A reflexão propõe a dúvida.
Ou não.
A dúvida é o estímulo da razão.
Ou não.
Visto isso, suponho que eu prefira conspirar...
Ou não.
Maldito dilema.
Que transporta para dentro de mim a certeza de ser incerto o vago conteúdo aqui exposto.
A loucura da inexpressão de uma situação expressa sem razão.
A condição moral de um contexto certamente duvidoso.
O espaço restrito de um tempo impreciso de uma realidade indistinta.
Maldito dilema.
Ou não.


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Da Música de Quinta #8

Bom, hoje é quinta e como de costume é dia de música no nosso humilde bloguito.
Decidi que o tema da música de hoje será a clássica e formidável Revolution, do inesquecível grupo Beatles.
O que é a revolução?
Em suma a palavra pode ter vários significados, como no ramo astronômico que esta ligada ao movimento de corpos celestes no espaço.
Mas aqui na música em questão ela tem um sentido total de mudança, transformação.
A luta pela retirada de um poder ditador e opressor, a mudança de conceitos e costumes ligados a uma cultura, a própria transformação da sociedade decorrente da bandeira jovem de uma geração.
A revolução é o direito a reivindicação, é a mobilização de uma camada da sociedade que se percebe em estado de prejuízo.
Quando criança eu presenciei o primeiro processo de Impeachment da América Latina.
Esse o processo ocorreu em 1992 e caracterizou-se pela renuncia obrigatória do então presidente Fernando Collor de Mello por conta de esquemas de corrupção e trafico de influências.
Foi convocada uma comissão parlamentar de inquérito para investigar o caso, que acabou por confirmá-lo.
Durante a investigação da CPI, a população foi as ruas, em geral jovens com rostos pintados pela palavra "FORA COLLOR".
Foi o movimento conhecido como "caras pintadas".
Mas é claro que além disso, a palavra revolução também esta associada ao termo guerra.
A reorganização de um estado e mudança no regime político pode trazer consequências drásticas em um mundo onde predomina o sistema capitalista.
Um dos nomes mais famosos ligado a revolução armada  é o de Ernesto Rafael Guevara de la Serna (Che Guevara).
Che Guevara foi um dos lideres da revolução cubana nos anos 50, do qual estabeleceu um regime "comunista" no país.
Impulsionado pela ideia de luta armada revolucionária, ele instalou guerrilheiros em países da América Latina e foi capturado e morto pelo exercito boliviano em 1967.
Muito embora seja por alguns considerado um herói, rebelde, de espírito incorruptível, é visto por outros como criminoso, responsável por assassinatos em massa, e até mal gestor como ministro da industria (devido a sua própria visão política anticapitalista).
Revolução é a ideologia de um povo que começa a desabrochar.
É o espírito de luta que floresce na "alma" e liberta a mente.
Mas cada transformação atinge seu ápice e o extremismo acaba por levar a uma outra necessidade de mudança.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Da expressão do inexpressivo.

E nasce o sentimento, se estende noite a dentro, fantasiando a minha alma que de cético eu questiono a possibilidade de existir. 
Quão provável seja a existência da alma, pensamento platônico, que a fugaz ilusão trabalha em mim.
Voltemo-nos ao sentimento, esse sim, de concreto logo penso a existência como fato tão consumado quanto o desejo de compreender de incompreensível que é.

Incompreensível sentimento que se estende noite a dentro e fantasia o que questiono realmente existir.

Atormenta-me a mente, enigma real, faz-me confuso frente ao fato de que já não sei quem sou.
Me rouba, faz-me em pedaços, e leva a consciência que o bom senso de perdido apodreceu.
Já nasceu o sentimento, obscuro e impreciso, se estende noite a dentro, na perfeita expressão do inexpressivo, paradoxa sensação.
Já me esqueço de pensar, sentimento, desloca-me a razão, transporta-me ilusão para onde jamais me imaginei estar.
Incompreendida expressão da  inexpressiva sensação que toma a razão.
Dicotomia da quimera ilusão.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Do modelo de ensino e seu papel formador.


Bom, eu sei que hoje não é quinta e assim não é o dia da música da semana, mas quero aproveitar o tema para abordar também esse clássico do rock progressivo dos anos 70.
A educação é uma base de formação civil e intelectual pelo qual o indivíduo deve passar.
O racionalismo humano traz a tona uma organização social complexa, o que exige das pessoas esse processo contínuo de moralização adequado a transformação de um conjunto de ordens imposto nessa organização.
A isso da-se o nome de cidadania.
A exerção da cidadania esta ligada portanto a adequação do indivíduo a vivência social, mas também a capacidade do mesmo em transformar o sistema ao qual esta submetido, e é dever da família e do estado promoverem esse processo de formação e adaptação.
Com base nisso e nos processos de ensino e aprendizagem, a escola tem o papel fundamental de preparar o indivíduo para a vida. Para o mundo.
O sistema de ensino apresenta diferentes tendências que se ramificam em vertentes relacionadas ao modelo sócio-econômico de uma cultura propriamente dita.
A música em questão, muito boa e clássica da banda Pink Floyd faz uma crítica ao modelo tradicional pedagógico.
Esse sistema pedagógico em suma é voltado a simples adequação do indivíduo dentro de uma  sociedade de classes.
Por conta disso é visto como uma forma de alienar a “massa” uma vez que restringe o processo de ensino a preparação do indivíduo a desenvolver um papel na sociedade que no geral é baseada na propriedade privada dos meios de produção.
Sendo assim esse é um modelo propriamente capitalista, pois segue uma tendência pedagógica liberal.
A educação tradicional no geral transmite a imagem do professor como mentor, dono do saber, e o educando enquanto ouvinte e aprendiz.
No início dos anos 60, Paulo Freire deu início a uma tendência pedagógica progressista.
Enquanto a pedagogia liberal propõe a adaptação do indivíduo a sociedade de classes, a pedagogia progressista pressupõe também uma análise crítica do sistema capitalista.
Dentro desse modelo o aluno não tem mais o simples papel de ouvinte, mas de colaborador no processo de ensino, e por de alguma forma fazer com que o aluno pense, e desenvolva um senso crítico essa pedagogia é também chamada de “ libertadora”.
Mesmo com a mudança de ideais que ocorrem ao longo do tempo, a pedagogia liberal ainda apresenta grande influência como modelo de ensino, sempre deixando transparecer o sistema predominante que governa o mundo.
Nos últimos tempos a educação brasileira tomou um outro rumo, cobra-se mais das instituições de ensino (em especial o ensino público), do que da própria família quanto a formação dos jovens.
Isso é o reflexo mais claro de uma inversão de valores eminente.
O professor nesse caso toma caráter de um profissional multifuncional, o que contribui para uma desvalorização da classe e consequente decadência da qualidade do sistema de ensino no país.
Por conta dessa inversão de valores, a temática é um sistema de ensino público integral, onde o jovem passará maior quantidade do tempo na escola do que na própria casa, junto dos pais.
Sem falar que a estrutura e o modelo no país esta muito longe do adequado para comportar um sistema de ensino público integral.
Esse é o mesmo modelo de educação que “empurra” o aluno para frente, sem que o mesmo tenha recebido a preparação adequada para encarar a sociedade com olhos analíticos e questionadores.
É mais fácil governar pessoas submissas, do que subversivas.
Uma educação baseada na quantidade de pessoas formadas, e não na qualidade de formação.
Um sistema baseado em números, que combate o analfabetismo, com o “analfabetismo funcional”, que transforma a escola em uma espécie de refugio e entretenimento para o aluno, e não um ambiente de trabalho e aprendizagem.
Viver em meio a essa realidade faz o professor sentir-se escravo de um sistema manipulador e reacionário,  o que o leva a desilusão de uma carreira idealizada com sonho e expectativa.




quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Da Música de Quinta #7

Hoje, sem delongas, a Música de Quinta é um dos grandes clássicos da história da música dos últimos tempos, e na minha opinião, sem medo de errar ao afirmar isso, a melhor música do mundo.

Enfim, aproveitem essa dança de ritmos e volumes que é considerada por vários a obra prima de Sirs Jimmy Page e Robert Plant, quarta faixa do lendário Led Zeppelin IV (claro, meu albúm favorito também).

"...And as we wind on down the road
Our shadows taller than our soul 
There walks a lady we all know
Who shines white light and wants to show
How everything still turns to gold
And if you listen very hard
The tune will lead at you at least
When all are one, and one is all
To be a rock, and not to roll..." 
  Led Zeppelin - Stairway to Heaven (1971)


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Da ausência de inspiração.

Inspiração que já se foi,
dizia ela não mais voltar.
Deixou uma sombra de imaginação,
que foi embora sem desabrochar.
E da ausência resta o vazio,
obscuro, sombrio.
Vazio perpetuamente,
consome vazio o corpo frio.
Frio sem vitalidade,
vazio de inspiração.
Inspiração que já se foi,
deixando sóbrio de razão.
Agora escassa imaginação,
não escreve nada mais.
Perdida de razão,
a mente sem inspiração,
esvai aos poucos,
morre em vão.



segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Da alternativa de Pascal em crer em Deus

Em muitas vezes existe um certo conflito entre ciência e religião no que se refere a existência ou não de uma uma entidade suprema que faz parte do modo de vida universal, desde a criação do universo até o fim dos tempos. Por um lado as evidências científicas indicam que o universo e a vida surgiram por teorias diversas que sempre remontam a bilhões e milhões de anos atrás, respectivamente. Tal fato contradiz as teorias criacionistas, como por exemplo a famosa história bíblica do livro Gênesis, do surgimento do mundo e dos animais em sete dias e da vida de Adão e Eva, por onde toda a humanidade surgiu.

Mas além do "alfa", existem também muitas especulações quanto ao "ômega". Na crença popular, após uma vida de dedicação as doutrinas religiosas uma pessoa ganha o direito de viver eternamente no reino dos céus, ou reencarnam em uma forma de vida relativa ao seu comportamento na vida anterior. Existem várias vertentes quanto a isso, de maneira que a maioria das crenças ocidentais é baseada na vida eterna, enquanto que as crenças orientais são mais voltadas ao princípio da reencarnação. Assim sendo, as primeiras são baseadas numa forma de vida linear, onde o reino de Deus é atingível (como o cristianismo e o judaísmo) e as orientais é baseada na forma de transição cíclica, onde as divindades são inatingíveis (como o budismo e o hinduísmo).

Pelo princípio da maior religião, que é o cristianismo, muitas pessoas se apegam a um dogma de vivência segundo os mandamentos de Deus passados aos seguidores de Cristo muito antes de seu nascimento por Moisés do Egito (Bíblia - livro Êxodo) e também aos ensinamentos do Filho, que foi o messias ou, em uma visão sabelianista o próprio Deus vivo que demonstrou a um grupo de discípulos como as pessoas deveriam agir para poder ascender ao reino dos céus após a morte. Esse grupo de discípulos e as escrituras sagradas fizeram parte da disseminação da ordem que hoje prolifera grande parte do mundo, a chamada Tradição Divina.

Em termos científicos, ao fim da vida o metabolismo cessa e consequentemente todas as funções corporais acabam, dando fim a vida ali, de maneira irreversível e plena. Porém não existem indícios de que a partir disto exista atividade extra corpórea, visto que esse é um assunto que a ciência não consegue explicar e fica fora de mão o uso da sua base mais fundamental, que é o experimento em si.

O físico e filósofo francês Blaise Pascal porém possuía uma tendência de pensamento que reunia as duas bases de pensamento, científica e criacionista. Utilizando dos seus princípios matemáticos de probabilidade, Pascal afirmava no seu livro Pensamentos (Pensées) que acreditar em Deus seria uma alternativa mais vantajosa do que não acreditar, ou seja, apostar que Deus existe é melhor do que apostar que Ele não exista. Segundo esse princípio, Pascal pensava na atribuição de valores, como segue:

- Se uma pessoa vive sem acreditar em Deus, e Ele não existir, ela morre certa, porém imparcial;
- Se a pessoa não acredita em Deus, e Ele de fato existir, ela morrerá errada e terá uma grande perda;
- Se a pessoa acredita em Deus, e Ele não existir, ela morrerá errada, porém imparcial;
- Se a pessoa acredita em Deus e Ele existir, ela morrerá certa e terá um grande ganho.

Pascal era teólogo e matemático também, e por tal afirmava que, em conclusão a sua tese, a probabilidade de Deus existir é em suma a mesma de não existir, porém as consequências favorecem a quem Nele acredita, ou seja, é mais vantajoso "apostar" na Sua existência.

Apesar disto, Pascal ali não considera a fé como uma vertente, o que é o princípio da base teológica, sendo a fé a crença em algo abstrato, apenas baseada na Tradição Divina e cultura em geral passada de geração em geração. Na verdade, o princípio de Pascal é basicamente uma "fé artificial", baseada inteiramente nas bases bíblicas da crença ou descrença que acarreta na vida eterna ou punição, respectivamente integradas as bases lógicas e matemáticas da probabilidade.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Da Música de Quinta #6


Atendendo ao pedido da minha amiga Dayane Priscila, prestigio vocês hoje com essa música do Tom Zé, enquanto música de quinta 6.
Honestamente conheço pouco em relação ao aspecto da arte do músico em questão, e não aprecio o samba, mas quero analisar aqui o conteúdo da letra em si.
Essa semana Paulo Gimenez nos presenteou com um belíssimo texto crítico-social escrito por George Carlin.
No texto George Carlin aborda um paradoxo evidente verificado na sociedade contemporânea.
Vemos aqui na música novamente o paradoxo como modelo de vida social.
A música é da década de 70, período da ditadura militar.
Tom Zé fez parte do movimento tropicalista, junto de grandes nomes da música popular brasileira que temos hoje, como Caetano Veloso e Gilberto Gil.
Naquela época a música brasileira ficou consagrada com artistas como os tropicalistas, Raul Seixas, Geraldo Vandré, que mostravam nas letras a revolta e a indignação em relação ao sistema.
Letras que se apresentavam confusas por conta da omissão, mas que nas entrelinhas tinham por tendência levar a massa a reflexão, a partir da análise crítica, afastando assim o estado de alienação e abrindo os olhos a um sistema opressor.
Podemos observar isso no próprio refrão “eu to te explicando pra te confundir, eu to te confundindo pra te esclarecer, to iluminado pra poder cegar, eu to ficando cego pra poder guiar.”
Espero que gostem da música, e se não gostarem, apreciem ao menos a genialidade da letra nela inserida.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Do paradoxo do nosso tempo, por Carlin

George Carlin foi um exímio comediante norte-americano que passou a vida expressando suas opiniões acerca de vários pontos contraditórios do cotidiano dos cidadãos americanos e também sobre o quadro político nas décadas de 70 e 80, o que fez com que gerasse grande polêmica e por tal foi acusado várias vezes por falta de moral. Até os dias de hoje existem pessoas que o admiram ou que o odeiam. Hoje irei deixar aqui um texto de Carlin sobre o cotidiano que vivenciou enquanto vivo, e como esse é um blog de opiniões, fica aí a opinião desse grande nome da atualidade.

"Nós bebemos demais, fumamos demais, gastamos sem critérios.
Dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados.
Lemos muito pouco, assistimos TV demais e rezamos raramente.

Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.
Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos frequentemente.
Aprendemos a sobreviver, mas não a viver.
Adicionamos anos a nossa vida, mas não vida aos nossos anos.
Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. 
Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.

Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.
Limpamos o ar, mas poluímos a alma.
Dominamos o átomo, mas não o nosso preconceito.
Escrevemos mais, mas aprendemos menos.
Planejamos mais, mas realizamos menos.

Aprendemos a nos apressar, e não a esperar.
Construímos mais computadores para armazenar mais informação, mas nos comunicamos menos.

Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta.
Do homem grande, de caráter pequeno.
Lucros acentuados e relações vazias.

Essa é a era de dois empregos, vários divórcios,
casas chiques e lares despedaçados.

Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis,
das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas mágicas

Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.

Uma era que leva esse texto a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou deixar pra lá."

George D. P. Carlin
1937 - 2008

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Da longevidade enquanto sonho e pesadelo.

Bom, essa não era uma intenção de post, mas pela manhã li no blog Beta Carinae (pra quem gosta de ciência, fica a dica) uma matéria que me despertou o interesse.
Trata-se de mais uma das peripécias da ciência em busca de aumentar o tempo de vida estimado para a espécie humana.
Cientistas da universidade da califórnia do norte foram capazes de aumentar em dez vezes o tempo de vida estimado para uma espécie de bactéria, e garantem que o método pode apresentar bons resultados também nos seres humanos.
O método se resume na manipulação genética e mudança na dieta, visando a ingestão de menor quantidade de calorias.
Segundo pesquisas, isso pode aumentar a expectativa de vida humana para 800 anos.
A biotecnologia é realmente uma área fascinante.
Com certeza esta nela a esperança de tratamento eficaz e cura para as mais diversificadas doenças que despertam o medo e a angustia, como doenças neurodegenerativas, câncer,  SIDA (prefiro referir-me assim ao falar da AIDS), trouxe a tona as vacinas como método eficaz para prevenção de doenças virais, além de transformar o mundo com a transgenia, clonagem, projeto genoma, e outras inovações que nos surpreendem  e nos prestigiam com o assombro de um futuro incerto.
A possibilidade de aumento da expectativa de vida humana é um tema deslumbrante.
Nele esta envolvido o nosso próprio desejo pela imortalidade.
Todos lá no fundo, guardam qualquer tipo de sensação em relação a imortalidade, seja ela desejo ou medo.
Todos lá no fundo desejam ter sempre por perto as pessoas que ama.
Quem nunca desejou ter uma vida mais longa, para que se pudesse fazer tudo o que planejou e idealizou?
Quem nunca desejou ter vivido em outros tempos, para presenciar acontecimentos formidáveis?
É...por essa perspectiva a longevidade seria uma dádiva.
Mas analisemos por um aspecto ético.
A Terra chegaria ao extremo de uma superpopulação, caso não houvesse um controle de natalidade rigoroso.
Sim, as crianças já não mais seriam donas do futuro, visto que a média de nascimentos deveria ser drasticamente reduzida.
Assim sendo, talvez viveríamos em um mundo carente da esperança infantil, dos sonhos, da fantasia...e mesmo assim, o controle populacional seria algo utópico.
Um controle de natalidade rigoroso apenas adiaria em algumas décadas o fardo de a Terra tornar-se um planeta superpopuloso.
E no decorrer das décadas, ainda existiria espaço para todos?
Quais seriam as alternativas?
A exploração espacial?
Como se lidaria com a questão do desemprego, que por tendência aumentaria em nível extremo, visto a média da população adulta do planeta?
Outros problemas eminentes seriam a poluição e a inevitável degradação dos diferentes ecossistemas, devido a necessidade de maior espaço para uma civilização desenfreada.
Com certeza a fauna e a flora pagariam um preço muito alto por um desleixe ambicioso.
Existiria alimento para todos?
Com certeza a teoria de Thomas Malthus se concretizaria em pouco tempo, visto que a produção de alimentos não acompanharia o índice populacional.
Doenças como a depressão cresceriam de forma tão acelerada e desordenada como a própria população.
O aumento do tempo de vida humano corresponderia sim a um progresso científico de grandeza imensurável.
Mas também nos toma a uma reflexão profunda sobre as causas e consequências de uma expectativa de vida tão longa.
Longevidade?
Um sonho?
Até que ponto?






domingo, 3 de fevereiro de 2013

De uma reflexão sobre fé e razão.


A moral se define na condição do indivíduo quanto ao aspecto do caráter, englobando seus princípios e valores de conduta.
Dentre outros fatores, acredito ser a fé uma das bases de sustentação moral.
A necessidade de crença reflete a própria carência de esperança, para encarar a vida dentro de um contexto existencial caótico.
A fé é um dos requisitos para fazer da existência algo tolerável.
É de costume determinar à consciência dois pontos de apoio. 
A fé e a razão.
Estima-se um equilíbrio entre os dois para um “bom funcionamento da consciência”, enquanto ferramenta fundamental para a índole da pessoa.
É claro que nesse aspecto, fé e razão acabam por tomar sentidos bastante distintos, e que necessitam de uma forma de concílio.
Entre a fé e o racionalismo situam-se duas maneiras diferentes de se lidar com o conhecimento, o que leva a divergência entre princípios científicos e religiosos.
Certas questões exigem maneiras específicas a ser trabalhadas.
Não acredito ser função da ciência realizar estudos para determinar a existência da alma, ou de anjos, ou mesmo de vida após a morte.
Tais questões fogem ao padrão empírico científico, e devem elas ser restritas ao lado espiritual, trabalhado pela fé.
Tanto o ceticismo como a alienação são extremos formados pela maneira errônea de se analisar e compreender a natureza das questões e dilemas morais que envolvem a vida.


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Do silêncio poético.


O silêncio se refaz.
Como um brilho que por magia penetra escuridão a dentro.
Como o barulho que ecoa no horizonte abismal.
Como o vento que soa,
transportador, 
digno natural.
O silêncio se refaz.
Refaz esperanças,
transforma sonhos.
Refaz um olhar.
Refaz um pensar.
Refaz o sono,
até o breve acordar.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Da música de quinta #5 e o rock raiz

Baseado no conto sobre o rock, hoje eu vou falar brevemente sobre o seu berço de maneira menos fantasiosa. O rock foi um gênero que surgiu como uma vertente do blues, do country e do R&B (rhythm et blues) em volta da década de 50, e passou a integrar diversas outras vertentes ao longo dos anos subseqüentes. Assim como toda vertente moderna, o rock também foi alvo de críticas e maus olhares no início de seu surgimento – caso que até hoje é percebido nas melhores famílias com pessoas de mais idade. O fato é que foi um movimento musical tão revolucionário que hoje em dia é praticamente impossível se pensar em música sem que o termo não nos passe a mente. Nomes como Elvis Presley, Chuck Berry e Jimi Hendrix foram consagrados na história desse estilo como sendo seus pioneiros. A partir de então foram surgindo bandas que se encarregaram de espalhar o bom nome do rock ao mundo, como os clássicos Beatles, Led Zeppelin, The Who, The Cream, Kiss dentre várias.

Muitas pessoas que acompanham ou acompanharam a evolução desse estilo acreditam que as melhores bandas surgiram e brilharam até a década de 70, marcando a era do rock raiz. Digo isto pois me incluo nesse grupo, apesar de ter nascido em 1991. Não digo que não houve música boa depois disso, muito pelo contrário. A maioria das músicas de minha playlist é feita de músicas da década de 70 a 90. Apenas acredito que os melhores mesmo foram os que dominaram o mundo com seus riffs e acordes incríveis, suas ótimas letras e seus estilos únicos que contribuíram muito para os diversos gostos de rock de nossa geração.

Visto o texto de hoje, vou postar uma música de rock raiz em homenagem a esse estilo que tanto nos anima quando mais precisamos. Long live rock n’ roll!


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Do veganismo e de seus ideais.

Esse foi um tema parcialmente abordado em dois posts não específicos (da evolução humana e do seu hábito alimentar, da vivisecção e das pesquisascom animais em laboratório), não sou vegan mas atendendo a um pedido especial, vou agora falar sobre esse estilo de vida pelo qual tenho bastante simpatia.
A carne é uma verdadeira necssidade em nosso quadro alimentar?
Essa é uma questão de difícil resposta, visto que o hábito alimentar humano é extremamente diversificado.
Baseado nos costumes de determinadas regiões, chego a dizer que a carne deixou de ser uma necessidade e hoje é algo mais complexo do que isso, esta ligado ao aspecto cultural de um povo.
Tão verdade isso, que certas culturas abstem-se de carne de algumas espécies animais, por venerá-las como intercessores de Deuses.
Certas tradições não se permitem a ingestão de animais, pelos mesmos serem capazes de sentir dor.
Por outro lado, outras culturas estendem dentro de seu costume uma culinária incrementada com grande diversidade de animais, formando pratos exóticos e típicos.
A alimentação em termos gerais acaba por tomar um sentido prazeroso, e ai torna-se envolvida não só por questões relacionadas a saúde e qualidade de vida, mas também por dilemas éticos e morais que fazem parte do nosso cotidiano.
Até onde vai a luta pelos direitos animais?
O veganismo é uma filosofia de vida que por si só, preocupa-se com isso.
A palavra vegan vem de vegetariam.
Mas não basta abster-se de carne, o vegan mergulha mais fundo.
O vegan condena a utilização de animais em laboratório para fins de pesquisa.
É claro que isso foi crucial para o desenvolvimento e evolução de diversas áreas da ciência, como a área médica, mas é fato que nos dias de hoje, novas fontes alternativas para pesquisa devem ser estudadas.
Com isso, grande parte dos vegans não usam nenhum tipo de medicamentos, por saberem que em grande parte são testados em cobaias.
O que para muitos isso pode parecer um radicalismo imprudente, para eles é parte de sua própria luta pelo que idealizam.
Essa repulsa pela utilização de animais para pesquisa, esta muito ligada a rejeição ao especismo, palavra que designa a atribuição de valores diferentes a diferentes espécies animais.
Com base no conceito de especismo, a espécie humana estaria no ápice dessa atribuição de valores, tendo assim a vida humana maior importância do que a vida de qualquer outra espécie animal.
Condena-se também a criação de animais para o abatimento.
Faz-se pensar na ética existente em tal prática, e até mesmo no próprio especismo falado anteriormente, e muito repudiado pelos vegans.
A prática de criação de animais para o abatimento também possui uma problemática ambiental.
A pecuária exige a retirada de uma considerável porção de mata nativa, o que leva a um dos maiores problemas ambientais decorrentes em nosso querido Brasil.
A redução da área de florestas, importantes controladoras climáticas nos continentes, devido ao processo de evapotranspiração, emissoras de gás oxigênio para a atmosfera, inibidoras da contaminação da água de rios, lagos, lagoas...
Uma grande porção de área que já se tem para a pecuária no país esta em mal condição de uso, o que se leva a pensar que não é mais necessário o desmatamento para a realização da prática, e sim a melhor utilização da área já existente.
Entra assim a ideia da sustentabilidade, que muitas vezes confronta com o modelo de desenvolvimento de determinadas regiões, como o norte brasileiro que baseia-se principalmente na prática pecuária e extração de madeira.
Durante muito tempo, o veganismo e o hábito de alimentar-se de carne vem geram discussões e alguns mitos acabam por ser formados e estruturados no contexto cultural.
Acredita-se que desde que os ancestrais antrópicos estabeleceram a carne dentro da dieta, o trabalho do cérebro passou a se mostrar mais eficaz, e a evolução da estrutura do órgão acelerou, devido a presença de proteínas e nutrientes específicos da carne.
Mas levando em consideração a evolução do cérebro de outros mamíferos e animais carnívoros, seria isso compatível com a realidade? 
Acredita-se que o hábito de alimentar-se de carne contribuiu para a evolução do raciocínio lógico, com o desenvolvimento de técnicas e estrategias de caça e captura de animais, e quanto a isso acredito eu existir uma verdade. 
Mas do lado vegan também existem extremos, como a informação de que uma dieta baseada em carne e alimentos de origem animal aumenta a probabilidade da ocorrência de doenças degenerativas.
Sabe-se que o consumo de carne jamais foi um fator isolado, no que se refere a problemas como obesidade, aterosclerose, hipertensão...
A carne com certeza é uma importante fonte de nutrientes para o bom funcionamento do organismo, formação e estruturação de tecidos, e afastá-la de sua dieta pode trazer problemas como anemia, já que o ferro M encontrado principalmente na carne bovina é de mais fácil absorção pelo organismo do que o ferro encontrado nos vegetais. 
A substituição da carne bovina por certas leguminosas como o feijão é uma das maneiras vegan de suprir a necessidade do organismo pelo ferro. 
A vitamina B12 é também um nutriente de grande peso na carne como boi, peixe, ostra e produtos de origem animal como leite e ovos. 
Em vegetais ela pode ser encontrada principalmente em criações orgânicas, com alguma associação a microorganismos que secretam a vitamina, e cereais.
A carência da vitamina B12 pode principalmente levar a anemia e a problemas nervosos irreversíveis.
Para vegans, as fontes de vitamina B12 são principalmente cereais fortificados com vitamina B12, leite de soja fortificado e alimentos com glutem para simular a carne fortificados.
Além desses, é importante também a atenção a alimentos que contribuem para o aperfeiçoamento da memória e do raciocínio, como frutas vermelhas, folhas verdes (agrião, espinafre, rúcula)...
Uma dieta vegan equilibrada em cereais, grãos, nozes, frutos e vegetais é rica em carboidratos, omega-6,  fibra dietética, carotenóides, ácido fólico, vitamina C, vitamina E, e magnésio.
Um vegan pode levar a vida com boa qualidade, equilibrando uma dieta saudável.
Existe com certeza um grande extremismo, entro da filosofia de vida vegan, o que torna a questão polêmica, pois em grande parte gera-se um ativismo que confronta os ideais de modelo capitalista de desenvolvimento.
Não quero aqui deixar uma imagem hipócrita de minha pessoa, já que disse no início do texto que não sou vegan, apenas quero constatar a importância da luta por ideais, para mudar ao menos uma parte do mundo em que vivemos.

Fonte: Projeto Araribá. Ciências 7 série, São Paulo: Editora moderna, 2006